O FOGO consome tudo o que encontra. As chamas são insaciáveis. O seu apetite é incomensurável. Nesta semana, nas águas da baía de Maputo, uma embarcação transformou-se em cinzas. A fumaça passeou pela avenida e deu um perfume indesejável às pessoas, que tiveram o azar de cruzar o seu caminho. Mas o drama passou longe, nenhuma vida foi perdida. Falando em vida, reparem para a vivacidade das nossas danças tradicionais. Sem dúvidas, a arte é terapia.

Mas isso é cíclico, num dos troços da Av. de Moçambique, o fogo foi mais uma vez invocado. Igual a si mesmo, ele incendiou pneus e trouxe o caos, próprio das convulsões. A contenda, que foi apaziguada, envolvia transportadores, que paralisaram o trânsito por duas horas. No entanto, a tranquilidade reinou. 

Mas paremos de focar aspectos negativos. Este é o mês da mulher e elas merecem ser enaltecidas. Devemos expor os nossos sentimentos por ela, hoje e sempre. Nossos corações, por mais metálicos que sejam, devem ser desbravados, para se entregarem ao fascínio do amor.

E só para terminar. Mirem às semelhanças, não apenas as físicas dos “Mabunda”. A arte une.

 

Comments

NADA é conseguido sem sacrifícios. É preciso transpirar para se alcançar o desejado. Mas dói na carne, no tutano, na alma, ver o resultado de muito suor entregue à sua sorte. 

Algumas imagens levam a crer que o país próspero que almejamos é um sonho privado, de uns poucos, porque nada justifica tamanha imundice, numa altura em que o turismo é uma das maiores esperanças, para o desemprego, que assola uma larga maioria de moçambicanos.

Dá mesmo para perguntar se os responsáveis por algumas pastas têm consciência da missão, que devem cumprir, pois nada justifica que as bermas da Estrada Circular, cujas obras estão por concluir, estejam a ser ornamentadas por capim, sugerindo que nós os citadinos da capital não sabemos cuidar do nosso meio. Por favor, respeitem-nos!

 

 

 

 

 

 

 

Comments

AS notícias que chegam da Beira não são nada animadoras. São, pelo menos, perto de 500 óbitos, oficialmente, identificados. É como se o inferno tivesse transferido o seu endereço para aquela cidade.

Com imagens de avenidas “depiladas”, quase “carecas” dos edifícios e árvores de outrora, o caos mostra o seu rosto. O desespero de pessoas que perderam familiares e bens que levaram a vida inteira a consegui-los, atestam as trevas, que os nossos irmãos beirenses vivem desde o ciclone Idai. É como escreveu Mia Couto, em reacção, parece que a urbe do Chiveve foi “condenada ao escuro, ao luto e ao silêncio (…) [pois] não há mais chão”.

Os gestos bonitos de solidariedade – a provar que a humanidade a viver com mais amor não é uma miragem – são àquela luz, lá, no fundo do túnel. Dizemos lá porque a situação ainda é crítica e a normalidade – se é que um dia voltará a ser vivida pelas vítimas – está distante.

Algumas equipas de heróis, isto é, de militares, médicos e voluntários de variadas áreas já estão a anunciar o regresso para as suas casas. E assim será com todos os outros que se deslocaram a Beira com a finalidade de apoiar às vítimas.

É com os olhos no que vai acontecer depois do susto que as atenções agora devem estar a virar-se. Os escombros e as ruínas, tanto as de edifícios quanto as físicas e as espirituais precisam de ser removidas para que se prossiga rumo à nova Beira.

A esta altura, recordamo-nos do poeta luso-moçambicano, Rui de Noronha, a gritar, quase desesperado, no poema  “África, surge et ambula!”, que devemos acordar, levantar e abrir a cortina para que a luz entre e construamos a vida que desejamos.

Partindo do poeta, convidamos os nossos irmãos a reerguerem-se para seguir em frente e continuar a peregrinação até ao destino final, ao progresso. É preciso deixar as lágrimas e  erguer-se para começar a reconstruir o destruído. Arregaçar as mangas para construir novamente.

Por outro lado, não apenas a cidade da Beira, o centro e o país devem estar preocupados, mas o mundo todo porque o ciclone foi apenas uma das amostras do que nos irá acontecer com o planeta, caso continuemos a ignorar ao aquecimento global.

Há anos que cientistas denunciam que a forma como tratamos do planeta está a criar feridas na camada do ozono e a derreter os glaciares, bem como a destruir a forma como a natureza foi se comportando durante milénios.

O escritor angolano, Eduardo Agualusa, recordou-nos, em entrevista ao Público (Pt) que “é uma coisa que se vai repetir; estamos a entrar, no mundo todo, num tempo novo, que é um tempo de grandes desastres resultantes do desequilíbrio do clima e do ambiente”. Nesse alerta ainda disse: em países como Moçambique, e em Angola também, e nos restantes países do sul, tem de se pensar como viver nesta nova situação; como viver num mundo sujeito a ciclones deste tipo.

No mesmo diapasão, o escritor ainda chamou atenção para o tipo de agricultura e outras formas de indústria que na Europa já não são aceites mas estão a ser ensaiadas em países como Moçambique. Beira, levante-te e caminhe. Surge et Ambula!

Comments

VÁRIAS crianças estão a enfrentar dias difíceis na Beira e, cobertos pela inocência, não fazem a mínima ideia do que se está a passar. É por essa razão que gesto como este de carinho da Primeira-dama, Isaura Nyusi, é bonito e deve ser replicado. E porque é de pequeno que se torce o pepino, não podemos deixar de celebrar estes adolescentes que deram um pouco de si para ajudar aos seus irmãos no centro do país. Com um riso estampado, esperançosa, Yolanda Cintura, governadora da cidade de Maputo, recebeu os seus donativos. Mas para se ser solidário, basta apenas a empatia, o sentir a dor do outro, como vemos o Roque Silva,  secretário-geral do partido Frelimo enquanto entrega o apoio ao director adjunto do Instinto Nacional de Gestão de Calamidades, Casimiro de Abreu. E nestas, há sempre histórias que vão ficar, para as gargalhadas. Por exemplo, esta do Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, a abotoar a camisa de Daviz Simango, autárca da Beira. É como quem, com sorriso, repara uma falta de decoro ao receber uma pessoa mais velha. É assim que recebemos as nossas visitas em casa?

Comments

Comments
Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction