Director: Júlio Manjate

Dialogando: Urge ponderar a publicidade de bebidas alcoólicas (Mouzinho de Albuquerque)

 

EM Moçambique entrou em vigor o decreto que regula a produção, comercialização e consumo de bebidas alcoólicas. Entre outros aspectos, a legislação refere-se à proibição da venda e consumo de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos de idade, a pessoas com sinais de perturbação mental e de embriaguez, nas bombas de abastecimento de combustível e respectivas lojas de conveniência e nas imediações dos estabelecimentos de ensino.

Do que se tem conhecimento é que a aprovação da lei foi no intuito de reduzir o impacto social negativo do consumo do álcool, daí que, na altura, a medida tenha sido recebida com satisfação e muitos moçambicanos acreditassem que os adolescentes e jovens não iriam mais trocar o ensino pelos bares, barracas e outros locais de venda de bebidas alcoólicas.

Porém, depois da aprovação desse dispositivo legal, é indesmentível que prevalecem irregularidades no que ao cumprimento integral deste instrumento diz respeito, que, parecendo que não, compromete seriamente o desenvolvimento do país. É que, por exemplo, menores de 18 anos de idade continuam a consumir essas bebidas, por em parte as barracas continuarem a funcionar nas imediações das escolas onde eles frequentam.

Temos de estar preocupados ou olhar para o futuro, particularmente da nossa juventude que deve estar concentrada no desenvolvimento do nosso país, perante este mal. Há situações graves de violência nos lares e fora deles, em virtude do consumo excessivo do álcool.

E porque temos de olhar conscientes para o futuro do desenvolvimento do país, dizer que é com apreensão que vemos e ouvimos todos os dias, a intensificação da publicidade de bebidas alcoólicas não só nos órgãos de informação, sobretudo na televisão, como também nos muros de vedação ou doutro tipo espalhados por várias ruas e avenidas das cidades moçambicanas, que influenciam ou incentivam o consumo dessas bebidas. Esta situação faz transparecer que as fábricas de cervejas, que são bebidas mais publicitadas no país, ganharam espaço no mercado e ditam as regras de jogo. No caso da cidade de Nampula, temos ouvido mensagens publicitárias nas rádios da bebida seca “Enika”, de fabrico local e uma das mais consumidas na região, por conter um teor ou grau alcoólico alto, daí que é muito preferida também noutros pontos do país.

Se a nossa economia não caminhar bem, porque maior parte dos grupos empresariais, neste caso cervejeiros, está mais preocupada com os lucros e não com as consequências nefastasdo consumo excessivo do álcool na sociedade, fazendo a publicidade dos seus produtos sem observarem o rigor, nem tão pouco teremos perspectivas de um desenvolvimento que nos leve a termos um bem-estar social que desejamos.  

É verdade que com a actual crise económica e financeira, agravada com a falta de emprego que o país enfrenta, muitas famílias moçambicanas sobrevivem na base da venda de bebidas alcoólicas, notando-se, por isso, a proliferação de postos ou barracas de venda nas ruas das nossas vilas e cidades. Contudo,é preciso que se tenha consciência de que o consumo exagerado do álcool é também responsável pela desestruturação familiar, a violência interpessoal, a perda de alguns valores morais, o cometimento de crimes, a fraca produção e produtividade nas empresas, o aumento da sinistralidade rodoviária e o abuso de menores entre outros males no nosso país.

O que defendemos aqui é que haja rigor na publicitação das bebidas alcoólicas, para que os efeitos psicológicos provocados por ela não constituam apenas um convite para compra ou consumo, como também seja um mecanismo que faça entender as pessoas que o álcool é prejudicial à saúde, e a partir daí tenham opção pela moderação ou abstinência no seu consumo. Até porque não se pode descurar a responsabilidade de cada um na solução deste mal que como está dito tem provocado efeitos colaterais nefastos para as famílias, instituições e para toda a sociedade em geral. Olhamos com muita preocupação a publicitação das bebidas alcoólicas em vários meios, por isso acontecer numa altura em que aumenta o consumo abusivo de bebidas alcoólicas em festas, convívios juvenis, ruas, praias e outros locais.

Não é mentira que há pessoas no país que, sem ingerir álcool, não conseguem trabalhar. Até alguns alegam indisposição e falta de concentração quando não consomem bebida alcoólica. Assistem-se casos em que consumidores de bebidas alcoólicas exageram e comprometem a sua competência na instituição em que trabalham, principalmente na função pública. Por isso, achamos que se devia ponderar sobre a questão da publicidade de bebidas alcoólicas no país, se queremos que o alcoolismo não comprometa o desenvolvimento do país.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Bento Baloi

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Administrator: Cezerilo Matuce

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