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Director: Lázaro Manhiça

Gestores de arquivos da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) foram formados recentemente em gestão de documentos e arquivos oferecido pela Agência Turca de Cooperação.

Ao todo, foram 22 funcionários ligados à gestão de documentos e arquivos das diferentes unidades orgânicas desta instituição universitária que beneficiaram da formação que abordou temáticas sobre a legislação e regulamentos para serviços de arquivos e gestão de documentos.

Foram igualmente formados em regras formais de correspondência, serviços de arquivamento e implementação do plano de arquivo, procedimentos de classificação de documentos de arquivos do Estado, procedimento de transferência de documentos para arquivo, eliminação de documentos, sistemas de gestão de documentos electrónicos, entre outros.

No acto de encerramento, o Vice-Reitor para Administração e Recursos da Universidade Eduardo Mondlane, Joel das Neves Tembe, disse que, para a melhoria do desempenho do pessoal afecto a gestão de documentos e arquivos, a sua instituição, através do Arquivo Histórico de Moçambique, tem promovido formação de recursos.

A ideia é que os quadros e técnicos desta instituição possam adquirir competências técnico-profissionais para prover serviços de informação de qualidade à luz da Lei do Direito a Informação em Moçambique e da implementação do Sistema Nacional de Arquivos do Estado.

Exortou aos formados para muito empenho, abnegação, e altruísmo na actualização e partilha dos conhecimentos apreendidos.

“A partir de hoje têm a grande responsabilidade de honrar a formação que tiveram e partilharem esse conhecimento com os demais membros da comunidade universitária”, disse.

Na ocasião, a Embaixadora da Turquia, Zeynep Kiziltan, salientou que a escolha da Universidade Eduardo Mondlane para beneficiar do projecto deve-se ao facto de ser uma das mais cotadas instituições de ensino superior do país.

Disse que a Turquia, através da Agência Turca TIKA, tem vários projectos com instituições públicas, mas que a sua implementação, este ano, foi condicionada pela COVID-19.

Na cerimónia de encerramento os beneficiários da formação receberam certificados de participação.

A capacitação foi oferecida pela Agência Turca de Cooperação e coordenada pelo Arquivo Histórico de Moçambique e o Gabinete de Cooperação.

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O PRESIDENTE da República, Filipe Nyusi, endereçou ontem uma mensagem de felicitações ao cineasta João Ribeiro e à actriz Ana Magaia pelas conquistas alcançadas no panorama cinematográfico africano com o filme “Avó Dezanove e o Segredo Soviético”.

João Ribeiro arrebatou o prémio de Melhor Realizador Africano (Africa Best Director) e Ana Magaia arrecadou a distinção de Melhor Actriz Secundária (Africa Best Supporting Actress). Ambos galardões foram obtidos no Kisima Music & Film Awards 2020, cujo concurso decorreu recentemente no Quénia, país onde, mais uma vez, o profissionalismo de Ribeiro e Magaia em “Avó Dezanove e o Segredo Soviético” foi ovacionado.

Recentemente, esta obra cinematográfica foi agraciada com o prémio de Melhor Longa-Metragem de Ficção na 7ª edição do Festival Internacional de Cinema da Cidade da Praia (Plateau), em Cabo Verde.

Adaptado do livro homónimo do poeta e escritor angolano Ondjaki, o filme teve estreia mundial no Pan African Film Festival em Los Angeles.

A longa-metragem passou ainda por diversos festivais, entre os quais 5ª edição da Semana de Cinema Africano de Maputo (Moçambique), Festival International du Film Panafricain de Cannes (França) e Black International Cinema Berlin (Alemanha).

Em 2021 o filme irá fazer parte dos festivais New York African Film Festival (Estados Unidos) e Festival des Cinémas d’Afrique du Pays d’Apt (França).

“Avó Dezanove e o Segredo Soviético” decorre numa pequena vila africana à beira-mar, onde a construção de um mausoléu presidencial ameaça destruir as casas dos habitantes.

Jaki e o seu melhor amigo Pi engendram um plano mirabolante para “desplodir” o monumento e salvar o bairro. Um plano condenado ao fracasso, não fosse a inesperada intervenção de um soviético cheio de segredos.

Protagonizado pelos três jovens mirins: Keanu dos Santos, Caio Canda e Thainara Barbosa (o trio de protagonistas), acompanhados pelos experientes Anabela Adrianopoulos, Dmitry Bogomolov, Filimone Meigos e Flávio Bauraqui, o filme é uma co-produção entre Moçambique (Kanema Produções), Portugal (Fado Filmes) e Brasil (Grafo Audiovisual), com o apoio do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), ANCINE e Ibermedia.

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O ESCRITOR Nelson Saúte lança hoje, na cidade de Maputo, o livro “Planisfério Moçambicano – Atlas Literário”.

A obra que sai sob a chancela da Editora Marimbique, é um volume que reúne textos sobre escritores, pintores, cantores, fotógrafos, actores e outras personagens da vida cultural moçambicana e africana, redigidos originalmente para o jornal “O País”, entre 2017 e 2018.

Autores como Noémia de Sousa, José Craveirinha, Marcelino dos Santos, Rui Nogar, Rui Knopfli, Albino Magaia, Leite de Vasconcelos, Aníbal Aleluia ou o pintor Malangatana mereceram atenção do escritor.

Na sua lavra, Nelson Saúte ateve-se ainda a figuras como os fotógrafos Ricardo Rangel ou Kok Nam, cantores como Zena Bacar, João Cabaço, Joaquim Macuácua, Pedro Langa ou Zeca Alage, ou ainda figuras como Nelson Mandela ou Kofi Annan, que atravessam as páginas deste livro.

Num breve textodeapresentação deste “Planisfério Moçambicano”, escreve-se sobre a obra: “É, sobretudo, uma celebração de Moçambique, dos seus autores, dos seus músicos, dos seus pintores, dos seus fotógrafos, da sua memória e da sua cultura, da sua inteligência e inquietude. Por outras palavras, um planisfério moçambicano: o país visto sob o ponto de vista cultural.”

Nelson Saúte nasceu em Maputo, Moçambique. É formado em Ciências de Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e é mestre em Sociologia pela USP (Universidade de São Paulo). Foi jornalista na imprensa, na rádio e televisão e foi docente universitário. Foi colunista e publicou textos literários nos seguintes periódicos em Moçambique: Notícias, Domingo, Tempo, Diário de Moçambique, Mediafax, Zambeze e O País.

Em Portugal integrou as redacções do JL (Jornal de Letras, Artes e Ideias) e do Público e colaborou na rádio TSF. Manteve um programa sobre livros na TVM e foi comentador político na Rádio Moçambique, onde se iniciou, nos anos 80, como actor, no programa “Cena Aberta”. Foi administrador executivo dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM).

Editou, ao longo de seis anos, a revista de bordo Índico da LAM. Fundou e é curador do Museu dos CFM. É editor da Marimbique. Publicou volumes de poesia, de ficção e de entrevistas, compilou e organizou antologias de poesia e de contos. Seus livros estão publicados em Moçambique, Portugal, Brasil, Itália e Cabo Verde.

Devido às medidas de prevenção da Covid-19 e às limitações que se impõem, o lançamento será num evento restrito. Contudo, o livro estará disponível nas livrarias e em vendas online.

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É HOJE homenageado, na sua própria casa, localizada no distrito de Marracuene, província de Maputo, o saxofonista e professor moçambicano Orlando da Conceição, numa iniciativa dinamizada pelo movimento cultural e solidário Jaime Mirandolino & Amigos (JMA), um veículo de diálogo, preservação e pesquisa das artes e cultura moçambicanas.

Será uma celebração a uma das mais internacionais figuras do jazz moçambicano que, neste que será um encontro informal, o artista será desafiado a dissertar sobre a sua vida e obra.

Durante o diálogo, os participantes terão a oportunidade de colocar as suas dúvidas e sugestões sobre como ter uma carreira artística bem consolidada. Orlando da Conceição, sobre este aspecto, é um grande exemplo.

“Temos o hábito de homenagear as pessoas enquanto já estão no além, mas nós queremos lembrar delas ainda vivas, para que saibam o quão são importantes para as artes e culturas, bem como para o ensino”, disse Jaime Mirandolino, líder da iniciativa.

O movimento também ofertará presentes simbólicos ao saxofonista, bem como ao músico José Mucavele (homenageado pelo mesmo grupo a 4 de Dezembro).

As mesmas prendas serão oferecidas ao coreógrafo e encenador David Abílio, antigo director da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNDC), que ontem completou 40 anos de existência.

Segundo Jaime Mirandolino, este é um momento único para juntar estes três artistas de grande relevância nacional e internacional, cuja dedicação às artes não os dá tempo tempo para sentarem e confraternizar.

“Eles têm uma vida de encontros sequenciados no palco, mas nunca o fizeram numa vertente informal como esta”, explica.

Orlando da Conceição é natural do distrito de Inharrime, província de Inhambane. Frequentou o Centro de Estudos Culturais (1978). Estudou música na Rússia e Arménia, na década 1980, mesma altura em que começa a dar aulas na Escola Nacional de Música.

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PINTAR sobre o vidro, uma técnica que embora não seja nova é pouco explorada no país, é o que propõe o artista plástico moçambicano Carnot N’zualo, na exposição individual “Pintura sobre o vidro: não sei o que é”, patente até 19 deste mês na Galeria do Flor de Café.

O pintor que entrou nesta aventura na busca de algo diferente, transformou vidros em telas e buscou um material propício para concretizar o seu ensejo. “Só vi isto trabalhado nas igrejas, em vidros coloridos. Nunca vi alguém a fazer, então foi uma experiência ímpar para mim”, revelou.

Foi deste modo que nasceram as 14 peças que compõem a individual de quem experimentou a dificuldade de fazer arte sobre o vidro, um “terreno” escorregadio e sensível. “Parti muitos vidros e cortei-me bastante”, brinca.

A sensibilidade deste material, entretanto, não o fez desistir, apesar de tomar conhecimento da dificuldade de encontrar os materiais necessários para secar a tinta na vidraça e dar o brio que se pretende. 

“Tive uma conversa muito útil com o mestre Naguibo e disse que tinha que pedir alguém trazer-me uma espécie de tinta de gel grosso directamente de Portugal ou da Espanha”, mas, por questões financeiras aliadas à crise causada pela pandemia do novo coronavírus, “decidi trabalhar com o material disponível no nosso mercado”.

Neste sentido, as peças que podem ser apreciadas na Flor de Café resultam de muitos ensaios de “spray” e tinta acrílica.

Carnot explica que o vidro exige que seja pintado pelos dois lados de modo a melhor combinar as cores, visto que trata-se de uma tela transparente. “É mais trabalhoso porque tens que fazer as duas faces e muitas vezes, ao pintar atrás, tens que imaginar a coisa que pode aparecer a frente”, explicou.

A exposição continua com a mesma ideologia temática das mostras anteriores do artista. Quem pôde apreciar os outros trabalhos pode perceber esta proximidade que faz com que o expositor não seja ofuscado pelas novas obras.

Aborda a profundidade da alma, na obra “Flores d’Alma”, a beleza feminina, em “Langery”, o quotidiano, em “Fofoqueiro”, a vida no deserto, em “Sahara” e as ocasiões especiais em “Cabaz do Chefe I e II”, que junto de “O Garrafão de Muphaquel”, são as duas criações mais diferentes que fazem o apreciador viajar para o mundo da reciclagem.

Os garrafões são de vinho de vinte litros e fazem parte da colecção particular do artista. São uma relíquia do tempo colonial.

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