Défice de água pode afectar produção de energia na HCB

ELIAS NHACA

A FALTA de chuva, associada à baixa disponibilidade hídrica na albufeira da Barragem de Cahora Bassa (HCB), pode comprometer a produção e disponibilidade de electricidade para os mercados doméstico e regional.

Esta situação é preocupante, sobretudo considerando que os níveis de armazenamento da albufeira de Cahora Bassa encontram-se actualmente fixados em 20 por cento.

Em cenários normais neste período da época chuvosa as reservas estariam na ordem dos 70 por cento, equivalente a 30 ou 35 mil milhões de metros cúbicos de armazenamento, mas está-se nos 12 mil milhões, portanto, fora do comum. A época chuvosa inicia em Outubro e termina em Março, com pico entre os meses de Janeiro e Fevereiro.

Este alerta foi prestado ao “Notícias” por Agostinho Vilanculo, chefe do Departamento de Gestão de Bacias Hidráulicas no Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.

“O problema é que não está a chover a montante. Nós precisamos de 1500 metros cúbicos por segundo, mas estamos a receber  800, por isso a cota está a descer”, detalhou Vilanculo.

Sublinhou que esta situação agrava-se com o facto de a Barragem de Kariba, situada entre a Zâmbia e Zimbabwe, na bacia do rio Zambeze, encontrar-se com um nível de armazenamento baixo, embora seja de maior dimensão que a HCB.

A fonte referiu que este cenário é preocupante, principalmente caso a época chuvosa termine nas actuais condições, de escassa precipitação.

Explicou que a Zâmbia e o Zimbabwe, a montante, já enfrentam restrições de energia de mais de 18 horas por dia, porque a produção é fraca. Falou da Kariba, cuja geração de energia está em três por cento, embora tenha uma capacidade de 181 mil milhões de metros cúbicos.

Refira-se que o alerta surge seis meses depois da HCB ter iniciado a implementação de um plano de gestão hidroenergético da albufeira e infra-estruturas conexas para a baixa disponibilidade de água.

A HCB produz, transporta e comercializa energia eléctrica para Moçambique, África do Sul, Zimbabwe e a Bolsa de Energia da Região Austral de África.

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