Director: Júlio Manjate

O fornecimento de energia eléctrica à região de Ouasse, na província de Cabo Delgado, poderá ser restabelecido na terça-feira, tornando possível a alimentação dos distritos de Muidumbe, Nangade, Mueda, Mocímboa da Praia e Palma, às escuras desde domingo.

A garantia foi dada esta segunda-feira ao “Notícias” pelo director de Transmissão Norte na empresa Electricidade de Moçambique (EDM), Felisberto Uissitomo, que garantiu que já foi concluída a mobilização dos materiais e equipamentos a serem usados para a travessia do rio Messalo, onde técnicos da empresa, auxiliados por indivíduos contratados localmente, trabalham para repor a linha de transporte de energia danificada na sequência das chuvas intensas que caem na região norte do país.

Trata-se da linha Macomia/Ouasse, cuja torre norte na travessia do rio foi derrubada pela corrente da água na noite dedomingo, resultando na interrupção do fornecimento da corrente eléctrica a cinco distritos do norte da província de Cabo Delgado.

Pelo facto de o piso ser lamacento, os postes, rolos de cabos, equipamentos e ferramentas são transportados à cabeça por cerca de 10 quilómetros.

Felisberto Uissitomo garantiu que, apesar dos constrangimentos logísticos, o essencial para trabalhar já está no local, pelo que as atenções estão agora viradas para a obra e segurança, tendo em conta que se trata da zona de actuação de insurgentes. 

A mobilização de materiais e equipamentos arrancou na manhã de domingo, mas as dificuldades de transitabilidade arrastaram o processo além do previsto.

Pelo menos 15.200 clientes estão sem energia eléctrica mas, como do universo figuram hospitais, empresas, lojas e outras instituições públicas, os afectados ultrapassam o número oficial.

Esta é a segunda vez que háqueda de torre de transporte de energia nesta zona, em resultado do transbordo do rio Messalo. O primeiro caso deu-se em 2018, privando os cinco distritos de corrente eléctrica durante cinco dias.

O incidente ocorre numa altura em que a EDM estava à espera do fim das chuvas para reconstruir a linha na zona do rio, o que passa por uma nova configuração do traçado e implantação de torres com fundações especiais.

Face à situação, a alternativa é a montagem de pórticos de madeira, estruturas compostas de postes verticais unidos por outros em forma cruzada, suficientemente altos para receber os cabos.

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O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, prometeu hoje ser o “presidente de todos os moçambicanos”, sem distinção de raça, origem étnica, religião e filiação política.

O compromisso foi assumido no seu discurso inaugural momentos após o acto de investidura para o segundo mandato. Uma cerimónia que decorre neste momento na Praça da Independência na capital do país.

Longamente ovacionado pelos presentes a cerimónia, o estadista foi mais longe ainda ao afirmar que nas eleições de 15 de Outubro passado, ninguém venceu e ninguém perdeu, “ganhou o povo moçambicano, ganhou a democracia.

Nyusi prometeu que o seu Executivo trabalhará para que Moçambique cresça e seja de todos moçambicanos, naquilo que foi classificado como sendo uma mensagem de inclusão.

Disse ainda que o a bússola do seu Governo continua a ser assegurar a felicidade de todos moçambicanos, e reafirmou que o povo continuará a ser o seu patrão.

Nyusi explicou que a paz foi e será a prioridade absoluta durante o mandato que hoje se inicia.

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Chegou a momentos à Praça da Independência, em Maputo, Filipe Jacinto Nyusi , que dentro de momentos será investido para o segundo mandato como Presidente da República de Moçambique.

Acompanhado de sua esposa, Isaura Nyusi, ele foi demoradamente ovacionado por milhares de pesssoas que assistem ao acto, para além de centenas de convidados entre nacionais e estrangeiros, incluindo dez Chefes de Estado e de Governo também presentes ao acto.

A banda militar das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, executou o Hino Nacional e prestou a guarda de honra, num ritual seguido  por milhões de pessoas dentro e fora do país, através da transmissão em directo por dezenas de canais de televisão e das várias plataformas das redes sociais.

O acto de investidura vai compreender diversos momentos entre os quais orações religiosas, revista à guarda de honra das FADM, desfile militar, actuação de gurpos culturais, devolução dos símbolos do poder à Presidente do Conselho Constitucional.

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Mais de 350 jornalistas entre nacionais e estrangeiros foram acreditados para a cobertura da cerimónia de investidura, hoje, de Filipe Jacinto Nyusi, para o segundo mandato como Presidente da Republica, na sequência da sua vitória nas eleições realizadas a 15 de Outubro do ano em curso.

Segundo a Directora do Gabinete de Informação, GABINFO, Emília Moiane, que  falava a jornalistas na Praça da Independência, na capital do pais, todas as condições foram criadas de modo a permitir que os media possam cobrir o evento com sucesso.

Um centro de imprensa com todas as facilidades técnicas para o envio dos despachos noticiosos foi também instalado no local onde vai decorrer a investidura do mais alto dignatário nacional.

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DUZENTAS casas ficaram destruídas total ou parcialmente em Nacala-Porto desde o início das chuvas, em Outubro, e as autoridades municipais e o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) estão a mobilizar recursos para apoiar as vítimas.

Trata-se de um drama que se vive em resultado não só da fúria das águas das chuvas e vulnerabilidade da região a erosão como também da negligência dos munícipes e das autoridades camarárias.

Dados em poder do “Notícias” indicam que mais de 60 mil cidadãos estão em situação de vulnerabilidade por terem fixado as suas casas ao longo das ravinas e locais propensos a erosão.

Alberto Eusébio, de 42 anos de idade, reside no bairro de Mocone há mais de dez anos, e explica que a casa onde vive já caiu cinco vezes devido à erosão. Confirma ter recebido várias brigadas da edilidade que o aconselharam a abandonar o bairro e procurar fixar-se numa área segura.

“Não tenho condições para recomeçar num outro bairro. Eu sei que a minha família corre risco, mas faltam-me recursos para deixar esta região”, disse, confirmando, porém, que sempre que a casa cai consegue mobilizar dinheiro para reconstrui-la.

O mesmo sentimento é partilhado por Fátima Mucupela, de 33 anos de idade, que disse que não tem para onde ir com a filha com quem vive.

“Não tenho para onde ir. Se sair daqui quem me vai acolher uma vez que já passo mal para sobreviver?”, questionou.

Quizito Francisco, do bairro de Tielela, vive numa parcela adquirida ao preço de 40 mil meticais no ano de 2017. Trata-se de uma zona residencial que foi interdita para a construção de habitações e produção agrícola, uma medida tomada na sequência do elevado risco de erosão, por ser um declive.

Actualmente a região está abarrotada de casas construídas de forma desordenada, usando material precário, convencional e misto, a maioria das quais com a autorização da edilidade.

No entanto, o Município aponta já ter identificado uma região segura para onde pretende reassentar a população que vive nos bairros de Tielela, Triângulo, Matola, Mocone e Ribáuè.

O presidente do Conselho Autárquico de Nacala-Porto, Raul Novinte, alega a falta de recursos financeiros para compensar as famílias camponesas que praticam a agricultura neste local.

O “Notícias” apurou que há dois estudos que foram desenvolvidos no passado, os quais sugerem a implementação de um plano de ordenamento territorial que permitiria a abertura de ruas e a reserva de áreas para a construção de infra-estruturas públicas, incluindo valas de drenagem para direccionar a água das chuvas.

O autarca limita-se a defender a necessidade de se construir uma rede de esgotos para orientar as águas, perante um cenário em que a vulnerabilidade à erosão piora, afectando infra-estruturas públicas e privadas.

Uma das infra-estruturas afectadas é a Central Eléctrica de Nacala, que se encontra soterrada, apesar de continuar a fornecer energia.

O Conselho Operativo de Emergência, chefiado pelo secretário permanente da província de Nampula, Eduardo Macário, constatou num trabalho de monitoria realizado semana passada que o Conselho Autárquico de Nacala-Porto precisa de trabalhar seriamente no ordenamento territorial e treinar os munícipes no uso de material de construção que permita reduzir os níveis de vulnerabilidade.

Observou que o deslizamento de terras poderá comprometer o funcionamento do Porto de Nacala, correndo o risco de perder o estatuto de maior porto de águas profundas ao nível da África Oriental.

Vincou que são necessárias, a médio e longo prazos, obras de grande engenharia tendo em vista conter a situação.

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