Director: Júlio Manjate

NUM'VAL PENA: Literatura paralela e informal  (Leonel Abranches)

 

 

COMEÇA a ser irritante a forma como alguma gente obtusa desrespeita a sociedade, principalmente, para não variar, a mulher. Anda aí uma moda de as pessoas se fazerem engraçadinhas, escrevendo nos seus carros das mais variadas mensagens. Umas são de facto engraçadas e até de alguma estética literária. Outras, quase todas, pecam pela sua vocação para o ultraje, para o insulto.
Não consigo perceber como é que alguém, que se presume de responsabilidade inquestionável, se faz transportar num veículo com desenhos ou escritas de valor duvidoso e até imorais. Vemos pelos chassis de carros mãos com os dedos anelar e indicador indecorosamente dobrados, num gesto obsceno por excelência. Vemos desenhos ou fotografias imorais de mulheres de bumbum ao léu e inconvenientemente virado para o coitado do transeunte, mais uma vez “massinguitando”, desprestigiando e descaracterizando a doce e respeitada figura da mulher. Vemos recados escritos, que eufemisticamente nos indiciam à podridão e à perversão social. Tudo à balda fora. Ninguém se recorda de pôr o guizo no gato. Olhamos para isso impávidos e serenos, como se fosse a coisa mais cristalina do mundo. Alguns de nós até esboçam sorrisos patetas. “Alta cena, meu”! - dizem outros de consciências neocolonizadas pela globalização. Não nos preocupamos com o que os nossos filhos podem pensar, não pensamos na instrumentalização emocional e psicológica de toda uma sociedade carente de valores morais. Entendemos que é normal que se insulte a inteligência e nobreza da mulher. Como é que um tipo, todo enfatado, com o melhor “grift” da moda actual, ao lado, a companheira “pavoneando-se” num espaventoso e soberbo vestido, que terá custado uma “pipa de massa”, levando atrás uns simpáticos e barulhentos pirralhos, tem o carro todo borrifado de imoralidades? Que ensinamentos podem estas pessoas transmitir aos seus filhos?
Os polícias, quer os de trânsito, quer os de protecção, delimitam hermeticamente o seu papel, daí que se limitam apenas a passar multas por infracções de trânsito e nunca os vemos a repreender, educar e, por que não, punir os pervertidos e depravadores sociais. Sinceramente, a cada dia que passa sinto que a nossa sociedade, do ponto de vista moral, está a afundar-se com uma rapidez impressionante. Está a afundar-se mais rápido que o Titanic. A qualquer momento batemos fundo e o país vai mesmo à falência. Juro, parece brincadeira!
O Homem moçambicano começa a fazer tudo o que lhe apetece. Já não pensa. Esqueceu-se das normas sociais que comandam uma sociedade. Tudo porque as instituições que por natureza deviam evitar e/ou reprimir essas manifestações anti-sociais baixaram os braços. Perderam uma batalha e preguiçosamente evitam a guerra. É por estas e outras que acho que Jesus Cristo deve voltar urgentemente. O mundo está a desabar.
Shalom.

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