Director: Lázaro Manhiça

O PASSADO é um elemento fundamental para compreender os versos que compõem o livro de poesia “Gaveta de Cinzas: Solilóquios”, obra que marca a estreia do poeta Nick do Rosário.

As memórias individuais do autor estão presentesem quase todos os 45 poemas da publicação chancelada pela Gala-Gala Edições e dividida em três cadernos: “A Palavra Nasce”, “O Verso Acontece” e “A Poesia Acontece”, nomeadamente.

É neste sentido que o sujeito poéticorecorre muito a dedicatórias, algo que no segundo e último cadernopode parecer uma mera suposiçãoe que, entretanto, é uma certezaquandose trata do primeiro, onde conforme sugere o professor brasileiro Demétrio Paz, que assina o prefácio, “a infância mistura-se entre memórias, lembranças e sonhos”.

Assim Nick do Rosário começa a sua “Gaveta de Cinzas” escrevendodedicatórias a pessoas próximas. É o caso do seu pai Benedito da Costa do Rosário, a quem dedica todo o livro, e da sua avó Elisa Francisco da Silva.

No mesmo diapasão são aqui chamadas, entre outras figuras, a mãe Sílvia César Manuel Gouveiaea filha Nickol do Rosário.Estes nomes aparecem neste capítulo como se fossemtítulosdos poemas (não sendo), ainda que não sejam todos assim estruturados,um caso raro.

A “Gaveta de Cinzas”étítulo de umdospoemasde “O Verso Acontece”.“Estou a referir-me a algum momento de esperança”, disse ao “Notícias” o poeta Nick do Rosário, para quem o poema pulsa a alegria em tempos de tristeza devido ao contexto actual caracterizado pela pandemia do novo coronavírus, os ataques armados na região Centro do país e o terrorismo no Norte.

É aqui, segundo o autor, abre-seum caminho para uma discussão para além da memória. “Há esperança nesta combustão, no que está a acontecer em Cabo Delgado, por exemplo”, continuou, explicando que o termo “cinza” pode referir-se “a um sentimento de nostalgia sobre algo que ficou no passado. Ou seja, em todos oscasossempre regressa ao passado.

Sobre este capítulo, o professor Demétrio Paz recorda que gaveta é um lugar para guardar as coisas, o que vai de encontro com o verso que diz “E há vida/no meio da palha”. “As cinzas do título podem ser a memória, o que passou, o que se viveu: a vida que emana dessa busca na gaveta”, explica o docente da Universidade Federal da Fronteira Sul.

Nascido emQuelimane, capital da província da Zambézia,e residente na cidade deMaputo,onde chegoupara licenciar-seem literatura pela Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane (FLCS-UEM), Nick do Rosário tem nos versos um meio pelo qual regressa àterra natal.

Este sentimento de amor e saudade pela Zambézia pode notar-seno poema “Ritual”, em versos como “Desejo-te molhada/no calor da nudez/ao som do nhambaro”.O nhambaro,uma dança representativa desta província central de Moçambique, é praticamenteuma referência obrigatóriaquando o assunto são as artes e cultura zambezianas.

À Zambézia e à infância também regressa através do poema “Monteiro Gil”, no qual escreve que “Na Crosta da parede interna/fisgo metros de ruínas/desmoronando-se”. O Monteiro Gil é um prédio de Quelimane que está, como denuncia o texto, aos poucos, a cair. “Eu corria e ali a minha mãe trabalhava”, lembrou-se Nick do Rosário.

Nestas linhas de “A Poesia Acontece”há uma espécie dededicatória ao amor. Através dumalíricaque roça o erótico e marcada por um sentimento de melancolia trazclaros sinais de ser a poesia um lugar de refúgio às mazelas da vida. “Vivo-te, amor,/De pétala em pétala/ na for de teres partido”, continuano texto “Esfeta”.

Aqui também predominamtítulos temáticos como o tempo, umarecordação do passado, experiência do presenteeanseio pela eternidade.

Nick do Rosário escreve poesia desde 2004, embora a “Gaveta de Cinzas” tenha sido composta entre 2016 e 2017, estando pronta desde 2018, para depois ser resgatada pela Gala-Gala Edições. Tem os seus textos publicados no matutino “Notícias” e numa antologia publicada no Brasil na sequência do 2.º Concurso Internacional da revista “Inversos”.

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ÁNGEL León, famoso chef e proprietário do Aponiente, um dos melhores restaurantes da Espanha, na cidade de Cádiz, descobriu com a sua equipa os cereais marinhos.

O projeto não se concentra apenas nas aplicações gastronómicas do cereal, mas também o de criar um banco de sementes para repovoar áreas húmidas costeiras, desenvolvendo também sistemas de plantio e colheita que se adaptem ao ambiente marinho.

A cultura experimental ocupa cerca de três mil metros quadrados do Parque Natural da Bahia de Cádiz, próximo ao município de Puerto Real.

“Pretendemos criar o primeiro e único centro de I&D especializado do mundo nas culturas de plantas marinha”, diz o chef. “O objetivo é continuar a investigar este cereal marinho, pois pode dar-nos muitas chaves para mitigar os efeitos das alterações climáticas, e restaurar os ecossistemas aquáticos”, disse.

O cultivo deste cereal levanta a possibilidade de criar um “jardim marinho” que permita produzir um alimento barato e nutritivo em áreas do planeta onde o acesso à água doce é escasso e ainda há água salgada.

De acordo com a informação publicada no portal“cerealmarino.com”, é uma semente muito mais densae também muito mais nutritiva do que outros cereais, a meio caminho entre o arroz e as leguminosas.

Num estudo comparativo com outros cinco cereais (arroz, cevada, trigo, aveia e milho) foram detectadas mais proteínas de alta qualidade, hidratos de carbono e vitaminas A e E do que qualquer outro tipo de cereais, bem como elevadas concentrações de vitaminas B, ácidos gordos essenciais, ómegas 3 e 6 e aminoácidos que não existem noutros cereais comuns, o que o torna um “superalimento com qualidades excecionais para uma alimentação saudável”.

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CONVERSAR com a guitarra para ironizar o quotidiano é um dom raro que faz de Domingos Honwana, mais conhecido por Xidiminguana, de 85 anos completados a 3 de Agosto corrente, um músico especial.

Este elemento, ainda hoje, caracteriza o ancião nascido em 1936, na localidade de Vuthu, distrito de Bilene, província de Gaza, filho de camponeses e antigo pastor de gado, cujo destino quis que fosse conhecido como um dos maiores fazedores da música tradicional da história do país.

O autor de sucessos como “Xikona”, “Nihlayisse”,“Nikhome Nkata”, entre outros, que se iniciou na música no final da década de 1940, manipulando uma viola a base de lata, ainda consegue provar que a música está mais além da idade.

Foi assim que revelou à sociedade que há ainda no seu coração um grande desejo de voltar a pisar os palcos, desejo esseque, a realizar-se, poderá ser ao lado da ministra da Cultura e Turismo, Edelvina Materula. 

A governante e colega de profissão, estiveramna sexta-feira última, a sua residência, e deixou ficar a promessa que deverá ser concretizada logo que as restrições deprevenção da pandemia do novo coronavírus forem aliviadas.

“O nosso próximo encontro será em cima dos palcos”, referiu a ministra.

Esta decisão foi como cura para os males que, de vez em quando, se intrometem na vida do astro da música, que recentemente esteve doente. “Agora, até posso perseguir umladrão”, brincou Xidiminguana, para dizer que está a melhorar.

Entretanto, nem com a saúde debilitada o tira a vontade de vencer com a qual chegou à antiga Lourenço Marques, actual cidade de Maputo, nos anos 1980, tendo, para além de cantar, ter trabalhado até a reforma, em 1996, na empresa Portos e Caminhos de Ferro-de-Moçambique.

Foi assim que conseguiu a proeza de os seus 85 anos de vida se caracterizarem pela dedicação à música. Não é por acaso que Xidiminguana é um dos maiores nomes da arte musical nacional. Ao falar dela, é obrigatório mencioná-lo.

É este reconhecimento que fez com que, na sexta-feira passada, todos os caminhos desse ao bairro da Maxaquene “C”, pois, para além da ministra da Cultura e Turismo, jornalistas, músicos, amantes da música e apaixonados pela magia da guitarra de Xidiminguana fizeram-se à sua casa.

Confirmou-se que a idade do artista éapenas números. “Para além de ser da família Honwana, é também um bem público, uma estrela de Moçambique e de África”, considerou o músico Félix Moya, em representação da família.

Vai ser por isso que o fazedor da música pegou a guitarra e interpretou as suas músicas. Viajou pela infância, a sua e a dos seus compatriotas. Fez-se filho e pai. Educou os que a ele contemplavam como se lá estivessem para ouvir os conselhos que a sua música fez a questão de eternizar.

Fez ainda aquilo que é conhecido por fazer, conversar com a guitarra. É já a sua marca fazê-lo com recurso a uma garrafa de vidro. As mãos sempre entram em sintonia com as cordas do instrumento com o qual mais amizadescriou na vida. Xidiminguana não toca viola, comunica-se com ela.

Mostrou-se um homem de poucas palavras na hora de conversar com a guitarra e sobretudo soltar as notas que residem na sua alma. É que cantar, para o artista, é a sua maneira de ser e estar no mundo.

É neste sentido que o quotidiano não o escapa das mãos e na voz. Canta histórias do dia-a-dia com forte dose de ironia. É esta ironia que o músico, naquela tarde, quis mostrar. E conseguiu.

É por este e outros motivos que o astro da aclamada “velha-guarda” foi um dos distinguidos do Mozambique Music Awards (MMA 2010)e venceu o Prémio Carreira 2016, do Ngoma Moçambique, organizado pela Rádio Moçambique (RM), com o álbum “Dlawanine”.

Recebeu ainda, em 2015, o prémio “Lenda Viva”, na África do Sul, durante o Chitsonga Music Awards e foi homenageado por diversas ocasiões.

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XIDIMINGUANA, um dos maiores ícones da música moçambicana, apesar dos seus 85 anos de idade completados recentemente, ainda vai levar o público à loucura e fazer os palcos vibrarem com a sua voz e magia na guitarra.

Este, mais do que ser o sonho de muitos amantes da música moçambicana, é um dos maiores anseios da ministra da Cultura e Turismo, Edelvina Materula, que na tarde de ontem visitou o “monstro” da marrabenta na sua casa, no bairro da Maxaquene, cidade de Maputo.

Ultimamente têm sido frequentes as visitas da governante aos artistas moçambicanos, de modo a inteirar-se de perto da sua situação, principalmente em tempos da pandemia do novo coronavírus, que colocou muitos fazedores das artes e cultura em estado de vulnerabilidade.

Foi assim, recentemente, com o artista plástico Mankew, que tal como Xidiminguana, há pouco tempo, esteve doente. Entretanto, desta vez Materula escalou Maxaquene a convite do próprio músico, chamado a protagonizar mais concertos. “O nosso próximo encontro será no palco”, afirmou a governante, que mais do que o ver realizar um concerto quer actuar ao seu lado.

Xidiminguana, em jeito de resposta, prometeu que, quando este sonho se concretizar, vai ensiná-la a tocar guitarra. Este encontro, se depender de ambos, vai acontecer logo que as restrições provocadas pela Covid-19 forem aliviadas.

A ministra, que é também fazedora da música, garantiu ainda que o visitaria novamente num futuro breve.

Estes momentos são oportunos para encontrar inspiração necessária para a actividade do Governo, particularmente do pelouro que dirige, na tomada de medidas acertadas para a preservação das artes e valorização dos seus actores.

Na ocasião, a ministra comprou quinze discos de Xidiminguana como forma de valorizar a sua produção e apelar aos consumidores das artes para comprarem CD originais e combater a pirataria. “Estamos a comprar o seu trabalho, isto não é uma ajuda, ele é um trabalhador”, disse.

A governante, que também apelou às pessoas para encontrarem outras maneiras de ajudar os fazedores das artes e cultura, ofereceu produtos alimentares diversos a Xidiminguana, e o artista agradeceu conversando com a sua guitarra e interpretando algumas músicas do seu vasto repertório, dando cheirinho do que será a actuação que ambos prometeram.  

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A HISTÓRIA da escultura moçambicana nos últimos 50 anos será levada, em Setembro, às galerias dos centros culturais Brasil-Moçambique (CCBM) e Franco-Moçambicano (CCFM), na cidade de Maputo.

A exposição, intitulada“Três Dimensões: Percursos, Densidades e Possibilidades”, é uma iniciativa das duas casas de cultura e está inserida na programação da segunda edição do Festival Gala Gala, organizado pelo colectivo das centros culturais da capital do país.

A mostra, a serinaugurada em simultâneo no CCFM e CCBM, a 14 de Setembro,  será constituída por obras tridimensionais dos acervos artísticos de ambos centros culturais, do Museu Nacional de Arte, da Tmcel e de colecções particulares.

A exposição apresentar á variadas leituras dos caminhos da escultura moçambicana nos últimos 50 anos, das diferentes linguagens, materiais, técnicas e tendências ao longo e dentro de diferentes contextos sociais e culturais.

Neste sentido, estarão patentes cinco núcleos distintos, nomeadamente: “Origens e Identidades”, “Modernidade e Anos 1980”, “Anos 1990 e Novas Abordagens”, “Muvart: A Rotura e a Arte Conceptual” e “Os Anos Mais Recentes: Linguagens, Técnicas e Materiais”.

O título da exibição reflecte a ideia que se pode ter do percurso da história da escultura moçambicana, os diferentes caminhos e respostas dos artistas ao longo do séculos XX e XXI, possibilidades e resistência ao nível de produção ede circulação das produções recentes.

Sob a curadoria de Gianfranco Gandolfo e Jorge Dias, a exposição aborda ainda a densidade e fragilidades temáticas, conceptuais e materiais que os trabalhos expostos representam na história da arte em Moçambique e no mundo.

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CONVERSAS AOS SÁBADOS

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Presidente: Júlio Manjate

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