Director: Júlio Manjate

O Ministério da Cultura e Turismo divulga hoje, sexta-feira, em Maputo, os resultados de um trabalho desenvolvido com vista à inscrição da dança Mapiko na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, à semelhança do Nyau-Gule Wankhulu e da Timbila, já proclamadas em 2006.

A cerimónia será dirigida pela titular da pasta do Ministério da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, às 09.30 horas, na sala de reuniões do Ministério da Cultura e Turismo, e contará com a presença do Embaixador dos Estados Unidos em Moçambique, para além de outros convidados.

Neste contexto, pretende-se que a curto e médio prazos a dança Mapiko seja inscrita na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, estando já disponíveis uma brochura e um DVD sobre aquela manifestação cultural.

(Notícias/RM)

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O Cine Teatro Scala, na cidade de Maputo, celebra amanhã o percurso internacional do Mabata Bata e os 27 anos da produtora da longa-metragem (Promarte Ltd.).

A longa-metragem foi por inúmeras vezes premiada, facto que engrandece o cinema nacional, para além de ter sido projectada em vários festivais internacionais.

Baseado no conto homónimo do conceituado escritor Mia Couto, “O Dia em que Mabata Bata Explodiu”, esta obra cinematográfica traz para as telas o clima tenso da guerra dos 16 anos. O confronto militar ainda estava tenso, os ataques eram frequentes e o medo passeava nas aldeias.

No enredo, Azarias é um jovem pastor, órfão, guardião de uma manada de gado bovino, onde se destaca o boi Mabata Bata. Os bois serão a base do pagamento de um “lobolo. O sonho do miúdo é ser uma criança normal, ir à escola, no que é apoiado pela avó. Um dia, quando Azarias está no pasto, Mabata Bata pisa em uma mina – fruto da guerra – e explode. O jovem teme as represálias do tio e foge para a floresta, levando consigo os bois restantes. A avó e o tio partem em sua busca para resgatá-lo e convencê-lo a voltar.

Entre tradições, decorre a história, que aborda de forma intensa a uma época particular da história de Moçambique. O filme é rodado no distrito de Chibuto, província de Gaza. Falado em Changana, língua do sul de Moçambique, a película decorre num cenário rural.

A qualidade da pílula nacional não tem contestação, por isso o seu director, Sol de Carvalho, pisou o carpete vermelho dos festivais internacionais Silk Road (Irlanda), Rotterdam (Holanda), Panafricain Cannes (França), Pan African Film (Estados Unidos da América – EUA) e o African Film Festival (Nova Zelândia).

E mais, competiu e venceu nos Festivais Panafricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou (FESPACO), Burkina Faso, e no Festival Africano de Luxor, no Egipto.

“Sinto-me honrado por saber que meu filme tem a qualidade exigida para ser um dos galardoados. É prestigiante estar a representar uma nação, Moçambique”, disse.

Para Sol de Carvalho a qualidade é um imperativo, factor que determina a participação dos filmes nos grandes festivais.

Apesar da projecção além-fronteiras, o director do filme ainda está preocupado em ver o filme exibido no país. A sua intenção é criar público e promover a sétima arte. “Queria ver mais pessoas a assistirem a minha longa-metragem”, disse, acrescentando que ficou feliz por ver o seu filme projectado, no ano passado, no distrito de Chibuto, província de Gaza, onde foi rodado.

Da adaptação às telas

Sol de Carvalho escreveu a primeira versão do guião do filme há 20 anos. “Fiz para exercitar, sem grandes intenções de fazer uma longa-metragem. Achei interessante o conto de Mia Couto, gostei da ideia. A história começa com a morte à explosão e depois a morte do personagem principal, o que não é comum nos contos, pois, trivialmente, os heróis sobrevivem”, detalha.

O realizador teve a atenção de manter a essência do conto. No entanto, deu o seu toque, colocou a sua mão e também fez interrogações. O resultado final foi um filme complexo, com uma história incomum.

“A história original foi muito respeitada. No entanto, obra e o filme serão coisas diferentes. Sou amigo do Mia Couto, um escritor que muito estimo, e ele entende isso”, indicou, afirmando que o autor do “Vozes Anoitecidas”, livro onde foi extraído o texto do filme, deu-lhe total liberdade para criar a partir das obras original.

Depois de ter o guião em mão, chegou a hora de pensar como será gravado o filme. Conta que foi fulcral o papel do director de fotografia, Jorge Quintela. Juntos passearam por Chibuto. Apreciaram a paisagem, o verde, a gente e os lugares que caracterizam aquele local.

“É um filme rural, achei que devia ter uma imagem um pouco bucólica. E como Chibuto oferecia essas imagens, nós quisemos tirar o maior rendimento disso”, conta Sol.

O director de fotografia do filme investiu em poucos movimentos de câmara, deu primazia à beleza do local.

“Jorge Quintela é um profissional de uma qualidade fantástica. Exigente, investe nos pormenores. O que torna o filme particular”, disse Sol de Carvalho.

Sobre a trilha sonora, Sol de Carvalho não quis usar nenhum material eléctrico, explorou instrumentos tradicionais.

O director musical, Pierre Dufloo, colocou a sua alma no filme. Deu tom rural ao filme, trazendo o ambiente sonoro do local.

“O director musical vive em Inhambane e lá tem um estúdio. Juntos seleccionamos alguns jovens que estão na música, que são muito talentosos e uma cantora da Suazilândia, integrante do agrupamento Espíritos Indígenas”, detalha.

O realizador conta que foi feita a primeira gravação, depois uma segunda, até o filme ficar com a qualidade desejada.

“Em termos de som, a película foi gravada num sistema próprio, para que o filme estivesse no formato em 5.1. sistema soround. Este tratamento especial do filme é para que esteja dentro dos padrões de qualidade internacional”, disse.

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A Associação dos Escritores de Moçambique (AEMO) procede hoje, sexta-feira, ao lançamento do seu programa anual de actividades, designado “No Gume da Palavra”, um espaço de reflexão sobre as artes e cultura moçambicanas em geral.

A cerimónia de lançamento incluirá música, recital de poesias, leitura de contos e música, com a participação de poetas e declamadores, em que se destacam  Sangare Okapi e Lucrécia Paco.

 O calendário de actividades a ser lançado hoje, para além da realização de debates e palestras na sede da AEMO, inclui feiras do livro e visitas às escolas, numa programação que conta com a participação de Marcelo Panguana, Severino Ngoenha, Tomás Vieira Mário, entre outras personalidades de relevo no panorama intelectual nacional.

Para o Secretário-Geral da AEMO, Carlos Paradona Rufino Roque, “este programa incide na participação de actores de diferentes sectores da sociedade, alvitrando-se assim uma maior diversidade de opiniões e circulação de ideias. Por outro lado, no que se refere ao debate literário e divulgação da literatura moçambicana, privilegiamos a participação activa de autores consagrados e outros menos conhecidos, pois a nossa visão sobre a literatura nacional assenta-se no respeito pelas diversas escolas de pensamento literário, pois o nosso principal objectivo é a união dos escritores de diversas faixas etárias. Para isso, a nossa bússola é o exercício literário aprofundado de cada escritor e não a pessoa que escreve.

O programa “No Gume da Palavra” arranca dia 27 de Fevereiro em curso, na Universidade Pedagógica, com um debate em torno do livro “Participei, Por Isso Testemunho”, de Sérgio Vieira e, ainda no mesmo dia, com a divulgação e entrega do Prémio BCI de Literatura, edição 2020. (RM)

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“PLEBISCITO” é o título da nova obra de José Craveirinha, a ser lançada brevemente a título póstumo, anunciou ontem a família do autor, à margem do sarau que assinalou os 17 anos de desaparecimento físico do poeta-mor.

Zeca Craverinha, o filho do poeta, foi o responsável pela selecção e organização dos 200 poemas que compõem a obra. Detalhou que o livro terá 250 páginas e será lançado antes de Maio, mês do aniversário do poeta-mor.

“Reuni poemas publicados depois da revolução dos cravos, 1974”, indicou referindo que os textos são amargurados.

Nos escritos, o autor mostra a sua visão desgostosa sobre o país. Premonitório, vaticina, “faz prognósticos, que como podemos observar, se transformaram em realidade”, indicou, Zeca Craveirinha no término do sarau.

O filho do poeta-mor disse ainda que, ao longo do ano serão realizadas várias acções cujo objectivo é preservar a obra e memória do seu progenitor, considerado como um dos maiores poetas da língua portuguesa.

“Em 2022, se Craveirinha estivesse vivo faria 100 anos. Por isso, estamos a desenvolver uma séria de actividades em prol da celebração do centenário do escritor”, disse, indicando que almeja ver o memorial e o centro de estudo em homenagem a este Herói Nacional, concluídos até a data da celebração do centenário do autor de “Xigubo”.

Apesar da esperança gerada pelo lançamento da primeira pedra, em 2017, ainda é necessário percorrer um longo caminho para que o projecto seja, efectivamente, materializado.

No sarau, que teve lugar na Casa-Museu José Craveirinha – residência onde ele passou a maior parte da sua vida, na zona do bairro da Munhuana, foi marcada pela revisita à sua vida e obras, bem como á declamação de textos do rico repertório do escritor e académico Calane da Silva e alunos da Escola Secundária Estrela Vermelha.

Para Calane da Silva, que foi amigo e colega de profissão do poeta-mor, Craveirinha é imortal, pois enquanto as suas obras estiverem preservadas, os seus escritos, o seu espírito estará entre nós.

“Ele mantém-se vivo. É uma figura incontornável na literatura e na cultura Moçambicana. Craveirinha é imortal ele é eterno. Porque ele vai representar depois dos séculos, os primórdios da literatura moçambicana. Por isso comemoramos com alegria este dia”, referiu, indicando que a memória de Craverinha ainda está viva.

O poeta-mor era um homem de causas, com uma consciência social e política aturada. Prova disso é a sua entrega aos movimentos activistas que lutavam pela dignificação da nação para sua materialização.

Falecido a 6 de Fevereiro de 2003, aos 80 anos de idade, José Craveirinha foi o primeiro escritor moçambicano e africano a ganhar o Prémio Camões, em 1991, o maior e mais importante galardão literário de língua portuguesa.

José Craveirinha nasceu no antigo Lourenço Marques, a 28 de Maio de 1922. No seu percurso trabalhou como jornalista nos periódicos moçambicanos “O Brado Africano”, “Notícias”, “Tribuna”, “Notícias da Tarde”, “Voz de Moçambique”, “Notícias da Beira” e “Voz Africana”.

Como escritor e poeta usou diversos pseudónimos, entre os quais Mário Vieira, J.C., J. Cravo, José Cravo, Jesuíno Cravo e Abílio Cossa.

Foi o primeiro presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos, entre 1982 e 1987. Em sua homenagem, a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), em parceria com a Hidroeléctrica Cahora Bassa (HCB), instituiu em 2003, o Prémio José Craveirinha de Literatura.

Entre os livros que publicou destacam-se “Xigubo”, “Cantico a un dio di Catrame” “Karingana wa Karingana”, “Cela 1”, “Maria” e “Izbranoe”, que lhe valeram vários prémios como Cidade de Lourenço Marques (1959), Reinaldo Ferreira do Centro de Arte e Cultura da Beira (1961), Ensaio do Centro de Arte e Cultura da Beira (1961), Alexandre Dáskalos da Casa dos Estudantes do Império, Lisboa, (1962), Nacional de Poesia de Itália (1975), Lotus da Associação de Escritores Afro-Asiáticos (1983), Medalha Nachingwea do Governo de Moçambique (1985), entre outros.

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