Artur Saúde
CERCA da uma hora e meia da tarde de uma quarta-feira, dia nove de Julho. Atravesso a baixa de Chicumbane e entro na famosa pontinha, em direcção à cidade de Xai-Xai. Atravesso-a e sou interpelado por um agente da polícia regulador de trânsito que fazia parte de uma vasta equipa de fiscalização rodoviária que incluía uma turma do Instituto Nacional de Transportes Rodoviário (INATRO). A primeira coisa que me indignou foi a obstrução de todo o trânsito. Uma paralisação demasiada de viaturas nos dois sentidos contrários da Estrada Nacional número Um. Uma paralisação anormal que perturbava qualquer automobilista que saísse ou entrasse naquela cidade. Pior é que tudo acontecia num dia de meio de semana em que todos nós estamos preocupados em preencher as nossas agendas de trabalho. Houve paralisação das actividades das instituições por parte daquele “espectáculo”. O agente da Polícia de Trânsito pede-me a carta de condução e o livrete da viatura que os exibo, imediatamente. Seguidamente pega na carta de condução para entregá-la ao senhor do INATRO para “sacanear” o documento, através do seu celular, de modo a verificar se teria ou não eventual registo de multa pendente. Até aí, tudo bem! Só que quando o agente da policia me retira a carta de condução, tive o cuidado de estacionar, rapidamente, o carro na berma e segui-lo. O tal agente do INATRO (um senhor forte e um pouco alto) que recebeu o documento, tratou de lançar os dados do meu documento no livro que usam para fixar multas, sem o cuidado de fazer o rastreio prévio. Ele só interrompeu o lançamento dos dados quando se apercebeu que eu já estava bem ao seu lado. Aparentemente envergonhado, interrompeu a operação e rasgou o papel com os dados registados da “penalização” que me cabia e devolveu a carta de condução, dizendo que se tinha enganado. Provavelmente, se tivesse demorado mais um bocado no estacionamento da viatura, tivesse sido “penalizado”. Insisti no sentido de procurar entender se realmente teria sido um engano verdadeiro ou não, mas, enfim, ele não conseguiu-me explicar. Facto curioso é que, no mesmo instante em que sou interpelado, um automobilista reclamava, por seu turno, por uma penalização alegadamente injusta ao se ter detectado o registo de uma multa que foi aplicada por uma infracção que ele infringiu numa ocasião em que se encontrava fora do país. Isso resultou numa troca de mimos que nem tenho a ideia de como teria terminado. Sejam quais forem as razões que se apresentarem, ficam, para mim, dois apelos à esta entidade: primeiro, é a de que a fiscalização rodoviária é necessária e importante para manter a disciplina nas nossas estradas. Porém, em meu entender, há que se respeitar a actividade desenvolvida por outros sectores, uma vez todos nós estarmos a dar o nosso contributo no crescimento da economia nacional. Devem reflectir melhor sobre a hora, dia da semana e em que locais devem realizar as suas acções. O segundo é de que se crie mecanismos para uma actuação mais honesta por parte dos agentes fiscalizadores. Só assim é que iremos em frente. Soube que há uma nova direcção do INATRO em Gaza que dela acreditamos chegar a bom porto.
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