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Categoria: Política
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O processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) dos militares da Renamo iniciou formalmente ontem no distrito da Gorongosa, em Sofala, com o registo dos primeiros 50 ex-guerrilheiros, de um universo de 5.221 efectivos a serem cobertos pelo processo.

O acto foi testemunhado pelo Major General Eugénio Mussa, em representação do Governo na Comissão de Assuntos Militares, e pelo presidente da Renamo, Ossufo Momade. O processo é dirigido pelo Brigadeiro Xavier Aquino, de nacionalidade argentina, e integra oficiais da Suíça, Zimbabwe, Tanzania, Irlanda, Alemanha, Índia, Noruega e Estados Unidos da América, que perfazem o grupo de contacto do diálogo para a paz em Moçambique.

Os guerrilheiros que ontem se apresentaram ao registo serão posteriormente acantonados num centro para o efeito construído próximo do local. Em termos de procedimentos, os ex- guerrilheiros primeiro registam-se, recebem explicações sobre os contornos do processo de reintegração e, por fim, dirigem-se ao local onde entregam as armas.

Neste local, os peritos anotam diferentes detalhes específicos de cada artefacto, como a origem, estado de manutenção, entre outros. No centro de registo estão criadas condições básicas, como água potável, energia eléctrica, tendas, casas de banho, cozinhas, extintores, entre outras.

A desmobilização, desarmamento e reintegração dos homens da Renamo tem como objectivo dar estabilidade, a longo prazo, aos ex-guerrilheiros e suas famílias. O processo deverá fornecer três opções, nomeadamente nos sectores da agricultura, pequenos negócios e transportes, bem como oferecer uma bolsa de estudos no ensino superior a pelo menos uma criança por cada ex-combatente, de modo a receber formação ou treinamento vocacional, no país ou no exterior.

Na agricultura, as actividades poderão ser realizadas no Parque Nacional da Gorongosa, com o fomento de caju. Os pequenos negócios estarão focalizados na carpintaria, enquanto na área de transportes os beneficiários podem ter a oportunidade de se associar a cinco ou 10 outras pessoas para explorar a actividade transportadora.

Num breve contacto com a nossa Reportagem no local, os ex-guerrilheiros da Renamo assumem que, apesar da sua idade, esperam fazer algo para si e suas famílias, de acordo com as condições que lhes forem colocadas à disposição.

Intervindo na ocasião, o Major General Eugénio Mussa disse que o acto simboliza, de forma inequívoca, o cumprimento dos entendimentos alcançados entre o Governo e a Renamo.

Por seu turno, o presidente da Renamo, Ossufo Momade, disse que o acto é resultado de um caminho sinuoso de negociações iniciadas em Maio de 2016, que representa mais um sinal do compromisso assumido pelo falecido presidente do seu partido, Afonso Dhlakama, para que os moçambicanos se reconciliem e virem as suas atenções para o desenvolvimento.

Disse que estava ciente de que a entrega e envolvimento directo do Presidente da República, Filipe Nyusi, no processo continuarão a ser decisivos.

“A partir de hoje esperamos uma nova página na história da nação moçambicana”, considerou Ossufo Momade, acrescentando que a Renamo aguarda pela concretização das promessas, quer por parte do Governo, quer da comunidade internacional, para que a paz seja uma realidade.

O registo dos guerrilheiros da Renamo terá lugar também em outras regiões do país.

Veja pormenores sobre a cerimónia de ontem na página 9 desta edição.

Eliseu Bento