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Segunda-feira, 26 - Setembro, 2022

Belas Memórias: Vale a pena vender a máscara!

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ANABELA MASSINGUE – (anmassingue@gmail.com)

A CONVERSA desenrolava-se de forma intensa, entre um grupo de jovens de uma das mais agitadas esquinas que dão acesso a um bairro cada vez mais habitado nos últimos tempos, lá para as bandas da Matola.

Tudo acontecia num ambiente caracterizado pela presença de vendedores de fruta, recargas de telemóveis, máscara e também favorito para os que ganham a vida fazendo transações electrónicas de moeda.

Entre os negociantes houvequem iniciou a conversa fazendo troça do vendedor de máscaras por, segundo alegava, ser um negócio literalmente falido, aconselhando-o a achar um substituto, o mais depressa possível.

Os outros “colegas” da labuta faziam coro, afirmando que já era momento de esquecer que a máscara voltaria a ser fonte de negócio, tal como aconteceu nos últimos dois anos por conta da pandemia da Covid-19.

Um dos visados, que ia para aquela esquina somente para vender as máscaras, era naquela manhã o “bobo da festa”. Não tinha muito que comentar ou alimentar a conversa interessante para todos, menos para ele, a medir pelos comentários feitos à volta do seu negócio. Cada um ia realçando a ideia da importância do seu trabalho.

– Faça sol faça chuva, nunca ouvi dizer que há época em que se come menos ou mais fruta”, dizia uma vendedeira, tentando fazer passar a mensagem de ter sido visionária na escolha do negócio.

“Diga-me em que momento da manhã, tarde ou noite as pessoas não queiram falar ao telefone e, por conseguinte, a necessidade de ter recargas em dia”, dizia um outro vendedor para mostrar quão importante foi a sua aposta, mesmo numa altura em que muitas pessoas fazem compras electrónicas.

O homem que transaciona moeda, por sua vez, enchia o peito e levantava os ombros afirmando: “Quantas pessoas hoje em dia preferem queimar de sol e permanecer longas horas nas filas dos bancos, para levantar 500, 600 ou mil meticais, quando isso nós resolvemos em cada esquina?

Entre risadas, a conversa acontecia animadamente e prometia. As viaturas essas não paravam de passar, por se tratar de um corredor bastante movimentado, com o aumento do número de habitantes e de serviços, que arrastam cada vez mais gente para aquelas bandas.

O local do debate é, coincidentemente, uma paragem de transporte de passageiros e estes foram, por sua vez, chamados à razão uma vez que embarcavam e desembarcavam.

“- Olha para aqueles todos”, dizia um dos vendedores. “Estão a sair do “chapa” sem máscara e nada lhes vai acontecer, porque o seu uso em locais públicos não é mais obrigatório. De que vale permaneceres aqui meu irmão?”, dizia um, em jeito de provocação.

De repente uma nuvem de poeira trazida pelo vento sacudia a tudo e todos, deixando cair alguns produtos expostos em improvisadas bancas de madeira. Era o vento típico destas alturas do ano.

Depois veio um momento de trégua, com quase todos aos espirros pedindo a máscara para evitar que, com uma eventual onda voltassem a passar pela mesma situação, tal como tinha acontecido no dia anterior, no qual a venda era de tempos em tempos interrompida pela intempérie.

Tranquilamente, o homem das máscaras ajeitava a sua sacola enquanto entregava o seu produto à medida que era solicitado. Afinal, a máscara continua tão importante para a saúde em várias situações.

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