A participação de Moçambique na IV Conferência Internacional das Nações Unidas sobre o Financiamento para o Desenvolvimento, de 30 de Junho a 3 de Julho em Sevilha, no Reino da Espanha, foi, certamente, o acontecimento mais marcante na semana prestes a terminar, tendo em conta os resultados esperados em termos de novos investimentos.
Trata-se de um encontro descrito como sendo a última tentativa dos líderes mundiais para resgatar a Agenda 2030 das Nações Unidas, que preconiza, em última instância, o bem-estar das pessoas e a defesa do Planeta Terra, num contexto em que a maioria da população continua a viver em condições extremamente precárias, muitas vezes sem acesso a alimentos.
A conferência, que juntou à mesa chefes de Estado e de Governo, representantes de instituições financeiras, académicos e sociedade civil, aconteceu numa altura em que a implementação dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável regista uma estagnação provocada devido à falta de financiamento motivada por vários factores, um dos quais, talvez o principal, é a sistemática redefinição de prioridades de alocação de fundos para atender a emergências pontuais provocadas por calamidades naturais, guerras geopolíticas ou pandemias, como aconteceu há uns anos aquando da eclosão da Covid-19.
Neste contexto, entendemos que a realização da conferência foi uma oportunidade ímpar para a delegação moçambicana, chefiada pelo Presidente da República, fazer passar a sua mensagem sobre a necessidade de construção de um mecanismo de cooperação internacional onde prevaleça justiça e igualdade de oportunidades de acesso ao financiamento não só pelos Estados como também pelo sector privado.
Nesta perspectiva, pode-se dizer também que Moçambique foi à Conferência de Sevilha não para lamentar, mas para dar o seu ponto de vista quanto aos caminhos que o mundo deve trilhar para acabar com a pobreza no mundo.
Se por um lado o objectivo da delegação moçambicana era reforçar o seu cometimento com o Compromisso de Sevilha, negociado durante dois anos e adoptado esta semana pelos Estados-membros e que preconiza, acima de tudo, o combate à pobreza, por outro tinha em vista aproveitar os corredores da conferência para a diplomacia económica. E acreditamos que estas intenções foram concretizadas.
Nesta perspectiva, o Chefe do Estado e a delegação que o acompanhou mantiveram vários encontros com líderes mundiais e instituições financeiras internacionais, mormente aquelas que tradicionalmente apoiam os programas de desenvolvimento em Moçambique.
Entre tais entidades destacam-se o Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), cujos gestores deram importantes sinais do seu interesse de manterem a parceria para o crescimento do nosso país.
Por estes e demais argumentos, podemos concluir que, em Sevilha, Moçambique conseguiu transmitir a sua opinião ao mundo em relação aos mecanismos de cooperação internacional para o desenvolvimento e reunir-se com os parceiros de desenvolvimento.
Todavia, quanto a nós, mais do que isso, o importante é dar continuidade aos contactos iniciados de modo a que as intenções anunciadas se traduzam, de facto, em projectos concretos em benefício de Moçambique e dos moçambicanos.