Director: Júlio Manjate

Sigarowane: Syabonga,eu gosto de ti (Djenguenyenye Ndlovu)

 

 

CREIOestar a perder muito do que marcou o meu viver. E isso me dói. Mas nem sei porquê. A vida é assim mesmo. Por mais de uma vez prometi que me fazia por esses teus lugares, para, ao sabor das santolas, da surra, pormos a conversa em dia. Rememorar vivências cheias de emoções que levariam a risos,embora sem o vigor de então,mas risos meu caro Syabonga.

O teu lugar não é assim tão distante, mesmo com este esqueleto em decadência, é ainda alcançável, tirando os receios da “BILIS”que o país pariu.

O teu lugar não é tão distante para que não aconteça aquele abraço e aquelavibração de dois corações loucos e embriagados pela doçura da vida, que ainda que bem entrados, ela continua com a doçura própria desta calibragem. Ao nosso jeito e quando possível,claro.

Sabes Syabonga, tu és o amigo que celebro porque tu és cultura. És cultura e cultor dela. O que muito me encanta. És o amigo a quem escrevo cartas, como esta, que os arquivos guardarão até muito depois de nossos ossos deixarem de existir.

E então estarão falando do Syabonga.

Há dias perguntei-te da vida nessa tua cidade, da gastronomia e da combinação de instrumentos e vozes. Disseste-me que vivias pouco a cidade, a sua dinâmica. Que te tornaste um homem de casa, de colchão, do sofáe sem poderes te deliciar das viagens, das festas, das brigas agradáveis que um JhonSteinbeck propicia aos amigos como tu. Disseste que a saúde te limita os movimentos, a voz não tem a mesma vibração, mas que ainda capaz de encantar amigos em privado. Mesmo com isso tudo,naquele dia estavas feliz: o Gustavo Mavie e o Rafael Bié, numa aberta de seus afazeres em Inhambane, bateram-te a porta e foi um dia de muita alegria, de lembrar as tascas de Maputo e as suas noites de Jazz. Ficaram a conversar e a fazer outras coisas por tanto tempo que quando se despediram, os espíritos chaúques não permitiram que tivesses insónias. E acordaste com um sorriso nos lábios. Que coisa rara. Que coisa maravilhosa.

E do jazz, o Chonguiça esteve aí e só o soube quando me mandou fotografias, que quem sabe,teria apanhado a boleia dele. E certamente que o teria aconselhado a levar consigo o saxofone. Ele soprava e tu cantavas. Teríamos te visitado e contigo correríamos Inhambane, que eu gosto do jazz. Mas o Chonguiça,irmão, trocou o saxofone pelas moçarocas assadas em lume brando e dizendo que “in culture we trust”.

Agora também as maçarocas assadas de Inhambane!

E o músico não podia dar boleia a ninguém. O seu automóvel estava tão cheio de maçarocas para cobrir os belos corpos das mulheres de Inhambane. De batuques para as por a dançar. Não. Não cabia mais ninguém. Ele e as suas maçarocas para as mulheres de Inhambane.

Não fiques com inveja. Já comeste tanta maçaroca na vida e ainda vais comer enquanto a natureza te permitir.

Meu caro, Syabonga, eu gosto de ti. Gosto da tua loucura, que é única. É por isso que quando te disseste de casa, da cama, do sofá,sem um Hemingwai para te por a viajar para a “outra margem…”, abri a minha cela e por três horas e meia lá me deixei em exercício contemplativo. No final,levantei-me, abri a porta da cela, e concluí que preciso, de vez em quando, deste amigo para deixar a minha alma mais leve. E então,inicio a marcha ao lugar em que vou fazer a minha escolha do que quero que seja o meu amanhã, que o dia se aproxima. Inicie,também, Syabonga,a sua caminhada para escolheres o caminho que te conduzirá à alegria que tanto anseias.

Tu és o amigo a quem escrevo.

Tu és o amigo, de que quando me lembro o meu coração dilata de alegria, porque tu és puro, tu és cultura.

Tenho inveja desse Mavie e desse Bié. Gozaram,sozinhos, da tua alegria, do teu bom humor , do teu riso agudo, do teu sorriso. Incharam-se de contentamento e foste razão de mais risos, mais bateres dos pés no chão, lá por onde continuaram andando.

Mas Syabonga!

Eu gosto de ti…

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