Director: Júlio Manjate

Sigarowane: Não fui ao bar - Djenguenyenye Ndlovu

O ZÉ deve estar a dormir ou a fazer parte de seus muitos afazeres, como,por exemplo,comer um bife, dos melhores de que o mundo fala, ou a braços com uma dor qualquer no pé a tentar afugentá-la com algumas drogas de comprar emfarmácia. Que ele é assim. o que tem de ser feito é feito. Pode estar a ouvir um bom guitarrista enquanto atira para a caverna do estômago uns cubos de bom queijo e sorve do melhor whisky,  e esse não é escocês, num daqueles lugares de sonho. Não é por mania de espécie alguma. Ele não tem outra escolha. Tudo isso e mais, enquanto espera que de muito longe lhe faça companhia, lhe dê trabalho,mas sobretudo lhe deixe completamente feliz porque não é todos os dias que se tem gente para nos partir a cabeça. E ele aguarda por esse momento com muita ansiedade,gula também,o que igualmente me consome

Quem também está expectante de dizeres desse encontro, que será, mais uma vez, memorável é o Fernandinho. O lito também. Eles estão mesmo em sofrência de saber o que terão sido as noites em perspectiva, porque então senão não vale a pena viver.

São ainda muitas as horas a correr até que me junte ao Zé, mas enquanto isso posso me juntar a muitos que me são vizinhos de ocasião e imitar-lhes o gesto: também um copo na mão. Recebo palmadinhas nas costas deste até a minute estranhos, pior,que mal lhes compreendo as línguas, o que também é válido para eles em relação àminha, mas estranhamente nos comunicamos e temos muitas coisas em comum: sorrimos,rimos,sentimos fomee sede,gostamos de mesmos tipos de bebidas, necessidades fisiológicas e fazemos “txim txim”. É a magia da vida, mas há quem pretenda que entre humanos há diferenças. Recebo cartões de visita e eu trato de manuscrever o meu endereço electrónico, de que já não me recordo do código, o meu número de telefone. E corre o tempo que nos vai separar dentro de horas, mas antes que esse momento chegue,aparto-me do grupo, que entretanto cresceu, e me meto no meu ninho e os músculos cedem. Não sei de mais nada que acontece até que volte a responder por mim.

E então o Zé, sempre no seu melhor, de fato e gravata e aquele seu sedutor sorriso, perante gente de nomeada abre os braços convidando-me a um abraço esperado faz muito tempo. E então ficamos abraçados e ainda por cima com direito a uma assistência de luxo. E depois, depois ficamos a rir, a rir e rolámos pelo preto do chão com destino á cidade. tínhamos pela frente pouco mais de sessenta quilómetros, mas não foi fácil vencê-los: acabava de terminar mais um jogo de Rugby e o tráfego só permitia o movimento de mariacafé. Mas isso não incomodou de modo algum já que muito havia que pôr em dia. Ele quis falar dos jogos que estavam decorrendo, mas tratei de o fazer desistir:não entendo nada de Rugby e nunca fiz nenhum esforço para entender. Aliás, no meu meio ninguém tem cultura do Rugby e quando acontece na televisão, a gente muda de canal e  Xidiminguana aparece com a sua voz acompanhada de sua guitarra e é alegria.

Bom, finalmente chegamos a Grand Hyatt onde por uns dias vou viver. Desfizemos uma mala e ele disse que tudo estava bem. Apetecia-me,depois,ir a um bar. A um bar nas primeiras horas da noite de um domingo devia ser bom. Sobretudo se a um bar desconhecido em um lugar igualmente desconhecido.

Ele tinha uma reunião que devia co-presidir àquela hora e então aconselhou-me a pedir uma dose de Yamazaque(não sei se é assim que se escreve) que daí a pouco se libertaria da reunião. O encontro seria breve,dizia ele. E na verdade foi. Mas o Yamazaque vinha já num tabuleiro, numa mesa mesmo,juntamente com dois pratos de comida(peixe) e duas sopas de tomate. A Verónica havia encomendado. Nunca gostei da sopa de tomate, aliás nunca a quiz provar vez alguma e no entanto tomei-a e gostei embora não tenha conseguido acabar. Emborquei o Yamazaque. Creio que levei aos lábios por três vezes o copo. Desejei mais, mas ele não me desejou mais.

Não fui ao bar naquela noite de domingo.

Mas outro dia, outro domingo, heide lá ir.

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