Director: Lázaro Manhiça

Dialogando: O horrível 2020! (Mouzinho de Albuquerque)

 

O que se pode dizer logo à partida, em relação ao ano 2020, que se despe de nós amanhã, é que ele foi sem margem de dúvidas ou absolutamente horrível, em que a humanidade acreditou em sonhos que nunca se tornaram realidade. Em que ela (humanidade), viveu rodeada de expectativas, muitas delas irrealistas, devido ao surgimento de um inimigo invisível e letal chamado Covid-19, que, na realidade, teima em deixar o ser humano sem futuro previsível.

O ano anormal terminou deixando-nos com a convicção profunda de que sempre contaremos o que nos passou, com esta inesperada e mortífera doença, não só para que o que tentamos fizer, como o uso de máscaras, lavagens constantes das mãos, distanciamento físico incluindo investigação e produção de vacinas, para fugi-la seja protagonista da experiência amarga que vivemos, como as várias lições que nos deu sobre as nossas grandes fragilidades como humanos e mortais, quando somos assolados por uma calamidade, neste caso sanitária, como esta da Covid-19.

O inimigo incomum e impiedoso que nos dizima e continua a demonstrar “complexo” de superioridade, provou que, afinal, todo o mundo não estava preparado para enfrentá-lo de forma eficaz e eficiente num curto espaço de tempo. Por isso, ainda continuaremos a viver com os desvarios da angústia e incertezas sobre quando o derrotaremos definitivamente, para que a espécie humana não desapareça do planeta terra.

Se de facto, nem a gravidade percebida de um grande mal, como este que todo o mundo está a passar, faz cair por si só, o que a fé recomenda, então temos um pouco de fé em que as coisas possam vir a melhorar no combate à carnificina que está a ser cometida pela pandemia da Covi-19, em prol da salvação do ser humano.

Entretanto, se bem que a Covid-19 é que fez com que o 2020 fosse horroroso, a ponto de nos lembramos pela negativa dele, há outras coisas preocupantes que também merecem um reparo, afinal de contas estamos alinhados no diapasão da necessidade na tomada de medidas de prevenção e resolução não só desta pandemia, como doutros problemas que afectam a humanidade. Isso para dizer que infelizmente o 2020 foi um ano em que os legados históricos e institucionais da mãe África continuaram a não serem propícios à democracia, neste caso multipartidária, havendo alguns dirigentes do continente que fizessem alterações constitucionais para reforçarem os seus poderes, isto é, fazendo tudo para não permitir o avanço dessa democracia, e consequentemente atraso no desenvolvimento do nosso continente.

O 2020 permitiu que os insurgentes que atacam algumas zonas da província de Cabo Delgado, intensificassem as suas acções, deixando milhares de mortos e deslocados, alguns dos quais encontram-se acolhidos sobretudo nas províncias de Nampula e Niassa. Em 2020 continuamos a brincar com o desporto, tomando decisões infantis.

Detestamos porque foi um ano em que alguns cidadãos deste país, tentaram cimentar o sentimento de desconfiança entre moçambicanos, em defesa dos seus interesses obscuros, promovendo guerras ou ataques armados, que já causaram mortes de inocentes e destruição de infra-estruturas e bens. Um exemplo desses cidadãos é Mariano Nhongo. Um ano desagradável que não contribuiu para que em algum momento não tivéssemos agentes da polícia da República de Moçambique “divorciados” da sua verdadeira função, protagonizando actos criminais, manchando a imagem da corporação. É triste que o 2020 “morra” sem que tenha acabado as extorsões nas estradas protagonizadas pelos agentes da polícia de trânsito.   

Também é claro que o ano repugnante deixou que o risco de pobreza absoluta aumentasse no país e as dívidas ocultas e a corrupção generalizadas nas instituições, continuassem a fazer com que Moçambique fosse olhado como não constituindo um exemplo, em termos de combate cerrado e sem contemplações contra práticas corruptivas protagonizadas pelos servidores públicos do topo à base.

Contudo, esperamos que o 2021 nos transmita aquela sensação que anuncia que algo bem pode estar a vir, e nos desperta o desejo de ir adiante, e permita que estejamos melhores que o horripilante ano que termina, que dificilmente conseguiremos apagá-lo da nossa memória colectiva.

Só assim é que o novo ano terá, quando terminar, uma felicitação verdadeiramente merecida, por nos ter deixado providos de conforto, claro para os que escaparem do horror provocado pelo vírus da Covid-19. Adeus o horrível ano de 2020!

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

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Administrator: Cezerilo Matuce

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