Director: Lázaro Manhiça

Apelos à valorização e preservação da vida humana fizeram o pano de fundo das homilias de ontem à noite nas celebrações religiosas por ocasião da festa do Natal, que em Moçambique coincide com o Dia da Família.

Numa altura em que as regiões Centro e Norte do país se ressentem dos ataques armados responsáveis por mortes e destruição do tecido social e económico nas comunidades, os líderes de diversas congregações religiosas juntaram vozes na exortação aos moçambicanos para que aproveitem o Natal - momento em que os cristãos celebram o nascimento de Jesus Cristo - para reforçar o entendimento entre si e exaltar a vida.

O arcebispo de Maputo, Dom Francisco Chimoio, por exemplo, destacou que Deus convida a todos a serem construtores e promotores da paz, da qual Cristo é príncipe.

Em declarações ao “Notícias”, salientou que a paz que se pretende desde a família só pode ser alcançada através do respeito, perdão, compreensão, abertura e, sobretudo, aceitação dos outros, independentemente de quem sejam, tendo em conta que todos têm o direito à vida, ao bom nome e à protecção.

“Deus quer que todos sejamos irmãos e juntos caminhemos segundo os seus mandamentos”, disse, acrescentando ser fundamental que cada um crie condições para a paz e evitar todas as situações que ponham em risco a vida dos outros.

Recordou a visita do Papa Francisco ao país entre os dias 4 e 6 de Setembro, momento que serviu para exaltar o espírito de esperança, reconciliação e paz, independentemente da confissão religiosa que cada um professa.

Por sua vez, o Conselho Cristão de Moçambique (CCM) lamentou que o Natal, celebração da vida e dos valores da família, seja também um momento de dor, luto e de incertezas para milhares de moçambicanos.

Felicidade Chirindza, secretária-geral do CCM, deplorou o que chamou de “falta de valorização da vida”, que se traduz em assassinatos, acidentes de viação evitáveis e destruição do meio ambiente, tornando o país vulnerável às mudanças climáticas.

“A vida é para ser amada e preservada, mas parece que nós os moçambicanos perdemos esta atenção. Hoje temos viaturas e estradas para nos permitirem viajar livremente, mas usamo-las para nos matar”, disse.

A responsável máxima do CCM, que congrega cerca de 30 igrejas cristãs, recomendou aos moçambicanos para que reflictam sobre a vida e recuperem o seu valor.

Já o Conselho das Religiões de Moçambique considera que o Natal ou Dia da Família é momento de reaproximação, perdão, reconciliação e restabelecimento da paz.

“Porém, não é o que acontece na nossa família moçambicana, vivemos um contraste em que se assinam os acordos de paz, mas, na prática, não alcançamos a paz definitiva que tanto almejamos”, lê-se na mensagem de José Guerra, vice-presidente do conselho, que junta mais de 60 igrejas.

O pastor destaca a necessidade de os moçambicanos valorizarem-se, pois, actualmente, há falta de patriotismo, amor e orgulho pela nossa pátria.

“Vamos neste 25 de Dezembro orar em prol da nossa nação, para que alcancemos uma verdadeira paz para que parem as destruições”, refere.

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