Director: Lázaro Manhiça

O LIVRO “Mathxinguirimbwa”, da autoria do escritor e jornalista Alexandre Chaúque, dá aso à visibilidade e beleza da cultura chopi, esse expoente que se afirma na cultura universal com o reconhecimento como património cultural da humanidade.

Esta é apreciação de Carlos Paradona, escritor e secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), falando durante o lançamento, recentemente em Inhambane, daquele livro.

Depois de Maputo, Alexandre Chaúque decidiu presentear os seus, fazendo uma viagem à terra onde nasceu e vive actualmente, oferecendo, quase no final do ano, uma prenda do fecho do ano 2020.

Diz ainda Paradona que, “Mathxinguirimbwa” é já um contributo aplaudido desde que veio à estampa, assinalando o destaque dado pela crítica especializada, o que faz jus à qualidade da narrativa apresentada no livro.

“De Alexandre Chaúque, desde ‘Inhambane Sem o Badalo’, seu livro de estreia, em (2002), ‘Bitonga Blues’ em (2007), ‘Ndekeni’, ficção narrativa publicada em 2011 e vencedora do Prémio Literário 10 de Novembro, há muito que os leitores conhecem e reconhecem a qualidade da sua escrita”, comenta o secretário-geral, felicitando o autor “por mais este feito histórico na sua vida particular e no panorama da literatura moçambicana em geral.”

O acto foi honrado pela presença da Secretária do Estado na Província de Inhambane, Ludmila Maguni, para quem Alexandre Chaúque lança o livro numa altura em que, na sociedade moçambicana, crescentemente, a juventude lida mais com as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), preferindo, por esses canais, ter acesso às obras literárias do que os livros físicos, por exemplo. Por isso, para ela, este acto não deixa de ser mais um recado profundo que procura também galvanizar a juventude a abraçar a paixão do livro físico.

“Por isso, dar continuidade da publicação de livros físicos numa altura em que as pessoas têm maior tendência para as TIC é, para nós, mostrar a importância da literatura. E este exemplo de que a literatura deve continuar entre nós assume-se de suma relevância, principalmente porque precisamos de dizer e mostrar, sobretudo aos jovens, que é totalmente diferente folhear um livro do que ler um texto em tela”, comentou a governante.

Tal como as estrelas que só brilham com o céu e a noite, Alexandre Chaúque diz também precisar do calor humano para cintilar.

“Há quem diga que o escritor brilha por si mesmo como o mel que é doce por si mesmo, mas eu não acredito muito nisso. Um escritor precisa dos amigos, dos seus leitores”, assinala.

Conta as circunstâncias que envolveram a produção do livro. Foi no silêncio da noite. Tinha como testemunhas, por vezes, o céu e as estrelas. Sozinho.

“Eu inventei Mathxinguirimbwa para me divertir, numa espécie de paródia. E estou satisfeito por esta criação que me acompanhou durante noites e madrugadas. Hoje estou aqui e feliz com o resultado como os cosmonautas que levitam no espaço”, frisa.

E porque esta viagem não se esgota somente em disponibilizar o livro para o mercado livreiro, Alexandre Chaúque anota que aqueles que lêem o seu livro são esse cosmos de que também precisa para poder levitar. Até porque “quando eles se deleitam com a minha obra é como se estivessem a baloiçar em mim como uma criança nos braços de uma mãe”.

“Temos talentos que precisam de ter a mesma oportunidade que tive de conviver com grandes escritores, onde encontrei espaço para libertar o bichinho da escrita através de conversas que fui tendo e dos livros que ia lendo. Inhambane é terra de bons prosadores, bons poetas. Eu, particularmente, estou à espera de mais e acredito que todos nós que amamos esta terra”, sublinhou. Leia mais

Comments

O ESCRITOR moçambicano Otildo Justino Guidovenceu, com a obra “O Osso da Água”, oPrémio de Poesia Judith Teixeira 2020, atribuído pelo Município de Viseu e pela editora Edições Esgotadas, através da Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva, em Portugal.

O galardão, avaliado em 2500 euros (mais de 200 mil meticais),inclui a publicação da obravencedorapela Edições Esgotadas.

“O Osso da Água” teve a melhor classificação entre204 obras de poesia submetidas a concurso, por autores provenientes de vários países de língua portuguesacomo Moçambique, Angola, Cabo Verde e Brasil.

Segundo o presidente do Município de Viseu, António Henriques, a atribuição deste prémio a um autor moçambicano reforça o sentido “da fraternidade da comunidade de língua portuguesa”.

O autarcaconsidera que oprémio tem “um significado especial” por ser atribuído num ano marcado pela pandemia deCovid-19, que assola o planeta. Avança ainda que seestádiante de “uma declaração em nome da esperança”.

Este certame, que visa premiar uma obra de poesia, original e inédita, em língua portuguesa, é ao mesmo tempo a forma que os organizadores encontraram de homenagearaescritora portuguesa Judith Teixeira (1980-1959), também conhecida por Lena de Valois, autora de três livros de poemas:“Decadência” (1923), “Castelo de Sombras” (1923) e “Nua” (1926), nomeadamente.

Otildo Justino Guido, de 22 anos de idade, nasceuno distrito de Homoíne,província de Inhambane. Frequenta o curso de Contabilidade e Auditoria na Universidade São Tomásde Moçambique, na cidade deXai-Xai, Gaza.

Venceu,em 2019, o Prémio Fernando Leite Couto, avaliado em 150 mil meticais, com o livro “O Silêncio da Pele”(poesia). A obra foi ano passado publicada pela Fundação que carrega o nome do concurso. 

No ano que ontem terminou,Otildoficou em terceiro lugar no certamede crónicas “Memórias do Idai”, onde participou com o texto “O Fogo da Água e o Peso da Fome”.

O concursopromovido pela editora Fundza, sediada na cidade Beira,culminou numa antologia que reúne crónicas de autores moçambicanos, inspirados naquele que foi um dos mais devastadores ciclones que assolou a costa moçambicana.

Comments

Gestores de arquivos da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) foram formados recentemente em gestão de documentos e arquivos oferecido pela Agência Turca de Cooperação.

Ao todo, foram 22 funcionários ligados à gestão de documentos e arquivos das diferentes unidades orgânicas desta instituição universitária que beneficiaram da formação que abordou temáticas sobre a legislação e regulamentos para serviços de arquivos e gestão de documentos.

Foram igualmente formados em regras formais de correspondência, serviços de arquivamento e implementação do plano de arquivo, procedimentos de classificação de documentos de arquivos do Estado, procedimento de transferência de documentos para arquivo, eliminação de documentos, sistemas de gestão de documentos electrónicos, entre outros.

No acto de encerramento, o Vice-Reitor para Administração e Recursos da Universidade Eduardo Mondlane, Joel das Neves Tembe, disse que, para a melhoria do desempenho do pessoal afecto a gestão de documentos e arquivos, a sua instituição, através do Arquivo Histórico de Moçambique, tem promovido formação de recursos.

A ideia é que os quadros e técnicos desta instituição possam adquirir competências técnico-profissionais para prover serviços de informação de qualidade à luz da Lei do Direito a Informação em Moçambique e da implementação do Sistema Nacional de Arquivos do Estado.

Exortou aos formados para muito empenho, abnegação, e altruísmo na actualização e partilha dos conhecimentos apreendidos.

“A partir de hoje têm a grande responsabilidade de honrar a formação que tiveram e partilharem esse conhecimento com os demais membros da comunidade universitária”, disse.

Na ocasião, a Embaixadora da Turquia, Zeynep Kiziltan, salientou que a escolha da Universidade Eduardo Mondlane para beneficiar do projecto deve-se ao facto de ser uma das mais cotadas instituições de ensino superior do país.

Disse que a Turquia, através da Agência Turca TIKA, tem vários projectos com instituições públicas, mas que a sua implementação, este ano, foi condicionada pela COVID-19.

Na cerimónia de encerramento os beneficiários da formação receberam certificados de participação.

A capacitação foi oferecida pela Agência Turca de Cooperação e coordenada pelo Arquivo Histórico de Moçambique e o Gabinete de Cooperação.

Comments

O PRESIDENTE da República, Filipe Nyusi, endereçou ontem uma mensagem de felicitações ao cineasta João Ribeiro e à actriz Ana Magaia pelas conquistas alcançadas no panorama cinematográfico africano com o filme “Avó Dezanove e o Segredo Soviético”.

João Ribeiro arrebatou o prémio de Melhor Realizador Africano (Africa Best Director) e Ana Magaia arrecadou a distinção de Melhor Actriz Secundária (Africa Best Supporting Actress). Ambos galardões foram obtidos no Kisima Music & Film Awards 2020, cujo concurso decorreu recentemente no Quénia, país onde, mais uma vez, o profissionalismo de Ribeiro e Magaia em “Avó Dezanove e o Segredo Soviético” foi ovacionado.

Recentemente, esta obra cinematográfica foi agraciada com o prémio de Melhor Longa-Metragem de Ficção na 7ª edição do Festival Internacional de Cinema da Cidade da Praia (Plateau), em Cabo Verde.

Adaptado do livro homónimo do poeta e escritor angolano Ondjaki, o filme teve estreia mundial no Pan African Film Festival em Los Angeles.

A longa-metragem passou ainda por diversos festivais, entre os quais 5ª edição da Semana de Cinema Africano de Maputo (Moçambique), Festival International du Film Panafricain de Cannes (França) e Black International Cinema Berlin (Alemanha).

Em 2021 o filme irá fazer parte dos festivais New York African Film Festival (Estados Unidos) e Festival des Cinémas d’Afrique du Pays d’Apt (França).

“Avó Dezanove e o Segredo Soviético” decorre numa pequena vila africana à beira-mar, onde a construção de um mausoléu presidencial ameaça destruir as casas dos habitantes.

Jaki e o seu melhor amigo Pi engendram um plano mirabolante para “desplodir” o monumento e salvar o bairro. Um plano condenado ao fracasso, não fosse a inesperada intervenção de um soviético cheio de segredos.

Protagonizado pelos três jovens mirins: Keanu dos Santos, Caio Canda e Thainara Barbosa (o trio de protagonistas), acompanhados pelos experientes Anabela Adrianopoulos, Dmitry Bogomolov, Filimone Meigos e Flávio Bauraqui, o filme é uma co-produção entre Moçambique (Kanema Produções), Portugal (Fado Filmes) e Brasil (Grafo Audiovisual), com o apoio do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), ANCINE e Ibermedia.

Comments

O ESCRITOR Nelson Saúte lança hoje, na cidade de Maputo, o livro “Planisfério Moçambicano – Atlas Literário”.

A obra que sai sob a chancela da Editora Marimbique, é um volume que reúne textos sobre escritores, pintores, cantores, fotógrafos, actores e outras personagens da vida cultural moçambicana e africana, redigidos originalmente para o jornal “O País”, entre 2017 e 2018.

Autores como Noémia de Sousa, José Craveirinha, Marcelino dos Santos, Rui Nogar, Rui Knopfli, Albino Magaia, Leite de Vasconcelos, Aníbal Aleluia ou o pintor Malangatana mereceram atenção do escritor.

Na sua lavra, Nelson Saúte ateve-se ainda a figuras como os fotógrafos Ricardo Rangel ou Kok Nam, cantores como Zena Bacar, João Cabaço, Joaquim Macuácua, Pedro Langa ou Zeca Alage, ou ainda figuras como Nelson Mandela ou Kofi Annan, que atravessam as páginas deste livro.

Num breve textodeapresentação deste “Planisfério Moçambicano”, escreve-se sobre a obra: “É, sobretudo, uma celebração de Moçambique, dos seus autores, dos seus músicos, dos seus pintores, dos seus fotógrafos, da sua memória e da sua cultura, da sua inteligência e inquietude. Por outras palavras, um planisfério moçambicano: o país visto sob o ponto de vista cultural.”

Nelson Saúte nasceu em Maputo, Moçambique. É formado em Ciências de Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e é mestre em Sociologia pela USP (Universidade de São Paulo). Foi jornalista na imprensa, na rádio e televisão e foi docente universitário. Foi colunista e publicou textos literários nos seguintes periódicos em Moçambique: Notícias, Domingo, Tempo, Diário de Moçambique, Mediafax, Zambeze e O País.

Em Portugal integrou as redacções do JL (Jornal de Letras, Artes e Ideias) e do Público e colaborou na rádio TSF. Manteve um programa sobre livros na TVM e foi comentador político na Rádio Moçambique, onde se iniciou, nos anos 80, como actor, no programa “Cena Aberta”. Foi administrador executivo dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM).

Editou, ao longo de seis anos, a revista de bordo Índico da LAM. Fundou e é curador do Museu dos CFM. É editor da Marimbique. Publicou volumes de poesia, de ficção e de entrevistas, compilou e organizou antologias de poesia e de contos. Seus livros estão publicados em Moçambique, Portugal, Brasil, Itália e Cabo Verde.

Devido às medidas de prevenção da Covid-19 e às limitações que se impõem, o lançamento será num evento restrito. Contudo, o livro estará disponível nas livrarias e em vendas online.

Comments

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

Administrator: Rogério Sitoe

Administrator: Cezerilo Matuce

JORNAL DIGITAL


Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction