Director: Lázaro Manhiça

A OBRA literária de Marcelino dos Santos, que nasartes é mais conhecido como Kalungano ou Lilinho Micaia, carece de maior divulgação, apesar de ser internacional.

Esta é a opinião do poeta angolano Lopito Feijó,que quinta-feira integrou uma mesa redonda organizada pela Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), junto da professora e pesquisadora de literatura moçambicana Fátima Mendonça e do escritor e político Óscar Monteiro.

A iniciativa que visava celebrar a passagem do primeiro aniversário da morte de Kalungano, foi moderada pelo presidente da Fundação Marcelino dos Santos, João Leopoldo da Costa, e teve como tema “Kalungano - Poética da Liberdade”.

Nela, houveunanimidade sobre a carga humana e nacionalista que os seus textos carregam.

Lopito Feijó que, conforme diz, pertence à geração dos escritores que da década 1980, refere que encontrou Kalungano quando decidiu “conviver com figuras angolanas e africanas ligadas ao nacionalismo e aos movimentos literários que nos levaram até à independência”.

Para ele, Marcelino dos Santos é uma figura com dois lados distintos, como poeta e político, “o que é difícil ver nos mais recentes autores”. Ele explica que esta forma de ser está visível nos versos de Kalungano, que detém uma obra que deveria ser mundialmente conhecida, pelo menos, entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

“Sinto pena e dor pelo facto dele não ser suficientemente conhecido aqui em Angola”, disse quem espera que os seus poemas sejam mais conhecidos como acontece(u) com parte dos grande percursores da literatura moçambicana, a título de exemplo, José Craverinha e Rui Nogar.

Segundo Lopito, talvez isso resulte do facto dele ser um poeta “aparentemente menor”, ou ainda por ter publicado “muito pouco e depois da independência”. Aliás, ele deixou apenas um livro de poesia, “Canto de Amor Natural” (1987), sob a chancela da AEMO.

Ele acrescenta que, actualmente, a obra de Kalungano (e não só) circula menos do que no período em que ela foi publicada, apesar de haver melhores condições para tal do que antigamente.

“Nós líamos autores moçambicanos em edições rústicas feitas pela AEMO e naquele tempo os livros circulavam muito mais do que acontece agora. Hoje, para ter o livro dele, é preciso ir a Lisboa e é possível que mesmo lá não encontre”, lamentou.

Neste sentido, ele recordou que quando saiu o livro “Canto de Amor Natural”, “uns 10/15 exemplares vinham (à Angola) por correio e nós (também) mandávamos (para Moçambique)”, disse.

Lopito que, naquela altura, era crítico do Jornal de Angola, considera que a obra de Marcelino o surpreendeu pela simplicidade da edição e do conteúdo, bem como pela “grande capacidade de aliar a política e a poética”.

“A sua poesia o descrevia como um homem com ideologias que nos caracteriza com nossa geração”, considera quem encontra nos seus versos “um autênticodesapago aos bens materiais” e um “poeta é engajado na sua causa”.

É daí que ele exalta constantemente o homem negro, através daquilo a que Lopito chama de ‘negritudinismo’. Era difícil “Falar do negro e exaltar as suas virtudes”, considerou. Leia mais

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