JÁ há vozes no mundo a reivindicar a elevação da literatura à categoria de direito humano. O argumento é que a relação de proximidade com as artes humaniza mais as pessoas.

Os defensores desta posição sustentam que as artes, no geral, devem estar em pé de igualdade com o direito à alimentação, residência, vestuário, instrução, saúde, justiça, resistência à opressão, crença, opinião, lazer...

É, neste sentido, entendida a literatura como uma necessidade básica para a vida de um indivíduo, pois participa na formação do seu carácter e alimenta a sua dimensão espiritual.

Sabe-se que depois de ler um livro a percepção do mundo se altera por aquele desenvolver competências e habilidades que ampliam as mentes. A visão sobre o mundo e sobre a vida torna-se mais apurada e perspicaz.

Quando olhamos para esta discussão, é inevitável reparar para a nossa realidade em que o acesso ao livro ainda constitui uma miragem. Uma livraria ou uma biblioteca ainda continua a ser um oásis.

Sem nos posicionarmos na reivindicação, apenas nos iremos aproveitar dela para mais uma vez recordar que é urgente uma política de leitura, de facilitação de acesso ao livro.

A construção de uma sociedade sã tem na sua base a educação. A consciência de um cidadão é moldada por uma instrução sólida, e a literatura desempenha um papel preponderante nesse processo.

A História está recheada de exemplos concretos de que o avanço social, desde as civilizações mais antigas, como a egípcia, passando pela chinesa, persa, grega ou romana, sempre teve nos escritos um instrumento fundamental.

É neste contexto que se apela ao apetrechamento das bibliotecas públicas, projectos que levem o livro para os bairros, zonas recônditas. Iniciativas desenvolvidas pelo Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa (FBLP) e por outras instituições que lidam com o livro devem ser multiplicadas. É preciso massificar o acesso a este bem. O escritor brasileiro Carlos Drummond de Andrade disse que o seu sonho era que a literatura se tornasse numa arte popular. Que tal se atingíssemos o estágio de termos crianças nos bairros a conversarem sobre literatura, a partilharem no WhatsApp e no Facebook citações de Marcelo Panguana, Aldino Muianga, Álvaro Taruma, Mbate Pedro, António Cabrita ou Sónia Sultuane? Que tal se fosse obrigatório que os alunos, nas primeiras classes de escolaridade, fossem introduzidos à literatura? Que tal se tivessem de ler e desenvolver outras actividades lúdicas a partir do livro? Que tal?

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Ninguém

oferece flores.

 

A flor,

em sua fugaz existência,

já é a oferenda.

 

Talvez, alguém,

de amor,

se ofereça em flor.

 

Mas só a semente

oferece flores.

 

Poema de Mia Couto retirado do livro “Tradutor de Chuvas” (Editorial Caminho, Março de 2011)

*Titulo nosso.

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