África polui menos, sofre mais e fica estagnada na produtividade

ANABELA MASSINGUE

…MUITAS emissões não são de África, pois este continente só tem 4% do total dos gases emitidos pelos maiores detentores da indústria de transporte e de geração de electricidade… foi com estas palavras que o académico Almeida Sitoe enquadrou o problema da poluição, no contexto das mudanças climáticas, cujos efeitos concorrem para a pobreza.

Falando em Maputo, na esteira da 13.ª conferência da Sociedade Africana de Ciências Agrárias, havida esta semana, sublinhou que África é das emissões mais baixas que as estatísticas revelam.

A contribuição de 4% das emissões globais é atribuída a países com grandes indústrias como África do Sul, com 2%, e os restantes para a Nigéria. Mesmo diante desta realidade, o continente africano é vulnerável às mudanças climáticas porque, explica, apesar das fronteiras administrativas, o clima não age em função das mesmas.

Referiu que a subida de temperatura, com a variação de precipitação, formação de ciclones, secas, etc., obedece os ciclos biológicos e químicos que regulam a atmosfera.

A vulnerabilidade acontece em vários contextos, mas a grande diferença é que África não está preparada para fazer face a eventos climáticos extremos, por não possuir infra-estruturas adequadas para suportar um ciclone, por exemplo.

“O nosso continente não tem economia suficiente para reconstruir o que vem sendo destruído, nem capacidade institucional para gerir os impacto desses eventos de forma coordenada, de modo a reduzir o número de deslocados e evitar que haja mais vítimas mortais, deslocados ou eclosão de doenças”, detalhou.

Em face deste cenário, a ciência chama atenção para um trabalho complexo em torno da abordagem da vulnerabilidade climática, que é nada mais que o envolvimento de  instituições, infra-estruturas, sociedade, cultura, economia, resumidamente: tratar do desenvolvimento.

Em relação à causa da fome que afecta o continente, Almeida Sitoe recuou no tempo para explicar que nos anos 60 a produtividade média de cereais em África era de cerca de uma tonelada por hectare.

“A América produz actualmente perto de seis a sete toneladas em área similar, mas o continente africano continua a produzir na proporção de uma tonelada por hectare, com uma população que aumentou cinco vezes. A pergunta é: para esta diferença, de onde virá a alimentação para estas pessoas? É por isso que o continente africano é deficiente em alimentos e continua a depender de importações”, disse.

O académico considera a realização de eventos como a 13.ª conferência uma contribuição da ciência na busca de soluções para o fim deste problema, que passa por aumentar a produtividade. “O potencial existe e tem de ser explorado. Vai daí que os agrónomos estão aqui reunidos para ver de que maneira se pode interagir entre políticos, investigadores e produtores para melhorar a situação”, disse.

Leia mais…

Related posts

Elon Musk confronta advogado da OpenAI sobre ChatGPT

Lançadas festividades dos 50 anos de atribuição do nome Universidade Eduardo Mondlane

UniLúrio defende ensino superior voltado para os desafios nacionais