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Segunda-feira, 26 - Setembro, 2022

GEOPOLITICANDO: Democracia versus democracia

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Edmundo Manhiça

BORIS Johnson não viu nada realizado do que almejara, senão o destroçar das suas ambições neocolonialistas. Ele foi quem mais trabalhou no campo ideológico belicista e mais incitou o seu protegido Zalensky à guerra até ao último ucraniano, colocando de lado a alternativa do diálogo.

“Entretanto, contra todas as expectativas, a saída de Boris pode significar a entrada total às trevas, lembrando-nos de alguns intervalos de riso que o seu penteado provocava em nós: é que, na Grã-Bretanha, a ministra das Relações Exteriores, Liz Truss, muito conhecida por ter poucos modos diplomáticos e de gostar de andar em tanques de guerra, saltou para o vagão do comboio eleitoral, estando, até agora, entre os três candidatos mais populares para o cargo de primeiro-ministro e líder dos conservadores”.

…E o que aconteceu foi mesmo isso: Boris Johnson saiu da residência oficial, em Londres, na 10 Downing Street, com o seu casaco, para um destino ainda incerto (futuro secretário-geral da NATO?) e a Liz Truss, triunfalmente, desceu do tal comboio eleitoral.

Na véspera (5 de Setembro), Liz Truss ganhou a eleição do chefe do Partido Conservador da Grã-Bretanha (57,4% dos membros do partido votaram nela, enquanto o ex-chanceler do Tesouro, Rishi Sunak foi apoiado por 42,6%) e, automaticamente, se tornou primeira-ministra do Estado.

É um procedimento deles: a eleição do chefe do Gabinete britânico é limitado ao partido que ganhou a última eleição, significando que, neste caso, a maioria não foi envolvida na mudança de governo. É democracia versus democracia. Truss tornou-se o 15º primeiro-ministro britânico nomeado pela rainha Elizabeth II. Ela também se tornou a primeira chefe de governo a ser nomeada pela rainha na Escócia, e não no Palácio de Buckingham.

Não se sabe se o exercício da função será por muito tempo. Truss torna-se primeira-ministra num momento difícil para os britânicos, se comparado com a altura em que Boris Johnson começou a dirigir o país: o aumento dos preços está a forçar cidadaos a escolher entre aquecimento e alimentação. Um terço dos britânicos que se sentem necessitados relatam usar menos gás e eletricidade, e aproximadamente o mesmo número gasta menos em comida.

As autoridades britânicas culpam a crise ucraniana pelo mais forte golpe externo na economia do país. Os consumidores no Reino Unido começaram a cortar gastos com alimentação e reduzir o consumo doméstico de gás e eletricidade à medida que mais pessoas relatam aumento dos custos de vida e há uma preocupação crescente com o impacto do aumento de preços nas famílias mais pobres do Reino Unido (www.theguardian.com/business/2022). Em geral, saindo-se do conforto, cresce na Europa o número de manifestações: as políticas suicidas das actuais lideranças são criticadas, tanto pela direita quanto pela esquerda. Em Berlim, Praga, Paris, Londres… Não tarda que as autoridades deixem da fazer ouvidos de mercador, incluindo a própria Liz Truss que, durante o processo de eleição para a liderança do Parrido Conservador,  deixara a todos bem claro que não exitaria em recorrer à arma nuclear, como primeira-ministra.

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