O MAU estado da estrada que liga ao Centro de Saúde de Natite, na cidade de Pemba, em Cabo Delgado, está a condicionar a circulação de ambulâncias, transportando doentes transferidos daquela unidade sanitária para o Hospital Provincial local.

A rodovia encontra-se em acentuado estado de degradação, na sequência da erosão provocada pelas intensas chuvas que se seguiram à passagem, há mais de três semanas, do ciclone tropical Kenneth, que provocou luto e destruição de diversas infra-estruturas públicas e privadas em diversos distritos de Cabo Delgado.

Se antes uma ambulância transportando, por exemplo, uma mulher grávida com necessidades especiais de parto levava entre cinco e sete minutos para chegar ao Hospital Provincial de Pemba, a partir do Centro de Saúde de Natite, agora demora cerca de meia hora ou mais, devido ao mau estado da rodovia.

Félix Palito, director do Centro de Saúde, explicou à nossa Reportagem que devido à degradação da estrada as ambulâncias são obrigadas a usar vias alternativas, mas, concretamente, aquela que passa pelo Mercado Mbanguia, onde, devido ao intenso movimento dos vendedores e clientes,  os motoristas têm que redobrar as medidas de precaução para não atropelá-los.

Devido ao facto, o nosso interlocutor considera urgente que o Conselho Autárquico da cidade de Pemba proceda à reparação da rodovia para se ultrapassar os transtornos.

As chuvas torrenciais que seguiram à passagem do “Kenneth”, na cidade de Pemba, para além de provocar mortes, alagamento e desabamento de casas, destruíram grande parte dos cem quilómetros das estradas da urbe.

Para saber do que está sendo feito pelo Conselho Autárquico para repor o trânsito na estrada que liga ao Centro de Saúde de Natite, não só, como de outras vias da cidade destruídas pelas chuvas, contactámos o vereador de Infra-Estruturas e Obras Municipais, Rosário Ngoma, o qual não precisou quando é que tal deverá ocorrer.

“Estivemos a trabalhar no levantamento dos estragos, para depois avançarmos na quantificação das necessidades de intervenção, informação que esperamos apresentar, brevemente, ao presidente do Conselho Autárquico, para os devidos efeitos”, explicou Rosário Ngoma.

Contudo, reconheceu que a estrada precisa de ser vista com atenção especial, porque estão em jogo vidas humanas.

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Mais de oito mil moçambicanos deslocados do distrito de Morrumbala, na Zambézia, e que, actualmente, se encontram no centro de acomodação de Nsange, na vizinha República do Malawi, na sequência do ciclone Idai, que em Março último fustigou seriamente a região Centro do país, continuam ali acomodados, apesar das dificuldades alimentares e habitacionais que enfrentam.

A maior parte dos deslocados moçambicanos que se encontram acomodados no centro de Nsange são crianças, que, por ainda não terem retornado ao país, também não retomaram as aulas, o que poderá comprometer a sua situação no presente ano lectivo.

No entanto, as autoridades governamentais do distrito de Morrumbala e do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) refutam as informações, dando conta de que tais moçambicanos continuam refugiados naquele país vizinho.

Aliás, a delegada no INGC na Zambézia, Maria Madalena Luciano, para além de negar que oito mil moçambicanos ainda não retornaram ao país, disse, quando contactado pela nossa Reportagem, que no total são três mil pessoas que tinham atravessado a fronteira para o Malawi, em resultado dos efeitos nefastos provocados pela passagem do ciclone Idai e das inundações do rio Chire.

Por seu turno, o administrador distrital, Pedro Sapange, disse que a questão de regresso de moçambicanos refugiados no Malawi, devido às calamidades naturais, foi tratada a nível das representações diplomáticas dos dois países, voltando a reiterar que o número de pessoas que fugiram do país no pico da situação calamitosa é de três mil, não oito mil.

A delegada do INGC na Zambézia reconhece que no início foi difícil assistir às pessoas afectadas, não só a nível do distrito de Morrumbala, como também nos outros pontos da província. No entanto, conforme referiu, a situação foi ultrapassada com o estabelecimento da ponte aérea.

A Rádio Moçambique reporta que os oito mil moçambicanos naquele país estão acomodados em dez centros criados pelas autoridades malawianas. O cônsul de Moçambique naquele país, André Matusse, é citado a afirmar que durante a ocorrência do desastre natural os deslocados enfrentaram muitas dificuldades, porque não tinham sequer tecto para se abrigarem, temporariamente.

Acrescentou que, na altura, foi necessário mobilizar vários parceiros que responderam, positivamente, aos apelos de ajuda humanitária, mobilizando víveres e lonas para a construção de abrigos temporários. Matusse é, igualmente, citado a afirmar que, face ao restabelecimento da vida nas zonas afectadas pelo ciclone, incluindo a reconstrução de algumas infra-estruturas sociais, nada justifica que os moçambicanos permaneçam nos centros de acomodação criados no distrito malawiano de Nsange.

Face à recusa de regressarem às suas zonas de origem no país, o cônsul de Moçambique no Malawi disse ter sido necessário fazer um levantamento para perceber o fenómeno. Explicou que desse trabalho constatou-se que havia algumas organizações que prometiam ajuda aos deslocados, situação que fez com que as pessoas se recusassem a regressar a Morrumbala.

“As pessoas continuam a receber ajuda de outras organizações e, nalguns casos, as condições dos centros melhoraram, mas nada justifica a sua permanência”, disse André Matusse citado pela Rádio Moçambique.

Entretanto, o INGC já encerrou os centros de acomodação, mas há informações segundo as quais ainda não foram criadas condições materiais para garantir a vida das pessoas. Foram distribuídos terrenos para muitas famílias, mas ainda não foram concedidos materiais para a construção das suas casas e nem há sinais, a curto prazo, para edificar infra-estruturas sociais, nomeadamente, unidades sanitárias, escolas, fontes de abastecimento de água potável, entre outras.

JOCAS ACHAR

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O receio de ser discriminado e sofrer humilhação ou ter oportunidade de ganhar, pelo menos uma vez na infância, indumentária nova e beneficiar de uma festa de invejar a comunidade são alguns dos factores que impelem os jovens de ambos os sexos para os ritos de iniciação, no distrito de Ngaúma, na província do Niassa.

São adolescentes com idades compreendidas entre os 10 e 15 anos, que disseram à nossa Reportagem que esta é uma porta para se mostrarem e marcarem diferença com outros meninos e meninas, para além de que irão, a partir deste ritual, ganhar respeito e estarem mais bem preparados para a vida.

Assime Américo, aluna frequentando a sexta classe, na vila de Massangulo, disse à nossa reportagem que depois de completar dez anos de idade, começou a sentir que estava sendo discriminada pelas meninas com quem convivia no seu bairro residencial, assim como na escola, de tal maneira  que decidiu ficar mesmo isolada, alegadamente, porque já não falavam com ela.

“Certo dia questionei a uma menina, que eu considerava minha melhor amiga, a razão de não falarem mais comigo no bairro, assim como na escola, onde juntos frequentávamos a quarta classe. Sem hesitação, ela respondeu que souberam que eu não tinha sido submetida ainda aos ritos de iniciação, que na língua local é “unhago”. Acrescentou que sem participar no ritual, eu sempre seria considerada “criança”, mesmo quando atingisse a maioridade -lembrou Assime Américo, que, prontamente, transmitiu o conteúdo da sua conversa com a colega aos pais.

Em Fevereiro de 2017, quando completou 11 anos de idade, foi submetida aos ritos de iniciação, por um período de 17 dias, facto que implicou o reinício tardio do ano lectivo escolar. Indagada sobre o conteúdo das mensagens, que eram transmitidas no ritual, a entrevistada disse que a “ingaliba”, ou seja matrona ou conselheira, focava sobre os aspectos da vida sexual, sobretudo, a sua preparação para o casamento, caso venha a surgir um pretendente e como liderar com o processo de governação da futura casa e da família, em particular, dos filhos e parentes do seu marido, entre outros.

Por seu turno, Olga Armando, que foi submetida aos ritos de iniciação em 2016, quando ainda tinha nove anos de idade, disse que “o meu pai, Raul Armando, é antigo combatente da luta de libertação nacional, originário da província de Gaza. Recentemente, contou-me que a minha mãe, que é natural daqui, em Ngauma, forçou para que eu fosse submetida aos ritos de iniciação, apesar de a idade não ser recomendada, porque, caso não passasse pelo ritual, não seria considerada como “pessoa” ao nível da família e na comunidade local, sobretudo, ligada à parte materna, que defende a cultura yao".

Acrescentou que durante a fase dos ritos de iniciação foi informada, que, depois de completar os 16 anos de idade, podia ser casada, alegadamente, porque é uma fase propícia, para procriar, em respeito aos mandamentos de Deus.

“Chegaram a dizer ao grupo, a que pertenci nos ritos de iniciação, composto por 15 meninas, que estudar não é muito importante, porque, como raparigas, estarão apenas a gerir a família, porque, dificilmente, as mulheres conseguem emprego" - disse Olga Armando, que, entretanto, confessa a sua ambição de ser professora, quando concluir o nível secundário geral do segundo nível.

Festa de saída dos ritos representa tudo na vida

No meio rural, em Ngaúma, em particular, e em muitos outros pontos da provincia do Niassa, as grandes festas, que acontecem, envolvendo um número significativo de convidados provenientes da comunidade local e de outros pontos, acontecem, somente, para comemorar a saída das crianças submetidas aos ritos de iniciação masculina e feminina.

Mariamo Zimbabwe, de 14 anos de idade, residente no povoado de Chiguaja, cerca de 30 quilómetros da vila sede distrital de Massangulo, confirma esse facto e acrescenta que "as crianças, que terminam o ciclo de formação baseado no ensino tradicional, beneficiam de roupas de cores garridas. Para o banquete, são servidas comidas, que antes do ritual, nunca tínhamos beneficiado, apesar de existirem nas nossas casas, nomeadamente, carne de caprinos e bovinos e também refrigerantes, entre outros"- frisou.

Acrescentou que as roupas para vestir os meninos e meninas, que completam o ciclo de ritos de iniciação, que dura no mínimo de 15 dias, são adquiridas na vizinha República do Malawi. Cada criança beneficia de um mínimo de três pares de roupas. Fazemos uma espécie de competição, para se ver, quem tem mais roupas bonitas. Por isso, no dia da cerimónia de saída dos ritos, mudamos de roupa, em cada fase da festa, para mostrar quais são os pais e encarregados de educação, que têm mais dinheiro. Portanto, não há criança que não queira usufruir dessas regalias."- concluiu.

Jastem Saide completou, recentemente, 18 anos de idade e confessou que os seus pais camponeses nunca promoveram uma festa para assinalar o seu aniversário natalício. Entretanto, no dia em que saiu dos ritos de iniciação, ficou surpreso, quando soube que os cabritos, que ele e seus três irmãos apascentavam, foram abatidos, para servir a carne aos convidados, na cerimónia, que depois teve lugar.

O régulo Chitambe, autoridade tradicional máxima, no distrito de Ngaúma, corrobora com as nossa fontes e refere, que faz parte da tradição da comunidade local, adquirir vestuário considerado de qualidade e promover festas com fartura de alimentos e bebidas para marcar a saída das crianças dos ritos de iniciação.

Nos últimos tempos, segundo ele, o papel das autoridades tradicionais estende-se, fora das suas competencias, atribuídas pelo governo, ou seja sensibilizar a comunidade para variar alimentos, como parte das accões visando a melhoria da segurança nutricional das famílias.

"Travamos uma dura batalha, para acabar com o envio das crianças aos ritos de iniciação, durante o período lectivo, e os resultados estão a aparecer, pese embora algumas famílias insistam em violar as nossas recomendações”. disse.

Alto risco na circuncisão masculina

A maioria dos meninos submetidos aos ritos de iniciação, vulgarmente, conhecido por “unhago”, em língua yao, no distrito de Ngaúma, passa pelas mãos de Pedro Rachide, que confessou à nossa reportagem, que as suas práticas baseiam-se na experiência adquirida, junto do seu falecido avô. O avô praticava aquele procedimento cirúrgico, que exige a observância alto grau de higiene, para prevenir infecções, que possam implicar demora na cicatrização das feridas e contaminação por doenças, que podem ter consequências imprevisíveis.

"Tenho sido eu a fazer a circuncisão aos meninos no distrito. Por isso, viajo, frequentemente, durante o período de férias escolares. No entanto, confesso que nunca passei por uma formação para praticar esse procedimento cirúrgico. Mas nunca tive um único caso de reinfecção, desde que comecei a praticar estes actos, há cerca de nove anos"- disse, acresceentando, que, ao longo do ano passado, circuncisou um total de 203 meninos ao custo unitário de 500 meticais cobrado aos pais dos mesmos.

Entretanto, soubemos que a actividade exercida por Pedro Rachide se baseia na parceria entre o sector da saúde e os praticantes da medicina tradicional. Armando Constâncio, director distrital do Serviço da Mulher e Acção Social em Ngaúma, destacou que casos de complicações hemorrágicas, que implicam demora na cura das feridas provocadas pelo acto de circuncisão, têm ocorrido, mas são encaminhados à unidade sanitária, para melhor seguimento com medicamentos apropriados.

Aumentam casos de uniões prematuras

Os casos de uniões matrimoniais prematuras de raparigas resultante das mensagens transmitidas durante os ritos de iniciação, na provincia do Niassa, registam tendência de crescimento, nos últimos anos, de acordo com uma constatação da Direcção Provincial do Género, Criança e Acção Social.

José Moda, director provincial daquela instituição revelou que pelo menos 134 raparigas contraíram uniões prematuras ao longo de 2018, mais de 69 casos do género, quando comparado aos registados 2017. 

O fenómeno, segundo a fonte, resulta da gravidez precoce, situação que força as raparigas a contrair uniões prematuras. José Moda alongou que o distrito de Ngaúma é um dos seis, que reporta muitos casos de uniões prematuras no Niassa.

Relativamente às gravidezes precoces. Niassa registou ao longo do ano passado,  um total de 238 casos.

Carlos Tembe

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A taxa de cobertura de abastecimento de água potável na província de Tete situa-se em 53.5 porcento, percentagem conseguida com aconstrução, no quinquénio prestes a terminar, de diversas infra-estruturas, em particular nas zonas rurais.

De acordo com o governador provincial, Paulo Auade, nos últimos quatro anos foram edificadas, na província, 540 fontes de abastecimento de água potável, das 729 planificadas para o quinquénio, em todos os distritos.

Igualmente, foi construído um sistema de abastecimento no Posto Administrativo de Zóbwè, norte do distrito de Moatize, região próxima da fronteira com a vizinha República do Malawi.

Disse ainda que, durante o mesmo período, o Executivo provincial, juntamente com os parceiros de cooperação, entre nacionais e estrangeiros, construiu cinco sistemas de abastecimento de água potável em Úlonguè, Nyamawabué, Mutarara, Mphende e Mucumbura, nomeadamente sedes distritais de Angónia, Mutarara, Dôa e Mágoè.

“Igualmente, houve intervenções que culminaram com a construção de nove dos 18 sistemas de captação das águas pluviais nas escolas dos distritos de Changara, Angónia e Chiúta”, disse o governador provincial de Tete.

Paulo Auade referiu que, ainda no âmbito da provisão de água potável às comunidades, uma das condições para garantir a sua boa saúde e saneamento do meio, foram construídos 20 mini-sistemas de abastecimento nos distritos de Changara, Angónia, Mágoè, Chifunde e CahoraBassa. A construção daquelas fontes, conforme assinalou, significa a superação da meta estabelecida para o período de 2015/2019 em mais três unidades.

Para além da construção de novas fontes, o Governo provincial de Tete reabilitou, no mesmo período, 604 dos 250 furos avariados.

Quanto ao programa de abastecimento de água potável no meio urbano, Paulo Auade disse terem sido construídos 17 dos 28 fontanários públicos na cidade de Tete e na vila municipal de Moatize. Apontou, igualmente, que foram estabelecidas 9173 das 7942 novas ligações domésticas planificadas.

No quadro do programa de saneamento do meio e combate ao fenómeno de fecalismo a céu aberto, o Governo provincial desencadeou, em todos os distritos da província, campanhas de construção de latrinas melhoradas, num total de 87.471 unidades.

“Continuamos a sensibilizar as comunidades,sobretudo nas zonas rurais, para construírem latrinas melhoradas, principal arma de prevenção de doenças diarreicas, entre outras”, disse Paulo Auade.

BERNARDO CARLOS

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MOÇAMBIQUE reduziu nos últimos cinco anosa importação de produtos agrários básicos como resultado do crescimento do sector, facto que, igualmente, contribuiu para a eliminação de bolsas de fome que eram reportadas um pouco por todo o país. Leia mais.

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