Director: Lázaro Manhiça

DE VEZ EM QUANDO: Isidro Pascoal (Alfredo Macaringue)

 

SE o tempo voltasse para trás, era capaz de inventar uma saída para um local remoto, onde não há nada, e o repórter-fotográfico que havia de escolher para ir com ele, seria Isidro Pascoal:  um profissional de mão cheia que pode ter passado sem ter sido visualizado pelos holofotes do estrelato. Ele é uma pessoa que eventualmente encontrou a morte antes de chegar ao destino. Uma espécie de mafa ndleleni, termo changana que se refere a alguém que morre durante a caminhada. Em constantes viagens, ou simplesmente errando.

Iria com ele ao deserto e não tenho dúvida que Isidro havia de fotografar as poeiras todas que fossem nos envolver. Também era capaz de fazer as imagens do infinito, porque o deserto parece um mar que não tem fim. Faríamos uma belíssima descrição, onde as imagens falariam mais do que as palavras, na mira do Isidro Pascoal que entrava em transe durante o trabalho, destacando-se como um dos melhores foto-jornalistas que passaram pelo “Notícias” nos últimos 40 anos.

Um dos motivos que me moveu hoje a falar dele é que ainda ontem passei pela rua em que viveu, no Bairro do Aeroporto, vulgo Tlhavana, meu bairro também, e cruzei-me com pessoas que puxaram uma conversa que desaguou em Isidro Pascoal. Acabamos falando do estilo de  vida de uma pessoa que tinha defeitos como toda a gente, mas que tinha uma coisa de poucos: a sua apurada técnica fotográfica e o seu grande sentido de oportunidade. Um profissional completo. Ele tinha um faro bastante apurado que lhe permitia pressentir que agora vai acontecer algo digno de registo e posicionava-se no devido lugar. E o resultado era de topo.

As fotografias do Isidro Pascoal eram indiscutíveis. Ninguém as rejeitava, nem o Chefe de Redacção mais exigente no rigor. O homem podia chegar atrasado, mas já no terreno era um mestre, e não havia dúvida de que o trabalho seria perfeito. Porém, como a vida não depende das nossas vontades, o dia chegou e arrancou-nos uma pessoa culta. Alegre quando tivesse uma pinga. Alegre ao ponto de aumentar mais uma velocidade no seu motor e acabava derrapando.

Passam agora sete anos após a morte do Isidro Pascoal, um companheiro de muitos combates, uns vencidos e outros perdidos. E como a um profissional deste quilate não se deita fora, ficam as memórias profundas de imagens com enquadramento, com luz adequada, sobretudo imagens que falam sem legenda. E eu não tenho dúvida, aqueles que o conheceram e acompanharam o trabalho por ele desenvolvido, sabem que estou a falar a verdade. E o que me resta, passados estes anos, é prestar uma vénia ao meu colega de muita adrenalina.

A luta continua !

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