HÁ maior consciência social sobre os efeitos negativos das uniões prematuras, mercê das várias intervenções realizadas com a aprovação e implementação da Estratégia Nacional de Prevenção e Combate a este fenómeno, que afecta 48 por cento das meninas moçambicanas. Leia mais

Comments

Aos trinta e poucos anos, eu e o meu parceiro decidimos tornar-nos pais. Até parece estranho escrever esta frase, como se pelo facto de nós “decidirmos” fosse apenas mais um produto que a nossa geração mimada escolheu consumir naquele momento.

Eu sempre pensei que engravidar não seria problema, depois de todas as histórias que ouvi de amigos, que foram sempre bem-sucedidos nesse aspecto. Eu mal parei de tomar a pílula e no mês seguinte já esperava estar a engravidar.

“Você é super-saudável, desportista e jovem. Você vai ficar grávida num ‘piscar de olhos’”, pensava eu…

Parei a pílula e no mês seguinte não estava grávida. Nem no mês seguinte. Nem no outro mês! Volvidos seis meses, e depois de ter ouvido tanto que seria fácil, comecei a ficar paranóica, pensando que tinha algum tipo de problema, apesar de ser “saudável, desportista e jovem”.

Fui ao médico com o meu companheiro e ambos fizemos um “check-up” para ver se estava tudo bem. Não havia problema. O meu médico disse-me para relaxar, pois o tempo médio para engravidar na minha idade era de um ano. Um ano?! O quê? Ninguém nunca me disse que o tempo normal era de um ano! E como você pode relaxar se depois que você finalmente decidiu que quer tornar-se mãe tudo o que você pode pensar é em engravidar?!

“Não penses nisso. Tenta esquecer que de repente vai acontecer…”, aconselharam-me muitos.

E eu acredito mesmo neste conselho, mas é quase impossível segui-lo. Você tentar limpar a tua mente mas, no fundo, o desejo de te tornares mãe continua. E, claro, há um relógio biológico fazendo "tic-tac" dentro de ti que não te ajuda a “relaxar” e “esquecer”.

Todos os meses, perto do meu período menstrual, começava a ficar ansiosa.

“Será desta vez?”. Eu imaginava-me grávida, do jeito que eu ia dar a notícia à minha família, nome do bebé, e toda a vez que minha menstruação começava meu coração se sentia pesado e a tristeza me tomava por alguns dias.

Depois de pouco mais de um ano de tentativas, meu parceiro pediu-me em casamento. E esse foi, genuinamente, o primeiro momento em que comecei a concentrar-me em outra coisa que não a gravidez. Ao invés de pensar na minha barriga, comecei a pensar na organização da festa, na lista de convidados, etc. Depois de dois meses, eu estava grávida e tive de repensar meu vestido de noiva para acomodar uma barriga de seis meses.

Poderia ter sido uma coincidência engravidar, depois de ter sido pedida em casamento, mas a questão principal aqui é que não aconteceu por magia, como as pessoas diziam.

Mas eu sei que para algumas mulheres é realmente fácil. Eu tenho uma amiga que só de olhar para a roupa interior do marido ela engravida, impressionante! Mas também tenho amigas (muitas, para ser honesta) que tiveram de passar por tratamentos para realizar o sonho de serem mães. Mas falar sobre isso é tabu, um assunto muito delicado.

E acho que é sobre quebrar o tabu que nós mulheres (e homens também) precisamos de começar a abordar mais naturalmente, sem que o facto de demorar tempo ou mesmo ter dificuldade em engravidar seja algo de que nos possamos envergonhar.

Como mencionei uma vez, num texto em que abordo a competição secreta entre as mulheres, aqui também há uma cobrança invisível para se ser “mais mulher”, para se ser capaz de engravidar, facilmente ou naturalmente. 

Faço questão de dizer a quem quer que seja, sem constrangimento, sobre a minha viagem para engravidar. Com as minhas duas filhas não foi assim tão simples! (lembro que ter a segunda não foi fácil só porque já tinha tido uma criança, tal como muita gente insistia em me tentar convencer!)

E acredito que a partir do momento em que começarmos a contar as nossas histórias de dificuldades, ansiedade, tratamentos, da mesma forma que são contadas as histórias de sucesso e facilidade de engravidar, vai deixar de ser tabu e vamos enfrentar menos pressão para sermos mães, seja como for.

CAROLINE D’ESSEN - https://www.facebook.com/maternidadedesmistificada/posts

Comments

Meninas participantes da 5ª Conferência Nacional da Rapariga comprometem-se em divulgar as boas práticas e continuar a realizar acções positivas na família, na escola e na comunidade, assim como a não abandonar os estudos. Leia mais

Comments

Celebrou-se esta segunda-feira, 15 de Outubro, o Dia Internacional da Mulher Rural, pelo reconhecimento que se tem da importância que ela desempenha na produção de alimentos para a família e para o mercado, contribuindo assim para a economia do país. Leia mais

Comments

O GOVERNO aprovou esta semana um instrumento que se espera venha reforçar o quadro de promoção da igualdade de género e empoderamento da mulher nos domínios político, social, cultural e económico do país.

Trata-se do IV Plano Nacional para o Avanço da Mulher, a ser implementado durante sete anos (2018-2024), com um custo avaliado em 20.485.923 meticais.

Falando na ocasião, a porta-voz da 30.ª sessão do Conselho de Ministros, Ana Comoana, fez saber que o documento vai ainda reforçar as medidas de coordenação intersectorial que assegurem uma abordagem transversal orientada para a emancipação da mulher e seu empoderamento.

“Espera-se que este plano venha contribuir para a redução da taxa de mortalidade materno-infantil; para maior acesso e retenção da rapariga na escola; para maior acesso das mulheres ao mercado de emprego, bem como aos recursos produtivos e financeiros”, referiu Comoana.

Para isso, o instrumento contempla várias áreas de intervenção, entre as quais o envolvimento da mulher nas questões de paz e segurança; saúde, água e saneamento; educação e formação profissional. Aponta ainda o empoderamento económico da mulher e sua intervenção nas áreas de energia, tecnologias de comunicação e informação, assim como comunicação social, ambiente e mudanças climáticas. Haverá ainda intervenções nos mecanismos institucionais de género.

Sansão Buque, director nacional do Género, fez saber que, na verdade, quase todas estas acções estão já a ser realizadas através de vários projectos.

Falou, por exemplo, do Plano Nacional sobre Mulher, Paz e Segurança lançado este ano pelo Governo, que visa à recuperação económica de mulheres que vivem nas zonas mais afectadas pelos conflitos armados, assim como o seu incentivo para participar mais activamente em questões de busca e consolidação de paz e segurança no país.

Concretamente, esta iniciativa será implementada nas províncias de Cabo Delgado (distritos de Mocímboa da Praia e Montepuez), Zambézia (Morrumbala), Tete (Moatize), Sofala, Manica (Vandúzi), Gaza (Xigudo e Chibuto) e Inhambane (Funhalouro e Mabote).

“Trabalhamos com a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), que está a fazer um estudo de base para a implementação do plano sobre paz e segurança.”

ADD

Género no plano e orçamento

O IV Plano Nacional para o Avanço da Mulher é aprovado numa altura em que se registam avanços considerados significativos no tocante à promoção da igualdade de género nos diversos sectores do país, segundo entende Sansão Buque.

Fez perceber que tal se reflecte na medida em que quase todas as instituições do Estado, sector privado, assim como as organizações da sociedade civil incluem as questões de género nas suas agendas e acções.

Referiu-se, igualmente, aos resultados alcançados na saúde, educação, mesmo no ensino superior, sobretudo quando se olha para os cursos que, tradicionalmente, eram mais frequentados por homens, mas que, na actualidade, já há mulheres a fazer. 

“O balanço que faço dos anteriores planos é muito positivo. Há mudança de mentalidade em relação à promoção da igualdade de género. Nas nossas instituições públicas, sociedade civil e sector privado, a componente de género já está contemplada. Já não é tabu fazer-se a desagregação de dados por sexo. Está a promover-se a cultura de planificação e orçamentação na óptica de género”, reforçou Buque.

Para a fonte, estes ganhos são resultado do trabalho que está sendo feito por todos os actores-chave, entres os quais o Governo, sociedade civil, sector privado e parceiros de cooperação, que trabalham juntos na sensibilização das comunidades para que homens e mulheres tenham iguais oportunidades de acesso à educação, trabalho, saúde e segurança.

Todavia, Sansão Buque reconheceu que ainda há muitos desafios a superar para que homens e mulheres gozem na plenitude dos seus direitos fundamentais. Destacou, por exemplo, a necessidade de se incentivar mais ainda a mulher, sobretudo, a rapariga, a apostar também na formação técnico-profissional.

ADD

Domínio de todos

EM relação ao IV Plano Nacional para o Avanço da Mulher, Alice Banze, directora executiva da Gender Links, entende que este deve ser massivamente divulgado para que as pessoas que trabalharão com o documento percebam as suas principais orientações.

Para ela, este instrumento tem a sua relevância para o quadro legal do país e não deve ser visto como mais um documento, mas sim como algo que vai trazer uma mais-valia na promoção da igualdade de género e empoderamento da mulher. 

“É importante que as pessoas saibam o que diz este plano e que mudanças vai trazer em suas vidas para que tenha o impacto desejado. Por isso, acho que se deve trabalhar mais na divulgação do instrumento na base”, aconselhou.

Entende que se deve fazer a avaliação dos resultados dos anteriores planos, documentar as lições e experiências positivas, para que sirvam de base para a continuidade dos projectos e criação de outros.

Comments
Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction