Director: Júlio Manjate

Sigarowane: Quinquagésimo primeiro andar - Djenguenyenye Ndlovu

 

POUCOnão era o tempo que separava a gente do momento seguinte, que seria por volta das seis da noite. Cuidou, a maioria de ir tomar o almoço, porque cedo ainda tiveram que deixar os hotéis para se dirigirem ao Seiden(Salão de Cerimónias de Estado), onde aconteceu a cerimónia de Entronização do Imperador Neruhito, do Japão.

Às voltas e com as mãos nos bolsos e sempre de gravata,estava o Zé à espera. Minutos depois já não estava só e o seu sempre presente sorriso confortava a companhia. Mas teriam ainda de esperar mais uns minutos que outra chegada estava a caminho no interior de uma viatura pintada a amarelo. Apeou e com certa altivez dirigiu-se ao Zé e o companheiro. Ninguém era estranho a ninguém, daí que não tenha havido necessidade formalidades de espécie nenhuma.

No quinquagésimo primeiro andar do Hills, que está na mesma estrutura do Hyatt, localiza-se um bar, na verdade um clube, daqueles nem sequer por sombras sonhados. Os dois ficaram por instantes sem fala. Tal é o belo que aquele ponto oferece a quem lá chega e fica agradado pelo que paga.

O Zé esqueceu-se de dizer que o lugar era de frequência de gente de maneiras e o que aconteceu foi que o telefone de um deles tocou e o dono atendeu com o microfone aberto (o assunto de que tratava era de certo modo de impressionar, e talvez conviesse que os outros soubessem das águas em que nada) e não tardou que uma senhora se abeirasse do Zé, que ainda não notara que o colega falava do jeito que falava, fez um gesto na direcção do outro. Chamou-lhe à atenção, dizendo a todos que alise exigiam maneiras. Que os outros modos podiam ficar para outros lugares, por ele não conhecidos em Tókyo. Beberam dois whiskys cada um deles. O Zé bebeu apenas um e não souberam quanto pagou. Não deixou que espreitassem a conta.

Este é o grande defeito do Zé, que algumas pessoas gostam.

E os ponteiros do relógio não paravam. Ele tinha que se arrumar,(que os japoneses a isso não abrem a mão) que daí a minutos tinha de participar do banquete imperial.

O quinquagésimo primeiro andar ficou para ser contado, rememorado e mais nada.

Homens de bandejas na mão transportando licores,sumos e o famoso Saqué circulavam pelo enorme salão no agrado dos convidados de cento e oitenta e seis países. Apenas dois de cada país. Membros da família real(filhas do Imperador, do Príncipe Herdeiro, neste caso irmão do Imperador, já que só tem filhas) circulando pelo salão, saudando e deixando-se saudar. E sempre de sorriso no rosto, que o momento não permitia outra forma de estar. Era verdadeiro.

Eram homens e mulheres num faustoso aperitivo. Tinha a taça de Saqué na mão e lembrou-se de que ficou a saber que era a bebida preferida do anterior Imperador. Nesse instante passava mais homem de bandeja não. Abriu a boca e nela despejou tudo o que restava e pegou noutra cheia enquanto depositava a vazia. O japonês sorriu. Ele também. Segurando na mão apequenita taça ainda com Saqué pela metade. Voltou-se para o palco onde estava sendo apresentado um número da vasta cultura japonesa. Os actores entraram de espadas em punho, mas o presidente da câmara dos representantes cuidou de dizer que ainda de espadas na mão é,na verdade, uma dança pela paz.

Depois foi o movimento,todo ele bem organizado, para a sala do Banquete. Mesas dispostas ao comprido e de certo modo as pessoas colocadas tendo em conta algumas afinidades existentes entre elas. Foi o caso dele. Foi o caso de muitos. Foi o caso de todos naquela noite em terras de Sol Nascente.

Na mesa do seu lado esquerdo estavam os monarcas, os sultãos. Esses não se misturam. Para quê,pá!

Três diminutas taças dispostas em fila. Uma taça de verdade mais ou menos em frente do prato. Das tacinhas, o primeiro serviu para o Saqué, pelomenos no caso dele. O segundo, vinho branco ou verde, o ultimo, vinho tinto. E a taça mesmo, continha água. E lá vinham as comidas e notou que os pratos não eram iguais,mas que ninguém estranhava. Ele próprio. Lembrou-se de ter de dizer do que comia.

Estes japoneses,pá!

E o quinquagésimo primeiro andar…

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