Director: Lázaro Manhiça

De vez em quando: Independência ou morte! - Alfredo Macaringue

 

NÃO tenho como fugir dele. No fundo nunca me incomodou, apesar de eu perceber que está sempre à míngua. Gosto dele porque não busca coisas negativas do passado, ele prefere lembrar o que lhe dá alegria. Quando olho para este meu amigo percebo que já não sonha. O que ele quer é uma bebida, mais nada. O resto não lhe interessa. Não trabalha, mas quer beber. É por isso que está permanentemente a caçar os “bradas” para lhe pagarem uma. E um desses “bradas” sou eu. E eu nem devia lhe pagar nada porque estou a contribuir para a sua degradação progressiva, mas mete pena quando não está “tocado”. E em contrapartida torna-se uma pessoa muito interessante depois de “dois copos”.

Anda por aqui, no meu bairro, aliás ele nasceu neste lugar de choupos, árvores que deram o nome ao Choupal. Foi ele, aliás, numa das sessões efervescentes em que estava uma malta ávida em ouvi-lo, que nos disse a todos que Choupal vem de choupos. Eu nem sabia. Só dizia Choupal sem saber o significado disso.

Então este é um amigo do qual não se pode fugir. Tem memórias extraordinárias, mas o que ele repete sempre sem se cansar, são as palavras de ordem do Presidente Samora Machel. De tempos a tempos, no meio dos “copos”, grita a plenos pulmões: Independência ou morte! E nós outros, em coro, respondemos: Venceremos!

Dentro deste homem há muita cultura geral. Há conhecimento relevante. Mas tudo isso perde-se a favor das bebedeiras, acompanhadas de frustração. Ele já atingiu a fase de negligenciar a higiene e quando é assim não se pode esperar grande coisa de um indivíduo que está sempre a recorrer aos gritos de Samora: Independência ou morte!

Chego a pensar que o meu amigo usa estas palavras para revelar um sentimento profundo que lhe persegue, e que ele acredita cegamente que vai superar esta fase. É isso que sinto quando estou com ele de perto. É uma pessoa que, apesar dessas fraquezas todas, nunca deixou de ser civilizada. Fala educadamente, respeita as pessoas. A única coisa porém que eu noto nele, é que não liga muito ao que ouve nos convívios. Ele tem as suas convicções e é isso que lhe orienta.

Quando saio de casa para dar uma volta no meu bairro, há sempre algo que diz que vou-me encontrar com ele, e poucas vezes isso falha. Se não me encontro com ele, alguém vai me dizer que o Bin-Bin está no lugar “X” e perguntou por mim. Eu sou uma espécie de almofada para o Bin-Bin. Quando ele está comigo sente-se bem porque, segundo ele próprio diz, sou o único que lhe entende.

Mas mete pena, o Bin-Bin, porque com este andar, só pode estar a caminhar para o precipício, e será muita pena que tanto conhecimento, tanta cultura, tanta afabilidade, estejam a ser investidos nas bebedeiras.

A luta continua!

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