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Director: Lázaro Manhiça

A INTERCULTURALIDADE é a principal proposta de “Entre Margens: Diálogo intercultural e outros textos”, o mais recente livro da professora, ensaísta e escritora moçambicana Sara Jonas.

Na obra de crónicas que sai sob a chancela da Gala Gala Edições, a autora aborda questões interculturais que caracterizam o país e quase todo o continente africano e, conforme explica o apresentador da publicação, o professor Cristiano Matsinhe, na voz da professora e poeta Ana Mafalda Leite, a escritora procura trazer uma abordagem mais profunda de assuntos sensíveis ligados à cultura e tradições.

Neste sentido, do mesmo modo que ela aprecia os bons costumes dentro de algumas crenças africanas também procura ser uma pensadora equilibrada, que se mostra contra, por exemplo, a violação dos direitos humanos desrespeitados em nome de tradição.

É neste sentido que a autora viaja para locais como a província de Gaza, onde dentre alguns rituais, opõe-se ao ritual de “purificação” de viúvas denominado “Kutxinga”, no qual a mulher vê-se obrigada a envolver-se em relações sexuais com o irmão do seu falecido marido.

Na mesma perspectiva, a escritora revela-se contra uniões prematuras e defende que “tradições que colocam em risco a vida das pessoas devem ser mudadas”, conforme explica Matsinhe.

Sara Jona mostra-se ainda contra o estigma dos grupos considerados minoritários, como “os albinos que não morrem ou desaparecem”, considera Matsinhe. 

Deste modo, resgata as figuras do feiticeiro e do curandeiro e faz-se mediadora do eterno debate sobre a religiosidade africana versus a ocidental.

A académica, neste sentido, entra e divaga entre os domínios mundano e extra-mundano e aborda fenómenos da realidade, que para algumas pessoas são fictícias. Fala de eventos, diga-se, trágico-mágicos, explicados pela mitologia.

Ela não deixa de reforçar, mesmo assim, que a cultura é uma das grandes riquezas de um povo e deve, por isso, ser exaltada. Nas suas crónicas fala de elementos identitários nacionais como capulana, como se fosse a concretização do sonho de um Moçambique que é realmente um Estado-nação.

Sara diz que igual à timbila ficou-lhe “sempre a ideia de haver segredos contados pela capulana”, daí que já “estava a dever um texto sobre isso”.

“Havia uma dívida que eu tinha sobre os diferentes modos de amarrar a capulana e à possibilidade de ela ser integrada como património cultural da humanidade”, considerou.   

Para Cristiano Matsinhe estas narrativas acontecem sem que a autora deixe de manter sempre o equilíbrio de estilo e forma de estruturar os seus textos.

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