Director: Lázaro Manhiça

LIMPOPO: O drama de Paquitequete - César Langa(Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

DA província de Cabo Delgado, a cada dia que passa, chegam notícias dando conta de vários acontecimentos relacionados com os ataques protagonizados por insurgentes, que semeiam luto e dor nas populações, por razões até aqui não esclarecidas.

Trata-se de um dilema que dura desde 2017, afectando alguns pontos desta província nortenha de Moçambique, mas que, nos dias que correm, os efeitos destes ataques fazem-sesentir em mais distritos, incluindo a cidade de Pemba, com a chegada, nas últimas semanas, de milhares de pessoas de todas as idades à capital provincial, entrando pela praia do populoso bairro de Paquitequete, desembarcando de embarcações, algumas delas artesanais e, por isso, expostas a todos os riscos.

Sem onde se abrigar, nem o que comer, para não falar de ausência de condições básicas de saneamento, a fuga da morte violenta destas pessoas que saem das zonas de actuação dos insurgentes, coloca-as na iminência de outra morte, desta feita lenta, em razão do ambiente impróprio para a vida humana em que se encontram.

Estamos em período de estado de calamidade, decretado como medida de prevenção da propagação do novo coronavírus, mas em Paquitequete não estão criadas as condições para o distanciamento físico, situação que se arrasta a partir das embarcações em que os nossos irmãos se fizeram transportar até a esta zona, tida como relativamente segura. Para além de aglomerados forçados, muitos dos deslocados não usam máscaras, por razões que se misturam entre a ignorância e a falta de poder de aquisição. E não nos esqueçamos dos relatos que nos chegavam de Cabo Delgado, relacionados com casos da Covid-19, a partir do acampamento de Afungi.

O período de chuvas está prestes a começar. O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades já está em processo de accionar os comités locais, para a mitigação dos desastres naturais, resultantes deste fenómeno e com ele relacionados, mas nos cálculos iniciais do INGC, acredito que não se contava com o êxodo forçado para a cidade de Pemba, num ambiente que propicia a prática do fecalismo a céu aberto, base sem concorrência para a eclosão dacólera e outras doenças hídricas.

Mas também há problemas administrativos. Grande parte dos deslocados não têm documentos de identificação pessoal, criando um grande transtorno para o seu registo e posterior assistência. Nem mesmo o cartão de eleitor conseguem exibir, sendo, na sua maioria, mulheres nesta situação.

Aliás, já se diz que as mulheres é que constituem um grande perigo nestes ataques protagonizados por insurgentes, até aqui, sem rosto. Sim, as mulheres são usadas para acções de espionagem e com este problema de ausência de documentos de identificação, nunca se sabe, ao certo, com quem se estáa lidar.

Aventa-se que grande parte de pessoas agora na pele de deslocadas tenham fortes ligações com os insurgentes, dando-lhes todas as informações que eles precisam, para levarem a cabo as suas acções criminosas. E são estas mesmas pessoas que beneficiam de assistência humanitária disponibilizada por outras que depois viram suas vítimas, sem dó nem piedade.

Só nos resta, diariamente, pedir a Deus para que lhes chame à razão, porque com o drama de Paquitequete é quase impossível jogar-se limpo(po).

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

Administrator: Rogério Sitoe

Administrator: Cezerilo Matuce

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