BELAS MEMÓRIAS: De volta à faina 

“O que é bom dura pouco”, diz um ditado popular que ilustra quão efémeras são as coisas prazerosas, de entre elas a felicidade e as férias.

Esses momentos, os bons são, sem sombra de dúvidas, de uma efemeridade tal e explico: quando me despedi aqui, neste espaço, disse um até já irónico, porque tinha pela frente uns trinta e poucos dias de licença disciplinar, que aos olhos dos outros podiam ser muitos. Aqueles dias, à primeira, pareciam bastantes para um até já – Mas, num ápice, voaram de tal maneira que nem os  senti, na prática, como desejava antes de os desfrutar.

Mas foram dias com um sabor a agridoce. O pouco de bom foi volátil na reacção com os fenómenos da natureza.

Foi triste ver e sentir que a padaria que fica à mão de semear, lá nos meus aposentos, se tornou distante, pois para alcançá-la e adquirir o pão de cada dia, era preciso um exercício mental, físico e uma dose de criatividade para enfrentar as poças de água que inundavam todas as ruas e parte de algumas residências.

Foi igualmente triste ver a terra que me viu nascer aos escombros, a remar para um restart que estava a ser constantemente ameaçado e votado ao adiamento. É que as ruas da pacata cidade de Xai-Xai e arredores estavam às “fatias” e onde não sobrava água estava um amontoado de pedregulhos, denunciando a existência de uma via outrora asfaltada.

Antes de lá chegar, tinha que enfrentar os solavancos da EN1 lá para as bandas do Incoluane, que remetiam os automobilistas a um túnel, quando, na  verdade, estavam as valetas criadas pelas inundações de Janeiro.

Tristemente, testemunhei a nova vida de muitas famílias que, com a repetição destes eventos climáticos extremos, desenvolveram uma resiliência tal, a de viver e se adaptar a meios distintos, como terra e água.

Isso acontecia ao longo da via alternativa à EN1, que liga a zona baixa à alta da cidade de Xai-Xai. Exemplo de resiliência foi também o que se podia testemunhar na Igreja São João Baptista, um lugar emblemático nesta urbe, que vem resistindo às avassaladoras cheias que há registo na história desta cidade.

Depois de ter ficado alagada, com parte de infra-estruturas como o muro de vedação derrubado pela fúria das águas, a vida, no seu interior, já tinha começado, com os crentes a evocar o altíssimo, mesmo com a chuva a cair lá de fora, ao mesmo tempo que recebiam sucessivos alertas do INGD, fazendo vibrar os telefones quer dos bolsos, quer das carteiras, anunciando a segunda vaga das cheias.

A parte alta de Xai-Xai, que em tempos era o porto seguro para a população ribeirinha e não só, está abraços com a erosão, que se vai acentuando, fazendo pensar que o mundo está mesmo a conspirar contra as criaturas.

Foi bom rever a cidade, mas com alguma dor no coração, olhando para homens e mulheres a dar o máximo de si, nos mercados locais, desafiando cada nuvem que seguidamente se traduzia em chuva, transformando o seu local de actividade em pântano, de forma reiterada ao longo do dia.

É que a chuva dava trégua de horas mas, sem piedade, voltava a cair com uma intensidade tal, como se de alguém que exibia a sua superioridade se tratasse, perante um ser impávido.

Queira a mãe natureza absolver os pecados dos seus filhos que têm sido indicados como os causadores do seu próprio sofrimento, por destruírem o meio ambiente, quer cá, quer pelo mundo fora.

Queira também poupar os que estão a ser vítimas da acção dos grandes poluidores deste planeta, de modo a se desconstruir a ideia de que o mundo palmilha para o seu fim.

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