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Categoria: Opinião & Análise
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DIALOGANDO: Não afugentem turistas da Ilha de Moçambique! - Mouzinho de Albuquerque

 

Já dissemos aqui que nos sentimos satisfeito com o êxito que tem sido e a mais-valia que representa para o nosso país a cidade da Ilha de Moçambique, na província de Nampula, declarada património mundial da humanidade em 1991 pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Não nos parece que alguém tenha dúvida sobre isso. Até porque, segundo temos ouvido em conversas de ocasião, há consciência generalizada por parte dos que visitam a Ilha de Moçambique que esta cidade, a primeira capital do país, continua a defender os nossos valores históricos, as nossas tradições, os nossos hábitos e costumes, como o fez há séculos.

Mas, para alguém como nós se sinta mais satisfeito, numa zona como aquela, que é importante para a promoção do desenvolvimento do turismo, é preciso que as importantes infra-estruturas daquele património, que constituem também o chamariz de gente de todas as partes do mundo, estejam em melhores condições. Estamos a falar de hotéis, restauração e locais de alojamento.

E a Ilha de Moçambique tem essas condições, fruto do esforço visível que está sendo feito não só por parte dos operadores turísticos, como das próprias autoridades governamentais, visando a reabilitação da maior parte delas (infra-estruturas) que se encontravam em ruínas, bem como a construção de outras novas no âmbito dos grandes investimentos feitos ao sector do turismo.

E por falarmos do turismo naquela ilha, dizer que escrevemos estas linhas estando neste mesmo património e, embora nos sintamos satisfeitos por estar cá e encontrarmos algumas coisas boas, desta vez constatamos uma situação que nos deixou um tanto quanto apreensivos, relacionada com o facto de muitas crianças que se fazem de forma frequente, de mendigos, estarem a “incomodar” turistas, principalmente estrangeiros que visitam aquela região, pedindo apoio disto ou daquilo.

É verdade que os turistas precisam de respeito e, sobretudo, carinho de gente local, também brincando com eles, já que, do que temos visto, eles não estranham a ninguém, mesmo a pessoas que se lhes aproximam, ainda que esfarrapadas. Mas, entendemos que já é tempo de pôr “travão” a este tipo de “incómodos” aos turistas, para que um dia isso não os afugente e depois ficarmos por cá a lamentar pela falta de clientes nos hotéis, restaurantes e locais de alojamento.

“Gosto muito de visitar a Ilha de Moçambique, principalmente neste tempo em que se aproximam as festas do Natal e do Fim de Ano. Mas, há vezes em que fico irritado com uma situação estranha que tem a ver com algumas pessoas que querem estar ao lado dos turistas estrangeiros pedindo apoio em alguma coisa, principalmente dinheiro”, observação de um turista.

Por outro lado, sabemos que negócio é negócio e o contexto financeiro actual está a fazer com que se torne mais oportuna à prática dessa actividade, devido à chegada massiva dos turistas à llha de Moçambique, mas não nos parece que esse facto deva levar a que se pratiquem preços exorbitantes nos bares, restaurantes e outros locais onde se confeccionam alimentos. Isso pode ser outro factor que possa afugentar os visitantes e assim comprometer-se a colecta de receitas no sector do turismo de que a ilha muito depende.

Por isso, voltamos a reiterar aqui que o papel interventivo dos residentes e, principalmente, dos operadores turísticos é tão imprescindível na correcção de situações anómalas que possam surgir e pôr em causa o desenvolvimento do turismo, pois, o tempo é outro. Com efeito, não basta pensar que a actividade turística seja boa, torna-se necessário para daí se tirar todos os benefícios, civismo e profissionalismo para o engrandecimento da zona onde se pratica essa actividade.

Contudo, desta vez ficamos satisfeitos por constarmos também que alguns operadores da Ilha de Moçambique têm estado a fazer entender a todos os turistas e outras pessoas que somos um país rico. Não tanto em dinheiro ou bens materiais, mas pela nossa história, experiência de vida sacrificada em tempo de crise e, sobretudo, na valorização do que é nosso. A necessidade de um melhor atendimento numa casa de pastos, hotel e restaurante é fundamental para um turismo eficaz.