AEMO: Tribunal suspende comissão eleitoral

Filimone Meigos, Luís Cezerilo e Aurélio Furdela

O Tribunal Judicial da Cidade de Maputo suspendeu a Comissão Eleitoral constituída para conduzir a eleição do novo secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO).

A decisão surge em resposta a um pedido de impugnação da candidatura de Filimone Meigos, cabeça-de-lista da Lista “A”, submetido pela Lista “B”, liderada por Aurélio Furdela. A candidatura de Meigos é contestada com base em alegadas irregularidades atribuídas ao actual Secretariado da AEMO.

Segundo a Lista “B”, Filimone Meigos reuniu-se com o presidente da Mesa da Assembleia-Geral e com os escritores Ungulani Ba Ka Khossa e Armando Artur, ambos sem cargos na direcção actual, para tomar decisões centrais relativas ao processo eleitoral. Estas deliberações, afirmam, deveriam ter sido ratificadas pelo Conselho da AEMO, o que, alegadamente, não ocorreu.

Perante esta situação, a Lista “B” exigiu a anulação imediata de todas as decisões tomadas na referida reunião, nomeadamente a constituição da Comissão Eleitoral, a admissão de novos membros e a alteração do valor das quotas.

Na sua deliberação, o tribunal ordena a suspensão imediata da Comissão Eleitoral, liderada por Jorge Oliveira, bem como do Regulamento Eleitoral criado para o processo. No entanto, indeferiu o pedido de suspensão da candidatura de Filimone Meigos.

O tribunal marcou o dia 5 de Agosto para a apresentação do contraditório.

Entretanto, contactado pelo “Notícias”, o actual secretário-geral da AEMO, Carlos Paradona, afirmou que a Assembleia-Geral da associação terá lugar esta manhã, uma vez que a decisão judicial não impede a realização da reunião dos seus membros.

Concorrendo ao cargo de secretário-geral estão Filimone Meigos (Lista “A”), Aurélio Furdela (Lista “B”) e Luís Cezerilo (Lista “C”).

Os candidatos ao cargo divulgaram nas últimas semanas as suas candidaturas e as propostas dos membros da Direcção, para suceder o escritor Carlos Paradona, que concluiu dois mandatos consecutivos à frente da agremiação.

Filimone Meigos apresentou um manifesto baseado na inclusão, renovação e promoção da literatura nacional. Com o lema “uma candidatura pela leitura, associativismo e renovação”, propõe transformar a AEMO num espaço de diálogo inter-geracional entre escritores.

Por sua vez, Aurélio Furdela iniciou a sua campanha com uma acção simbólica: a oferta de livros à Associação de Cegos e Amblíopes de Moçambique (ACAMO), destacando o seu compromisso com a inclusão e a democratização do acesso à literatura.

Sob o lema “Uma Candidatura de Escritores Para Escritores”, Furdela promete implementar um plano de acção dividido em três fases nos primeiros 90 dias, que integram a reforma administrativa, parcerias com instituições de ensino, reactivação da Biblioteca Viva da AEMO e uma Conta Social para apoio aos membros.  

Já Luís Cezerilo, poeta e professor, apresentou uma candidatura inovadora à liderança da AEMO com o lema “Unir vozes, fortalecer a escrita moçambicana”. Defende que esta deixe de ser um espaço de memória e se transforme numa plataforma de oportunidades e diplomacia cultural.

Entre os principais pilares do seu manifesto está a internacionalização da literatura moçambicana, propondo traduções para várias línguas, parcerias com editoras estrangeiras e uma presença mais constante em feiras literárias internacionais.

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