Director: Júlio Manjate

ACENTO TÔNICO: Sete dias com o Papa Francisco (5)  (Júlio Manjate-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

 

NO caminho para o Palácio da Ponta Vermelha, onde o Papa tinha a sua primeira actividade, aproveitei para conversar com colega de um canal ocidental de televisão,  esclarecendo uma série de informações menos correctas que ele tinha sobre Moçambique. Senti bastante orgulho em poder partilhar factos sobre o nosso país, com alguém que tem o poder de ajudar o mundo a dissipar alguns equívocos que o Ocidente cultiva em relação ao continente africano e a Moçambique, de modo particular. Sabia que estava a contribuir para a redução dos danos causados pela indiferença dos outros em relação ao que somos e para onde vamos.

Tirando o carácter mesquinho de alguns jornalistas que integravam o voo papal, havia ali muita coisa para aprender, muitas experiências e conhecimentos para partilhar…

Até porque foi do contacto com alguns daqueles profissionais que fiquei a saber, por exemplo, que esta é a primeira vez na história que a Igreja Católica tem dois papas vivos, embora um deles tenha o sobrenome de Emérito… Até  àrenúncia  de Bento XVI, em 2013, a prática era do papado vitalício, ou seja, só a morte podia determinar o fim do pontificado.

O Papa é considerado ser supremo, o único detentor da verdade, sendo por isso fácil compreender o risco que representa para a Igreja a existência de duas figuras com o mesmo poder. A questão que se discute é: o que seria da instituição se um dia um deles discordasse do outro?

Este debate continua, até mesmo pelo carácter diferente dos dois papas: Bento XVI é considerado conservador e Francisco um liberal inspirado na sua convicção franciscana.

Na verdade, e apesar da inflexibilidade de algumas regras protocolares quando o assunto é visita de um Chefe do Estado, a simplicidade do Sumo Pontífice e a sua permanente disponibilidade para ouvir e estar perto acabou encurtando a distância entre ele e as massas. Foi assim durante a sua permanência em Maputo e escalou Madagáscar e as Ilhas Maurícias.

Escusado será dizer que, do ponto de vista de organização e entusiasmo na participação popular, Moçambique esteve vários furos acima de Madagáscare alguns tantos em relação às Maurícias.

Por falar em organização, superou as expectativas aquela decisão das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) de montar a sua equipa no Hotel Glória para fazer o “check-in”dos passageiros do voo papal, que por sinal estavam lá hospedados. Foi prestigiante, mas sobretudo uma amostra do tamanho da nossa clareza sobre o que é prestar um serviço de qualidade.

Voltando à simplicidade do Papa Francisco, percebi o quanto muita gente reconhece este lado informal do actual Bispo de Roma, primeiro quando vi, pela televisão, um cidadão invadir corajosamente o cortejo papal numa das ruas da cidade de Maputo para entregar em mãos uma lembrança ao Sumo Pontífice; e depois quando um amigo meu tentou interceder por alguém das suas relações, pedindo-me que levasse “uma pequena recordação ao Papa”.

- … epa, faça-me lá esse grande favor. Sei que terás a rara oportunidade de estar perto  do Papa. Aproveitas entregar essa pequena oferta… - disse o meu amigo sem,no entanto,dizer-mede que oferta se tratava.

Ele abordou-me por telefone, mas falava com uma naturalidade própria de quem acreditava que, com o Papa Francisco, tudo se torna simples. Certamente que o meu amigo só  não pensou no sem-fim de interesses que gravitam à volta da figura do SantoPadre, uns bons, outros menos bons e outros tantos inqualificáveis.

Está  claro que não  foi possível satisfazer este meu amigo. Até  porque, antes de aceitar levar o recado para o Papa, precisaria de saber muita coisa sobre esse conhecido do meu amigo, sobre a natureza da prenda e até sobre as motivações para tamanho atrevimento.

O certo é que tudo isso não foi necessário, tal foi o meu peremptório “…não,  brother, não  vai dar…”.

Este episódio já vai longo. Para a semana volto para contar-vos coisas sobre a passagem do Papa por Madagáscar e pelas Ilhas Maurícias.  Até  lá!

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