Director: Júlio Manjate

De vez em quando: Ximatana! - Alfredo Macaringue

 

 

XIMATANA é uma mistela de bebida tradicional de baixíssima qualidade muito consumida por gente pobre do subúrbio. Gente que, não tendo dinheiro para comprar uma cerveja bem gelada, envereda por este recurso para matar o tempo e as mágoas. É uma via  encontrada para juntar as pessoas, e dessa forma, fazer amizades que nem sempre são duradoiras. Aliás, vezes sem conta, aqueles festivais são acompanhados de palavrões e manguitos, amenizados, mesmo assim, por canções que acabam sendo cantadas por todos, sem muita gritaria.

Maputo é fértil em focos de concentração desta índole, que já tomou o estatuto de ritual. Geralmente são as mesmas pessoas que vão para ali. Conhecem-se uns aos outros, pelos nomes. Mesmo assim, cada um demarca o seu território, fazendo valer o carácter, porque a força física é escassa, tomando em conta que a bebida já deu cabo de quase todos eles. Ninguém tem capacidade de esgrimir qualquer murro que seja.

Uma das características dos locais onde se bebe ximatana é o silêncio geral. Você pode passar perto e não dar conta de que ali está-se a beber. O segredo é que à medida que as doses vão aumentando no consumo, mais incapazes se tornam os actores, para articular palavras. Eles já chegam debilitados, com dificuldades para se locomover, tremendo de alto a baixo, e pensam que bebendo, podem-se reabilitar. Mas enganam-se. Quanto  mais bebem, mais frágeis ficam. Então chegam ao ponto de usar apenas os gestos para comunicar.

Fany Mpfumo também bebia nesses lugares, misturando-se com as pessoas que o idolatravam, e muitos deles eram aqueles bêbados inveterados. Aliás, grande parte dos soldados pertencentes a esses exércitos, já morreram, vítimas do álcool impiedoso, que se torna mais mortífero por cair em corpos mal alimentados. Mesmo assim, eles não recuam, morrem em combate. E os que fermentam esse veneno não querem saber, o que lhes importa é o dinheiro.

Se você por ventura passar por esses sítios ao final da tarde, vai reparar que muitos dos consumidores já estão em coma. A dona de casa tem que gritar para expulsá-los, porém nem sempre consegue. Alguns ficarão ali até a madrugada, e quando despertarem, vão pedir mais uma. Ninguém sabe aonde é que eles arranjam dinheiro, porque não trabalham. Olha-se para eles, e com muita pena vamos notar que são autênticos maltrapilhos. Não têm eira, nem beira.

Mas a  ximatana é um dos símbolos dos marongas. É a nossa tradição, porque eu também sou maronga, e orgulho-me por isso. E se já bebi essa “coisa” ou não, vamos deixar o debate para um fórum apropriado. Por enquanto, ficam estas palavras de dor profunda, em ver meus compatriotas caminhando para o precipício. Sem poderem fazer nada por eles próprios.

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