Director: Lázaro Manhiça

O MINISTÉRIO da Cultura e Turismo decidiu manter aberto o Monumento e Centro de Interpretação da Matola de modo a dar espaço, por alguns dias, para trabalhos de pesquisa histórica, bem como a produção de conteúdos científicos e noticiosos.

Esta medida surge no quadro da passagem do quadragésimo aniversário do ataque à Matola, perpetrado pelas forças armadas do regime sul-africano do “Apartheid”, em perseguição aos militantes do Congresso Nacional Africano (ANC) do qual resultou em vítimas humanas e destruição de infra-estruturas localizadas na Matola, efeméride assinalado a 30 de Janeiro.

 Fonte do Ministério da Cultura e Turismo referiu que, anualmente, a sua instituição, em coordenação com a sua congénere sul-africana, tem desenvolvido diversas actividades sócio-culturais com vista a exaltar o “heroísmo daqueles que pereceram nessa barbárie”.

“Porém, devido ao ambiente atípico caracterizado pela crise pandémica, a Covid-19, ficam adiadas as actividades comemorativas. As mesmas serão realizadas quando as condições sanitárias assim o permitirem”, disse.

Os governos de Moçambique e da África do Sul decidiram construir um monumento em memória das vítimas do ataque de 30 de Janeiro e escolheram a rotunda das quatro cantinas, na cidade da Matola, para a obra.

Esta infra-estrutura cultural foi erguida igualmente para reconhecer e enaltecer o papel desempenhado por todos quanto contribuíram na luta pela libertação da África do Sul contra o regime do “Apartheid” e render homenagem ao povo moçambicano pelos sacrifícios e solidariedade consentidos por esta causa.

É neste espaço onde se pode encontrar a história sobre o ataque à Matola e as motivações que levaram ao sacrifício do povo moçambicano por decidir ajudar os seus irmãos da África Austral e em particular o ANC, que lutava pelo fim do “Apartheid”.

O monumento e o centro de interpretação são elementos simbólicos para onde demandam diferentes segmentos sociais e profissionais e pesquisadores que vão fazer as suas monografias.

Por outro lado, pretende-se promover a educação cívica e patriótica dos cidadãos, através de actividades educativas com o público e com instituições nacionais e estrangeiras de ensino a todos os níveis, como forma de contribuir para o desenvolvimento social, cultural e económico da região.

Celestino Siane, gestor daquela infra-estrutura histórico-cultural, disse que o local tem recebido diferentes cidadãos nacionais e sul-africanos.

Ficam a saber da história que retrata o papel fundamental que Moçambique desempenhou para a liberdade de países da África Austral, como Zimbabwe e Namíbia, bem como a África do Sul.

Disse que no centro de interpretação pode se encontrar informação sobre as casas atacadas pelos bóeres, onde viviam os membros do ANC, e estão representados os 17 mortos no ataque.

Considera que a SADC aprendeu a lição que Moçambique deu de solidariedade e cooperação para com todos os povos, olhando, sobretudo, a postura adoptada pelo país desde a independência, orientando-se sempre por “valores sociais, humanos e de justiça”.

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MOÇAMBIQUE vai participar num concurso de fotografia sobre a pandemia da Covid-19 dirigido às comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo.

A informação foi avançada recentemente à Lusa por Marta Pereira, líder da Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP).

Para além do nosso país, o concurso destina-se “a todos os cidadãos dos países e regiões da lusofonia ou residentes de Macau” e “enquadradas com o tema seleccionado, tiradas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Goa, Damão e Diu”.

Lançada ontem, a inscrição no concurso fotográfico é gratuita e pode ser efectuada através do formulário que se encontra no ‘site’ da Somos! (www.somosportugues.com) até ao dia 28 deste mês.

A Lusa avançada ainda que, às três imagens vencedoras serão atribuídos prémios no valor de dez mil patacas (94.924,8 meticais), cinco mil patacas (47.462 meticais) e 3.500 patacas (33.177 meticais).

De acordo com as regras do concurso, as fotografias “devem ser capazes de espelhar o combate à doença dentro do universo lusófono.

Deverão ter também em conta as dificuldades enfrentadas, as perdas, as mudanças profundas trazidas pela Covid-19, designadamente em termos culturais, mas podem também exaltar actos de altruísmo, de coragem, de resistência, de fé, e de compaixão nestes tempos difíceis.

Essas imagens farão ainda parte de uma exposição que será organizada na Galeria de Exposições da Casa Garden de 26 de Março a 10 de Abril, em Macau, sob a curadoria mais uma vez de António Mil-Homens.

A mostra vai ainda integrar “outras fotografias seleccionadas pelo júri pela sua relevância ou valor para o tema do concurso fotográfico e para o propósito da Somos – ACLP, de projectar a dimensão cultural da lusofonia, assim como o papel de Macau enquanto plataforma que une a China e os países/regiões de língua portuguesa”, de acordo com a associação.

“Não houve grandes dúvidas em escolher a doença provocada pelo coronavírus que, como bem sabemos, está a afectar também os países lusófonos. Pensamos que o tema pode documentar, através de imagens, o combate à doença nas comunidades dos países de língua portuguesa e em Macau, bem como as transformações socioculturais que originou, as fraquezas, as desigualdades sociais e comportamentais”, explicou Marta Pereira.

A pandemia está a “afectar populações mundialmente, com os países e regiões, incluindo os lusófonos, a verem-se forçados a ajustar continuamente as medidas de resposta e de prevenção, que envolvem o confinamento de pessoas e quarentenas, que têm trazido enormes desafios à vida em sociedade”, salientou a associação para justificar o concurso intitulado de “Alma lusófona em tempos de Covid-19”.

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OS palcos voltaram a fechar, como uma das medidas do Governo para conter e prevenir a pandemia do novo coronavírus, quando tudo indicava que aos poucos se estava a regressar à normalidade, mas não conseguiram acabar com o espírito de resiliência da dupla de bailarinos e coreógrafos Idio Chichava e Pak Ndjamena, dos mais internacionais do país. 

Os dois não conseguem ficar de braços cruzados e aproveitam o momento para pensar na dança. Assim o fazem e recomendam a todos os artistas em tempos de quarentena. Estão num constante exercício de busca por alternativas, ainda que nalgum momento assumam que os fazedores das artes e cultura estão a passar por uma situação algo desesperadora.

A sua forma de pensar e agir é característica antiga, mas também é um aprendizado do primeiro estado de emergência, decretado em Março de 2020 pelo Presidente da República, para conter e prevenir a pandemia do novo coronavírus. 

“Da outra quarentena, a lição tirada é a persistência e crença, porque em termos financeiros é complicado”, disse Idio que actualmente reside em França.

Ele explica que as medidas recentemente anunciadas pelo Governo, com o mesmo objectivo, apesar de muito afectarem o sector das artes, devem ser acatadas, senão “a coisa pode ser pior”.

Lamenta que com os palcos fechados não há como actuar, pelo menos como se está habituado. “O nosso instrumento é o corpo”.

Idio afirma que este é um momento para buscar a teoria da arte para posteriormente colocá-la em prática. “Precisamos de continuar com a criação, na concepção de obras coreográficas e reflectir o nosso trabalho enquanto bailarinos”, frisou.

O coreógrafo que concorda que se deve partir para a via digital, explicado porém que nem tudo é um “mar de rosas”, pois os custos da internet, limitam a audiência. Leia mais

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PELA primeira vez em muitos anos, a batalha de Marracuene será recordada sem festa, devido à pandemia do novo coronavírus, que “estragou” os planos feitos pelos organizadores.

É por esta via que 2020 ficará na história como um ano em que o distrito de Marracuene não pôde realizar o já tradicional “Festival Gwaza Muthini”.

Sob o lema “126 Anos de Resistência Cultural às Adversidades”, irão decorrer actividades que, num verdadeiro espírito de resiliência, não permitirão que esta data (2 de Fevereiro) passe em branco.

Neste sentido, a efeméride será marcada por acções simbólicas, como a realização das habituais cerimónias de evocação de espíritos e deposição de uma coroa de flores no monumento Gwaza Muthini.

Assim, espera-se que seja o evento mais curto. Durará apenas duas horas, entre às 6.00 e 8.00 horas.

O centro destes actos será a vila-sede de Marracuene. O recinto contará com um forte contingente policial para amainar os ânimos da população e evitar que o mesmo seja palco de venda de bebidas.

A tradicional bebida “canhú” estará apenas disponível aos convidados. 

“Não queremos ser um centro de contaminação da Covid-19”, disse o porta-voz do evento Justino Cuna.   

Ainda assim, desenhou-se um evento marcado por apresentar um lado mais solidário, afinal, o governador da província de Maputo, Júlio Paruque doará cestas alimentícias às famílias carenciadas daquele distrito.

Este evento que também encerra a época do canhú será antecedido, no sábado, entre às 5.00 e 12.30 horas, por uma cerimónia de despedida aos mabjaias, nas matas sagradas daquela tribo, guerreiros cujos restos mortais foram ali enterrados.

Este evento será também limitado a 50 indivíduos, entre representantes do Governo, Associação dos Amigos e Naturais de Marracuene (AMETRAMO), guerreiros do régulo Mabjaia, jornalistas e outros acompanhantes. Leia mais

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CATORZE artistas plásticos moçambicanos compõem o livro “Atlântica: Arte Contemporânea de Moçambique e sua Diáspora”, cujo lançamento teve lugar há dias em Lisboa, Portugal.

Esta obra conta o percurso de cada um dos intervenientes que, por sinal, partilham o facto de todos desenvolverem a arte contemporânea. São eles Maimuna Adam, Filipe Branquinho, Jorge Dias, Ângela Ferreira, Gemuce, Eurídice Kala, Camila Maissune, Gonçalo Mabunda, Mário Macilau, Celestino Mudaulane, Félix Mula, Eugénia Mussa, MarilúNámoda e Mauro Pinto.

Para melhor compreensão do trabalho de cada artista plástico escolhido para figurar neste livro, acompanham-no ensaios de prestigiados académicos, entre os quais a conceituada museóloga e pesquisadora moçambicana Alda Costa.

Tem ainda ensaios dos académicos StormJanseVanRensburg, Raquel Schefer, Álvaro Luís Lima, DrewThompson e António Pinto Ribeiro.

Foram ainda inculcados textos de Ana Balona de Oliveira, Afonso Dias Ramos, NomusaMakhubu, João Silvério, Maria do Mar Fazenda, Rui Assubuji, NkuleMabaso, bem como de Paula Nascimento,DellindaCollier, AzuNwagbogu eSihleMotsa.

Editada por Ângela Ferreira e coordenada por Mónica de Miranda, “Atlântica” foi lançado há dias em Lisboa, Portugal, pela Hangar Book’s, uma editora especializada em publicações sobre arte contemporânea, com enfoque nas epistemologias do sul.

Os ensaios de curadores e académicos reunidos nesta obra, a segunda publicação do género,aprofundam a questão da produção artística do novo milénio em Moçambique. Reflectem igualmente a diversidade de histórias e visões sobre a arte, olhando para a variedade de formatos e géneros de escrita dentro do livro, o que reflecte a diversidade de experiências dos autores.

Os autores da obra encaram as práticas artísticas contemporâneas do país como ferramentas de resistência e rebelião e, como tal, centrais para as estratégias de descolonização que os artistas têm utilizado para compreender, analisar e resistir ao impacto socioeconómico do seu quotidiano.

 

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