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Director: Lazaro Manhiça

De vez em quando: Nem Samora imaginava isso! (Alfredo Macaringue)

 

DESDE que Samora Machel irrompeu pelo portão olímpico do Estádio da Machava, em 1975, nunca tinha visto uma celebração tão morna, quase fria, como esta, para recordar o grande dia de Moçambique. O próprio Presidente Samora nunca imaginou isso! Até a data da sua partida definitiva, as comemorações da nossa independência foram sempre feitas com pompa. Havia euforia. Os festejos partiam dos programas oficiais e desciam em cascata até ao mais pobre, passando pelas famílias abastadas que comiam e bebiam até dizer basta. As cidades engalanavam-se e todos nós repetíamos os discursos do Presidente.

Ontem, eu não senti esse calor e penso que todos os moçambicanos também acharam a falta de um momento que nos aproximava. Não houve aquele corre-corre intenso nos mercados no dia anterior. Ontem era o silêncio que reinava nas famílias, que se juntavam em pequenos grupos, mais para queimar tempo do que propriamente para assinalar o 25 de Junho. As saídas habituais para o campo praticamente não existiram. Se houve, então foi a meio gás, fazendo jus ao momento menos bom que estamos a passar. Aliás, parece haver cada vez mais consciência de que já não temos como voltar atrás. O rastilho pode estar aceso.

Ontem, Maputo era sombra de si mesma. Sem chama. Até a rua que vai dar à Praça dos Heróis esteve bloqueada. O povo não foi porque não tinha como ir. Mesmo o Presidente, foi porque era uma obrigatoriedade de Estado, mas ele sentiu que faltava sal em tudo aquilo. Nas casas, a cerveja que se bebeu parecia ter um sabor diferente ou os nossos paladares é que alteraram devido ao isolamento. Tudo gelado como se estivéssemos na Rússia. E o pior é que ninguém sabe o que vai acontecer no próximo momento.

Em outros “vinte e cinco de Junho” nunca dormimos. Era música em todo o lado, com comida e bebida à fartura, apesar de se saber que amanhã as crianças podem precisar de pão e o dinheiro do pão foi todo gasto num “bem bom” que afinal era falso. Mas festejávamos, e isso é que contava.

Ontem ninguém festejou. As famílias juntaram-se quase às escondidas. Beberam como sempre beberam, mas faltou a chama. A liberdade de tocar música e dançar em agradecimento aos heróis que libertaram a nossa Pátria. Mas fazer o quê! A vida é assim mesmo, por vezes sobe, outras vezes desce, e desta vez ela desceu. Então temos que viver de acordo com as circunstâncias, sem discurar que amanhã tudo isto vai passar e voltaremos a nossa vida normal.

A luta continua!

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

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