Oroubo de cabos eléctricos é um assunto já antigo no país. É um problema cujas narrativas há anos constam dos noticiários. Diríamos, de acordo com o ditado popular, que é um assunto já de barbas brancas.

Perde-se a contagem do número de concidadãos que perderam a vida pendurados em postes de iluminação pública durante esse “ofício”, o que indica que há um mercado estabelecido interessado no produto.

Diante desse quadro, não espanta que haja tentativas, como noticiamos neste matutino, de roubo de cabos de condução de energia da Ponte Maputo-KaTembe. O que surpreende é a ausência de segurança para acautelar essa situação.

Quando olhamos para o valor desembolsado pelo Estado para a construção da ponte (perto de 800 milhões de dólares), ou seja, do suor diário de cada moçambicano, a revolta toma conta, sobretudo quando constatamos que não se acautelou uma situação que, em face da nossa história recente, é recorrente.

A escassos quilómetros da 1ª Esquadra da Cidade de Maputo, criminosos, ao bel-prazer comprometem a iluminação de uma infra-estrutura gigantesca. Para além de facilitar a circulação de pessoas e bens, desta forma contribuindo para o desenvolvimento do país, “Maputo-KaTembe” representa um símbolo de grandeza, um cartão postal para o país e para o continente, pela sua dimensão.

Tratar esta infra-estrutura de forma irresponsável é “matar” o sonho de ligar a KaTembe ao centro urbano da cidade de Maputo, de encurtar a distância, para o acesso a uma das praias mais bonitas do país, a Ponta de Ouro, para não referir-se a proximidade com a vizinha África do Sul, onde há séculos irmãos nossos transpiram por uma vida melhor.

Não se pode levar esta situação de ânimo leve, pois é o retrato da negligência de indivíduos gestores de instituições, que deveriam ter consciência do seu papel e do significado desta conquista.

É curta a distância para questionarmos se, uma vez demonstrada a incapacidade para cuidar desta ponte, todos os moçambicanos que estão a pagá-la devem deixar de trabalhar para irem sentar-se ali e assegurar que os infractores não tenham espaço para exercer a sua sabotagem e, assim, assegurar que o seu investimento está seguro e a ser bem cuidado.

Não é saudosismo recordar que num passado nem tão distante assim as manobras dos candongueiros e xiconhocas foram combatidas com rigor exemplar e veemência. Desde a fundação desta jovem nação que os actos que atrasam o progresso merecem um tratamento específico, que não estimula a prática de malandrices.

Ao deixar aqueles cabos ao abandono, quem supostamente tem a responsabilidade de garantir o seu cuidado é cúmplice do crime.

Ao constatar-se que não há capacidade para assegurar uma infra-estrutura de tamanha envergadura porquê não optar-se por terciarizar o serviço de segurança?

Sim, ao ficar evidente a ignorância sobre a importância da ponte, o melhor é passar essa responsabilidade a quem possa exercê-la com o zelo que merece e quem serão cobradas responsabilidades em caso de incumprimento.

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