Director: Lázaro Manhiça

LIMPOPO: As tigelas da Lusoplásticos (conclusão)  (César Langa-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

ATÉpor volta das 13.00 horas, o quintal da casa do director distrital estava lotado de amigos e familiares, bem como da criançada que fazia companhia ao pequeno aniversariante. De facto, o dia era ímpar, naquela casa, que marcaria a inauguração das tigelas da Lusoplásticos.

Na cozinha, as senhoras, entre amigas e colegas da dona de casa haviam caprichado na ementa e no tempero, para que nenhum convidado se desiludisse. É claro que, comparado com os dias que correm, há uma grande diferença. As comidas não foram postas na mesa, para o habitual “sirva-se a si próprio”. Um monte de pratos estava numa mesaperto da cozinha, onde três senhoras, cada uma com a sua panela, serviam as iguarias e as entregavam para um grupo de jovens que as distribuíam pelos convivas.

O menu era à maneira e nos pratos servia-se arroz refogado, salada de alface, batata frita, três nacos de carne de vaca, um pedaço de frango assado, um pedacinho de bolo e alguns biscoitinhos fritos. Admira-me a capacidade de gestão das senhoras que serviam as comidas nos pratos dos convidados. As quantidades estavam todas equilibradas para que não houvesse uma reclamação silenciosa de quem quer que fosse, naqueles dias de falta de quase tudo.

Os utensílios usados não eram semelhantes. Estavam lá pratos de vidro, pratos plásticos e... “tigelas”! Aqui coloco aspas, porque, de facto, não eram tigelas, algo que espantou os convidados, menos os donos da casa que eram, igualmente, os organizadores do evento, que se mostravam orgulhosos por receberem os convidados e os tratá-los “muito bem”, à altura do nível social dos anfitriões, que era um casal formado por senhor director distrital e senhora professora de Biologia na Escola Secundária do Chibuto. Eram figuras respeitadas na vila, que nunca abririam a mão para os seus créditos e reputação.

Mas o facto é que os recipientes que os donos da casa haviam comprado semanas antes, numa das lojas do Chibuto, eram penicos! Sim... Penicos de bebés que, por sua inocência, nem se tinham lembrado de destacar um para o uso do pequeno aniversariante. O casal director e professora estava totalmente convencido de que aqueles objecto eram de uso comum como servir comida e colocar na mesa.

De imediato, ninguém censurou o casal. E ninguém dispensou a comida servida nos penicos, porque, pelo aspecto, dava para perceber que se tratava de recipientes novos. Por isso, durante a refeição, cada um foi falando para os seus botões. Mas o ético só prevaleceu enquanto o etílico não produzia efeito. Horas depois o senhor director e a senhora professora ficavam a saber da tamanha imprudência que haviam cometido. O pior para o casal foi não ter aparecido uma pessoa sequer, entre o “staff” da cozinha, para alertar sobre a vergonha de levar aqueles objectos com comidas para as mesas.

Não acredito que o silêncio tenha sido algum exercício de má-fé. O que, para mim, ficou claro, é que se tratou de uma inocência colectiva. E o casal perdeu a singular oportunidade, por ocasião do primeiro aniversário do seu primogénito, para jogar limpo(po).

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