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Segunda-feira, 26 - Setembro, 2022

Cá da terra: Controlando a minha maluquice (Conclusão)

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Osvaldo Gêmo – osvaldoroque7103@gmail.com

AO ver aquela cena toda percebi porquê os homens se perdem no álcool. Recordo-me do Arsénio jurar para os chefes que deixaria de frequentar espeluncas, de esbanjar na bebedeira. Todavia, en­trou num tédio sem precedentes e até deixou de escrever, já não atinava com o lead.

Naquele bar ele era a própria notí­cia, ou melhor, o responsável pelo desenrolar dos acontecimentos.

Levantei e fui lavar a cara. Não acreditava no que via. Olhei para o relógio, já passavam das três horas.

Comprei uma garrafa de um álcool qualquer,  nem me despedi e fui embora. O caminho parecia por demais estreito e sem fim. Finalmente cheguei à casa. Empurrei o portão com o pé e não me recordo se cheguei a fechar.
Eu sabia! Eu sabia! Gritou a dona “E”, a minha Esperança,  enquanto fechava a porta atrás de mim. As tentativas de eu meter a chave na fechadura tinham resultado infrutífero. A cabeça estava às voltas e não conseguia acertar na fechadura. Como sempre, ela veio socorrer-me.

Olhei para ela, parecia que tinha passado toda a noite em claro. É assim toda a vez que passa da hora de eu retornar à casa, sobretudo quando não dou satisfação. Também não dava para dizer que estava numa espelunca qualquer onde as “strepeers” te acordam de um jeito especial.
Aqueles tipos são uns sacanas, destruidores de lar, uns bêbados incorrigíveis. Querida, tem algo para comer?- tentei balbuciar.

Mal sentei. Só consegui meter umas duas ou três garfadas de comida e minutos depois já estava a roncar. Se a Esperança não tivesse vindo em meu auxílio, juro que teria metido a cara na feijoada, cozinhada daquele jeito que só ela é que sabe.

Ao acordar, a minha cabeça estava  a estalar. Não conseguia abrir os dois olhos ao mesmo tempo. Abria um e quando abria o outro, o primeiro se fechava.

Levantei, mal me aguentava em pé. Manter o equilíbrio implicava um esforço para o qual o corpo não respondia. Por um breve momento vi tudo congelado, nublado. Aos poucos, uma aflição me invadiu a alma. Há vezes em que a vida parece uma história de ficção, daquelas que vemos nos filmes, lê nos livros e acredita que nunca vai acontecer connosco.

Jurei à Dona “E”  que nunca mais iria pôr uma gota de bebida na boca, uma promessa que sabia que não iria cumprir.

Aquele era o preço da bebedeira, com a qual tinha gasto as minhas azulinhas. Como o castigo não vem só, me lembro de ter uma tontura maluca e de desejar a morte.

É no que dá quando apanhas uma bebedeira com uma mistela de zurrapas, algumas das quais falsificadas. É o preço da maluquice.

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