Director: Lazaro Manhiça

RETALHOS E FARRAPOS: Lutando contra as folhas em branco -Hélio Nguane(Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

Vi as ruas inquietas, pensativas, fartas de tudo; observei os esgotos, vi os escombros desta cidade; o sol era incapaz de iluminar os cacos desta escuridão.

Entrei numa loja, percebi que os manequins têm mais alma; são insensíveis as pessoas, despreocupadas em mostrar uns milímetros de humanidade, presas à carne, reféns de um sistema de regras que congelam o seu lado emocional.

Olhei para a baixa da cidade: Só escombros; vi uma moça tatuada, semi-nua, maltratada pelo tempo; com fé que este é o seu tempo, abanando carnes que já foram apetecível noutro tempo; presa numa máquina do tempo, que não lhe deixa enxergar a distância que lhe separa do que um dia foi.

Parei, olhei para o sol, fiquei tonto, senti o meu estômago apertado, não sei se era fome; dei dois passos para trás, olhei para a mesma moça, a seguir o seu caminho; recuei no seu tempo: Vi uma criança com sonhos, a brincar neca, a cozer a boneca preta, linda como a menina que vê no espelho.

Continuei a marchar: senti os meus passos, os dedos húmidos nos sapatos; a unha que não cortei no final de semana por falta de tempo, o cabelo despenteado, as imperfeições dos meus dedos, as rugas que devia ter, as barbas que…

Perdi o foco, parei numa sombra, vesti a capa do empresário português que comandava; dava ordens ao preto-técnico que se negava carregar os azulejos e refilava, por que é  técnico e não carregador.

Vesti as veste de técnico e imaginei a força que tenho de gastar, as gotas de suor a transpirar, mas os pratos dos meus filhos: Carlos e João, deram motivação; segurei o emprego, peguei as caixas de azulejos e levei para o armazém.

Continuei a andar, fiquei de pé por 40 minutos no autocarro da Ponta, Salamanga e Fronteira; observei na janela deficiente, cadeirantes mostrando que são cadeirantes e precisam das moedas de pena porque são cadeirantes.

Fechei os olhos e vi-me em frente da minha redacção, a comprar crédito, a olhar a motivação e força de trabalho daquele homem com os membros atrofiados, que sua para ganhar os seus trocados.

Tirei os meus olhos dos vidros, olhei para o motorista a chamar por mais passageiros, para meter num espaço já preenchido, fiquei anojado com a ambição e preferi voltar a olhar para a rua, onde vi outro pedinte, a mostrar o seu joelho atrofiado, a exibir a sua fome, a sua desgraça para receber algumas notas de pena, para comprar algo para saciar as suas vontades. Odeei a encenação e rezei para que o carro avançasse.

Na ponte: olhei para os tetos da consciência da cidade de Maputo; a capital, o centro, onde todas as formigas procuram o grão; onde descentraliza-se o diabo, todos devem participar, porque a urna paga os coveiros que escolhemos.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

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