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Sábado, 3 - Dezembro, 2022

KWA CHE CAMISA: Pamoja Tunaweza

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Júlio Ambale Mendes*

VIVER os factos na prática é a melhor forma para compreender os diversos fenómenos. Falar e ouvir dizer é quase nada para aquilo que os olhos podem testemunhar.

Desde que iniciou esta macabra desestabilização do país pelos terroristas a minha indignação sempre esteve presente, como todos os moçambicanos do bem. Do bem porque a olhos vistos parte dos apoios para esta situação é alimentada por alguns dos filhos desta pátria, recrutando jovens, apoiando os insurgentes, sonegando informações às autoridades, entre outras formas. Esta é a convicção de muitos. Mas tudo isso vai sendo formado apenas pelo imaginário. Por aquilo que a imprensa leva até a nós. Os discursos e intervenções públicas do Presidente Nyusi e de outros dirigentes directamente ligados.

Fui a Cabo Delgado, a Palma em concreto. A indignação nunca foi tão profunda quanto o que senti nesta última semana. Em viagem de serviço, foi me dada a oportunidade de visitar Kitunda, a maravilhosa e bem organizada vila construída pela empresa que explora o gás do Rovuma para o reassentamento das populações. Um centro de reassentamento bem estruturado, com casas que devem servir de modelo para outros projectos, e com gente que aprendeu a viver e conviver de outra forma.

Apesar da intensa presença militar, que para outros é apreensiva, a população de Palma, e de Kitunda, em particular, já convive com normalidade ante a presença das forças. Transmitem uma tranquilidade que mobiliza a todos para o retorno às práticas de tempos não muito distantes. As crianças de Kitunda frequentam a escola regularmente. O comércio está de vento em popa e o peixe voltou à mesa.

Contrariamente ao que se ouve um pouco pelo mundo, em Palma a relação entre os soldados e as populações é de irmandade. Há uma reciprocidade no respeito, facto que facilita ainda mais os esforços do Governo no retorno à normalidade.

O Governo, a TotalEnergies, em coordenação com um movimento desportivo em Pemba, decidiram dar mais alegria às crianças apoiando iniciativas desportivas e não só. Foi daí que vi meninos de Kitunda a se iniciarem no basquetebol, uma modalidade até há pouco tempo estranha naquelas comunidades. O movimento trouxe para os meninos de Kitunda uma alegria indescritível em linhas, só vendo.

A resiliência das populações, a vontade de seguir em frente, os apoios de gente de bem, o sorriso das crianças em tempos de incerteza, o conforto e segurança que as autoridades militares transmitem são uma imagem que levei comigo em Cabo Delgado, a partir de Palma. Imagens que reforçam a admiração pelos esforços das autoridades governamentais, em especial do Presidente Nyusi, no regresso à tranquilidade naquela província. São imagens que deverão ficar por muito tempo, porque estive perto de pessoas que viveram um drama de terror ao vivo, irmãos que estão a reconstruir as suas vidas, depois de verem tudo que conquistaram durante uma vida ir para o ar em poucas horas.

Pamoja Tunaweza é mesmo isso, juntos podemos. Eles acreditam que juntos podem continuar a sonhar. Foi uma aula em que estive todo o momento atento, porque era proferida pelos actores directos.

O meu sonho é que o que se passou com aqueles meninos nunca mais volte, para que seja apenas um marco na historia das suas vidas. Merecem ter essa paz que nós vivemos. Sonhamos e partimos para a conquista. Que esta seja a sina.

Pamoja Tunaweza!!!

*PhD em Educação

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