Director: Lázaro Manhiça

DE VEZ EM QUANDO: Àespera da chuva! (Alfredo Macaringue)

 

ALEXANDRE Langa dizia assim: “se chovesse, iria logo semear porque já cultivei a terra”. Há uma enorme expectativa nas pessoas (camponeses e urbanos), em relação àchuva anunciada pelos serviços meteorológicos. Há muitas incertezas porque o mundo está em constante mudança. Também o medo vai atormentando os pensamentos. Sobretudo daqueles que vivem em zonas vulneráveis. Onde as suas casas podem ser levadas. E as suas machambas arrasadas. Deitando assim por terra, todo o trabalho feito. Todo o sacrifício.

Ontem o céu andou nublado. Aliás, na noite de quarta-feira trovejou e há pessoas que não dormiram, certamente, por temerem que os seus tectos, precários, permitissem a infiltração da chuva. Nunca se pode dormir tranquilamente quando a situação está assim. Ninguém sossega perante uma ameaça que ainda,por cima, não conhece a sua dimensão. E ninguém sabe, apesar da informação de que teremos chuva abundante, o que é que exactamente vai acontecer.

Os camponeses tremem. Eles vão repetindo a música de Alexandre Langa, só para manter o coração a bater. Porque de resto há muitas incertezas. Não é como antigamente em que as épocas eram rigorosas. As sementeiras aconteciam no seu devido tempo e não falhavam. As colheitas eram seguras. E os celeiros andavam sempre abastecidos e, consequentemente, lá em casa havia sempre alegria.

Hoje a mensagem de Alexandre Langa parece estar em desuso. Talvez, por isso que na Rádio Moçambique não tenho ouvido essa música que animava os nossos braços para o amanho da terra. Hoje a chuva vem para estragar. Vem destruir os nossos sonhos já desfeitos. Quando ela (a chuva) entende, não cai para molhar a terra, deixa que ainda assim a seca tome conta dos nossos destinos. Dizem que tudo isto é por causa das mudanças climáticas, provocadas pelo Homem. Homem esse que hoje se queixa de não chover. Ou de chover demais.

Mas eu escrevo este texto com esperança. E preciso de ter esperança, embora tenha consciência de que o nosso futuro parece amarrado por um fio. Aliás, hoje mesmo, quando vinha ao serviço, alguém perguntava no autocarro que nos levava: ”esta chuva vai cair ou não vai cair”? Claro que ninguém lhe respondeu, porque ninguém tem certeza de nada. Então, cá dentro de mim cantava a música de Alexandre Langa: “se chovesse iria logo semear porque já cultivei a terra”!

A luta continua!

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