Director: Júlio Manjate

Sigarowane: E o capim cresce - Djenguenyenye Ndlovu

E o capim cresce. Cresce a cada dia desafiando muros que em muito os deixou para trás. Cresce ao nível de cobrir por completo tanques feitos de concreto não sabidos para que finalidade, podendo se especular que sejam para a produção de peixes. E sendo essa hipótese válida, a avaliar pela quantidade, pela capacidade de cada unidade, era proteína bastante para Macopene e outros lugares.

Não há indicadores de que tal possa vir a ocorrer, ou então outra função venham desempenhar, sendo um equívoco a ideia de que tenham sido construídos para a produção de peixe.

No convívio da ciência e da técnica, o capim cresce, abraça e beija, cresce e transforma em leito para prazeres sem compromisso, cresce e se torna habitat para outros seres, cresce fazendo salivar o caprino que por ali se passeie com os cercados altos a dizerem-nos fiquem por aí que isto é para o nosso gozo e nossa alegria.

Crescem os arbustos que se tornaram árvores e já na condição de fonte de energia a que os locais não podem aceder. Lá estão as cercas que proíbem a gente.

Desolados, os caprinos vão subindo pela estrada de alcatrão ladeada por construções precárias de um bairro inóspito. Sobem, a trote e por vezes não, em direcção ao Macopene de cimento, de construções sumptuosas, até alcançarem a rotunda que ainda lhes oferece algum pasto. Fazem por não se aproximar do espaço onde uma senhora de respeitável idade montou uma banca onde tem produtos diversos expostos. Acontece vender, mas também pode ficar o dia inteiro sem que consiga um metical que seja.

Há também aqueles que compram por compaixão para que a senhora cedo se desfaça da mercadoria, só que ela sai em busca da outra e de novo se instala no seu banquinho. E os cabritos pastam e depois, como ela, recolhem sem que precisem de alguém que os oriente.

Descem pelo alcatrão para amanhã seguirem a mesma rota, a mesma cobiça do capim que cresce, do capim que é seu alimento, mas que lhes é negado pelas cercas altas feitas de cimento e ferro.

Os dois lados de alcatrão têm valas que deviam conduzir as águas das chuvas para o rio Matola. E conduzem, mas de tanto cheias de garrafas e latas e outros lixos, a água transborda e penetra as pobres residências daqueles descriminados pela natureza. Já naquela parte do rio, daquilo que já foi um ponto de acesso ao mesmo ficou apenas a estruturas enferrujada, as partes que o sal, que é pouco, não conseguiu lamber. Um monte de garrafas (umas partidas) e latas deixadas pelos que podem e que se abastecem da barraca ali construída faz tempo. Ou de colemanes em viaturas que alí estacionam aos finais de semana para convívio, para o bate papo, como sói dizer-se. E nas suas costas, o capim que cresce já ultrapassou a cerca. Algumas árvores que qualquer dia, posta a mão na consciência, será necessária a capacidade de uma retroescavadora. Será necessária a capacidade de dois Bramas por dois dias, pelo menos.

É muito o capim que cresce em área nada pequena, com muito espaço ocioso que outros dariam melhor destino. Que não fosse o cultivo de capim a que não se conhece utilidade.

Há nalgumas partes frontais das casas pés de milho que darão algumas maçarocas para enganar o estômago de uns tantos membros dessas numerosas famílias. É só desanexar algumas áreas para essas famílias antes que uma serpente seja encontrada na carteira do aluno, na cadeira do professor, na secretária do director.

E o capim cresce podendo atingir a altura dos edifícios, ou ficando-os pela metade, considerando que alguns são de dois andares. Santa Engrácia.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

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