Director: Lázaro Manhiça

É HOJE homenageado, na sua própria casa, localizada no distrito de Marracuene, província de Maputo, o saxofonista e professor moçambicano Orlando da Conceição, numa iniciativa dinamizada pelo movimento cultural e solidário Jaime Mirandolino & Amigos (JMA), um veículo de diálogo, preservação e pesquisa das artes e cultura moçambicanas.

Será uma celebração a uma das mais internacionais figuras do jazz moçambicano que, neste que será um encontro informal, o artista será desafiado a dissertar sobre a sua vida e obra.

Durante o diálogo, os participantes terão a oportunidade de colocar as suas dúvidas e sugestões sobre como ter uma carreira artística bem consolidada. Orlando da Conceição, sobre este aspecto, é um grande exemplo.

“Temos o hábito de homenagear as pessoas enquanto já estão no além, mas nós queremos lembrar delas ainda vivas, para que saibam o quão são importantes para as artes e culturas, bem como para o ensino”, disse Jaime Mirandolino, líder da iniciativa.

O movimento também ofertará presentes simbólicos ao saxofonista, bem como ao músico José Mucavele (homenageado pelo mesmo grupo a 4 de Dezembro).

As mesmas prendas serão oferecidas ao coreógrafo e encenador David Abílio, antigo director da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNDC), que ontem completou 40 anos de existência.

Segundo Jaime Mirandolino, este é um momento único para juntar estes três artistas de grande relevância nacional e internacional, cuja dedicação às artes não os dá tempo tempo para sentarem e confraternizar.

“Eles têm uma vida de encontros sequenciados no palco, mas nunca o fizeram numa vertente informal como esta”, explica.

Orlando da Conceição é natural do distrito de Inharrime, província de Inhambane. Frequentou o Centro de Estudos Culturais (1978). Estudou música na Rússia e Arménia, na década 1980, mesma altura em que começa a dar aulas na Escola Nacional de Música.

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PINTAR sobre o vidro, uma técnica que embora não seja nova é pouco explorada no país, é o que propõe o artista plástico moçambicano Carnot N’zualo, na exposição individual “Pintura sobre o vidro: não sei o que é”, patente até 19 deste mês na Galeria do Flor de Café.

O pintor que entrou nesta aventura na busca de algo diferente, transformou vidros em telas e buscou um material propício para concretizar o seu ensejo. “Só vi isto trabalhado nas igrejas, em vidros coloridos. Nunca vi alguém a fazer, então foi uma experiência ímpar para mim”, revelou.

Foi deste modo que nasceram as 14 peças que compõem a individual de quem experimentou a dificuldade de fazer arte sobre o vidro, um “terreno” escorregadio e sensível. “Parti muitos vidros e cortei-me bastante”, brinca.

A sensibilidade deste material, entretanto, não o fez desistir, apesar de tomar conhecimento da dificuldade de encontrar os materiais necessários para secar a tinta na vidraça e dar o brio que se pretende. 

“Tive uma conversa muito útil com o mestre Naguibo e disse que tinha que pedir alguém trazer-me uma espécie de tinta de gel grosso directamente de Portugal ou da Espanha”, mas, por questões financeiras aliadas à crise causada pela pandemia do novo coronavírus, “decidi trabalhar com o material disponível no nosso mercado”.

Neste sentido, as peças que podem ser apreciadas na Flor de Café resultam de muitos ensaios de “spray” e tinta acrílica.

Carnot explica que o vidro exige que seja pintado pelos dois lados de modo a melhor combinar as cores, visto que trata-se de uma tela transparente. “É mais trabalhoso porque tens que fazer as duas faces e muitas vezes, ao pintar atrás, tens que imaginar a coisa que pode aparecer a frente”, explicou.

A exposição continua com a mesma ideologia temática das mostras anteriores do artista. Quem pôde apreciar os outros trabalhos pode perceber esta proximidade que faz com que o expositor não seja ofuscado pelas novas obras.

Aborda a profundidade da alma, na obra “Flores d’Alma”, a beleza feminina, em “Langery”, o quotidiano, em “Fofoqueiro”, a vida no deserto, em “Sahara” e as ocasiões especiais em “Cabaz do Chefe I e II”, que junto de “O Garrafão de Muphaquel”, são as duas criações mais diferentes que fazem o apreciador viajar para o mundo da reciclagem.

Os garrafões são de vinho de vinte litros e fazem parte da colecção particular do artista. São uma relíquia do tempo colonial.

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A INTERCULTURALIDADE é a principal proposta de “Entre Margens: Diálogo intercultural e outros textos”, o mais recente livro da professora, ensaísta e escritora moçambicana Sara Jonas.

Na obra de crónicas que sai sob a chancela da Gala Gala Edições, a autora aborda questões interculturais que caracterizam o país e quase todo o continente africano e, conforme explica o apresentador da publicação, o professor Cristiano Matsinhe, na voz da professora e poeta Ana Mafalda Leite, a escritora procura trazer uma abordagem mais profunda de assuntos sensíveis ligados à cultura e tradições.

Neste sentido, do mesmo modo que ela aprecia os bons costumes dentro de algumas crenças africanas também procura ser uma pensadora equilibrada, que se mostra contra, por exemplo, a violação dos direitos humanos desrespeitados em nome de tradição.

É neste sentido que a autora viaja para locais como a província de Gaza, onde dentre alguns rituais, opõe-se ao ritual de “purificação” de viúvas denominado “Kutxinga”, no qual a mulher vê-se obrigada a envolver-se em relações sexuais com o irmão do seu falecido marido.

Na mesma perspectiva, a escritora revela-se contra uniões prematuras e defende que “tradições que colocam em risco a vida das pessoas devem ser mudadas”, conforme explica Matsinhe.

Sara Jona mostra-se ainda contra o estigma dos grupos considerados minoritários, como “os albinos que não morrem ou desaparecem”, considera Matsinhe. 

Deste modo, resgata as figuras do feiticeiro e do curandeiro e faz-se mediadora do eterno debate sobre a religiosidade africana versus a ocidental.

A académica, neste sentido, entra e divaga entre os domínios mundano e extra-mundano e aborda fenómenos da realidade, que para algumas pessoas são fictícias. Fala de eventos, diga-se, trágico-mágicos, explicados pela mitologia.

Ela não deixa de reforçar, mesmo assim, que a cultura é uma das grandes riquezas de um povo e deve, por isso, ser exaltada. Nas suas crónicas fala de elementos identitários nacionais como capulana, como se fosse a concretização do sonho de um Moçambique que é realmente um Estado-nação.

Sara diz que igual à timbila ficou-lhe “sempre a ideia de haver segredos contados pela capulana”, daí que já “estava a dever um texto sobre isso”.

“Havia uma dívida que eu tinha sobre os diferentes modos de amarrar a capulana e à possibilidade de ela ser integrada como património cultural da humanidade”, considerou.   

Para Cristiano Matsinhe estas narrativas acontecem sem que a autora deixe de manter sempre o equilíbrio de estilo e forma de estruturar os seus textos.

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DECORRE amanhã, às 18h, na Galeria do Porto de Maputo, o concerto do fim-de-ano relativo à última temporada de música clássica, edição 2020.

A direcção musical estará a cargo de Ministra da Cultura e Turismo e fundadora do projecto Xiquitsi, Eldevina Materula.

O show desta orquestra e coro, na qual a ministra vai como convidada, será transmitido ao vivo nas plataformas de streaming e na página Facebook do Xiquitsi.

Contará com a presença de dois solistas, designadamente, Florêncio Manhique e Kleyd Alfainho.

Pela primeira vez, Xiquitsi vai realizar um concerto somente com solistas moçambicanos, materializando-se,deste modo, o grande sonho da fundadora do projecto. Os dois solistas são alunos do projectoe frequentam a Escola Superior de Música de Lisboa, Portugal.

Para além de músicos nacionais, o concerto vai contar com a professora Ágata Ricca na direcção coral.

Oprojecto Xiquitsi,reinventando-se devido a Covid -19, vai mostrar, neste concerto, parte do resultado das aulas online a que os alunos foram submetidos.

Oprojectotem cerca de 200 alunos distribuídos entre os naipes (grupos) de violino, viola, violoncelo, contrabaixo, oboé, clarinete e percussão e canto.

Pelo projecto já passaram artistas da África do Sul, Alemanha, Argentina, Brasil, China, Espanha, Finlândia, França, Inglaterra, Israel, Japão, Noruega, Portugal, Suécia, Uruguai e Venezuela, país que inspirou o Xiquitsi.

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O INSTITUTO Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INIC) exibe desde 11.00 horas de hoje, nas suas instalações, localozadas na cidade de Maputo, o filme “Virgem Margarida”, do realizador Licínio Azevedo.

A sessão de filme será seguida de uma conversa com o cineasta que discutirá a obra junto de pesquisadores e activistas, no âmbito da campanha “16 Dias Activismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres”.

Lançada em 2013, a longa-metragem narra o drama vivido por um grupo de prostitutas aprisionadas num campo de reeducação, na província do Niassa, norte de Moçambique, nos anos que seguira a independência.Entre elas estáa adolescente Margarida, uma virgem de 16 anospresa por engano.

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