Director: Lázaro Manhiça

Histórias e Reflexões: Moçambique ou Mozambique? - Eliseu Bento

NA ressaca do dia da independência nacional, que tal voltar a trazer à reflexão a questão do nosso nome? Moçambique ou Mozambique?

Corria o ano de 2000 quanto tive o privilégio de ser enviado por este jornal à cobertura do Fórum Económico Mundial em Durban, na África do Sul, enquadrado na comitiva do então Presidente da República Joaquim Chissano.

Regressado deste evento, entre os vários artigos que produzi, constava um com o título em epigrafe: Moçambique ou Mozambique?, inspirado numa constatação minha no terreno.

Sucedeu, tão somente, que,como estava programado, Chissano fez parte de vários painéis nos quais dissertou sobre os mais diferentes pontos em debate e, em todos eles, notei com agrado que fazia questão de deixar claro que o seu/nosso país era Moçambique, não Mozambique, como a grafia e a dicção em inglês impõem.

Enquanto isso, e no reverso da moeda, fui notando, já com algum desagrado, que os outros acompanhantes do presidente, leia-se os seus ministros e empresários, corriam precisamente do outro lado da barricada.

Ou seja, nenhum deles parecia perceber o diapasão pelo qual o presidente tentava afinar e lá iam dizendo e repetindo Mozambique, tal qual não soubessem de lado algum que o seu país se chama, efectivamente, Moçambique, nunca Mozambique.

E foi assim até deixarmos Durban de regresso a Moçambique, para infelicidade do espírito da presente prosa.

Todavia, e bem vistas as coisas, cabe aqui deixar dito que esse continua a não ser um equívoco, se assim se puder considerar, apenas desses ilustres.

De facto, muitos mais compatriotas, nos mais variados contextos, insistem no Mozambique,distorcendo, entendo, um pouco da identidade do seu próprio país.

Trago este assunto de volta porque, na esteira do centenário dos 100 anos de Eduardo Mondlane, algumas das nossas televisões tornaram público (já circulava, aliás, nas redes sociais) um vídeo em que o arquitecto da unidade nacional fala e, a páginas tantas, menciona o seu país, sem quaisquer hesitações, como Moçambique.

Ouve-se, claramente, no vídeo, a intenção de Mondlane de sublinhar que se trata de Moçambique, nunca Mozambique, mesmo vivendo ele, na altura, num meio anglófono onde facilmente se podia deixar corromper neste sentido.

Cabe, pois, no meu modesto entender, aos próprios moçambicanos, aos nossos diplomatas, aos jornalistas e a outros cujas funções impliquem interacção com o mundo, clarificar este aparente equívoco.

Voltando então à vaca fria:

- Moçambique ou Mozambique?

Mondlane e Chissano, cada um a seu tempo, já deram o mote:

- Moçambique!

PS - Enquanto finalizava este artigo, eis que, igualmente na senda dos 45 anos da independência nacional, uma televisão passa o vídeo da falecida cantora sul-africana Miriam Makeba interpretando o seu muito divulgado tema “A Luta Continua”, dedicado a Samora Machel e ao nosso país. Nem mais! Apesar de cantado em língua inglesa, o estribilho lá está: Moçambique, a luta continua! 

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