Director: Lázaro Manhiça

DEPOIS da eclosão da pandemia da Covid-19 no mundo, novos conceitos aliados a esta doença, como novo normal, mutação e distanciamento físico, começaram a dominar o vocabulário popular.

Foi assim que nasceu, na cidade de Maputo, a mostra individual de artes plásticas “Novo Normal”, de Vasco Manhiça.

O artista apresenta obras cuja materialização foi inspirada na situação causada pela Covid-19 e com base na técnica mista, que protagoniza um perfeito casamento entre a pintura, gravura e monotípia de modo a interpretar o quotidiano dos moçambicanos e não só.

Na exposição dominada por cores quentes como o vermelho e o amarelo,o pintor elabora um convite para revistar o dia-a-dia nos tempos de uma pandemia sem precedentes.

Fala de um problema que veio encontrar outros como os ataques armados no centro do país e o terrorismo na província de Cabo Delgado, dois assuntos não explícitos diante da preocupação de pôr fim a esta enfermidade respiratória.

É neste combate contra o inimigo invisível que nasceram alguns vocábulos que deram luz às obras de Vasco Manhiça e apreciá-las é como inconformar-se diante dos outros com problemas que há muito tempo assolam o mundo.

Neste contexto,é possível perceber um certo desgaste do pintor como se estivesse a gritar “basta” ao intitular um dos seus quadros “Update and Resart”, para dizer que está na hora de actualizar e recomeçar a vida.

“Novo Normal” é uma mostra sobre esperança com obras de um artista que espera por um mundo melhor e visualiza um futuro risonho cujas dificuldades do presente, já ultrapassadas, inspirarão novos desafios.

É igualmente esta a opinião do curador da exibição, Rafael Mouzinho, que refere que Vasco Manhiça entrou “num processo simultâneo de registo do tempo que a probabilidade futura tratará de designar de ‘antes de’ e ‘depois de’”.

É, de acordo com Rafael Mouzinho, um posicionamento que leva a visitar um pouco do percurso de um artista plástico que pertence à “geração que nos finais dos anos 1990 reanimoua pintura, o desenho e a cerâmica a par dos seus contemporâneos como Lourenço Pinto, Walter Zand, Sérgio Muchabje, entre outros”.

A repetição de temas, provavelmente para dizer a mesma coisa de um modo diferente, é também uma das coisas mais notórias da mostra, pois repetir é também necessário no exercício de apreender e a isso nos leva o “Slogam”, título duma das peças. No combate aqualquer epidemia há que despertar as mentes mais cépticas.

“Assintomático”, outra peça, é outro vocábulo que passou a integrar o quotidiano. Quase todos, ironicamente e por causa da pandemia, viraram uma espécie de especialistas em medicina.

Este elemento remete ainda à ideia de um mundo “completamente” infectado, que sempre visita o cérebro de muita gente como se fosse para revelar que todos têm um problema ainda que  não saibam qual. 

É daí que vale a pena apreciar o quadro “Mascarado”, pois mesmo de máscaras há sempre alguma coisa a ser dita, mesmo que não seja nada de concreto. É a ideia que sugere o quadro “O Quarto Informe”, que involuntariamente leva o apreciador a recordar as constantes esperas por ouvir a comunicação à nação do Chefe doEstado sobre a situação da Covid-19, para se saber se vai manter, abrandar ou apertar mais as medidas de prevenção do novo coronavírus decretadas pelo Conselho de Ministros.

As galerias, aliás, foram das partes mais privilegiadas do último informe ao país, tanto que os museus, centros culturais e teatros estão temporariamente encerrados. Esta medida surge depois da inauguração da exposição “Novo Normal”, patente desde 27 de Maio, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM) e encerra já este sábado.

Pintar para se inconformar diante do estado das coisas e muitas incertezas é, em suma, o que leva a discutir o conceito “abstracto”, de abstrair ou descobrir a vacina ou as novas variantes da Covid-19, o que faz com que esta dor de cabeça continue, conforme se percebe no quadro “Mutação”, aliada a duas obras intitulados “Surgentes” para se referir a algo que de repente surgiu, como o vírus que até Dezembro ninguém esperava que aparecesse para colocar o mundo de joelhos.

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