HÉLIO FILIMONE
À PRIMEIRA vista, a exploração do gás natural em Inhassoro, província Inhambane, parecia visar somente o retorno financeiro para o país. Contudo, a actuação da multinacional sul-africana SASOL, envolvida na exploração deste importante recurso energético, mostra que o projecto também gera impactos positivos e multissectoriais no desenvolvimento das comunidades da região, indo além do ganho económico directo.
É que, para além da frente comercial do gás extraído nos 14 poços de Pande e Temane, as comunidades dos distritos de Govuro, Inhassoro e Vilankulo apresentam, pouco mais de duas décadas depois, um novo visual, em resultado dos múltiplos projectos implementados com o dinheiro conseguido pela SASOL na exploração deste recurso energético. É o chamado retorno dos benefícios colhidos na região que viu a terra lhes conceder um produto de extrema relevância.
Os populares destes distritos beneficiaram, até ao momento, de escolas e hospitais novos e devidamente apetrechados; de programas de fomento pecuário; de financiamento a pequenos projectos agrários, agrícolas e de comércio; da expansão da rede eléctrica e construção de novos sistemas de abastecimento de água.
Não só, volvidos 22 anos, a SASOL conseguiu pegar nos jovens nativos e formá-los, ou seja, potenciá-los como técnicos e engenheiros. Hoje, estes trabalham na própria fábrica, o que revela a importância que a empresa dá à qualificação da mão-de-obra local, sobretudo os jovens, de modo a serem eles próprios a conduzirem os destinos do futuro da exploração do gás na província de Inhambane.
Ao disponibilizar fundos para projectos virados aos distritos de Govuro, Inhassoro e Vilankulo, a SASOL está a incrementar e dinamizar os esforços visando contribuir no desenvolvimento acelerado destas regiões, com enfoque para as zonas em que o Governo não consegue alocar serviços básicos suficientes.
QUATROCENTOS EMPREGOS
NO geral, a SASOL emprega pouco mais de 400 trabalhadores de forma permanente, muitos dos quais são dos distritos de Govuro, Inhassoro e Vilankulo.
O facto destes trabalharem e viverem nestes pontos criou outras bases para o desenvolvimento da região, visto que os mesmos estão a usar os seus rendimentos para transformar e dar brilho à região, investindo na construção de casas, abertura de lojas e de outras infra-estruturas sociais e comerciais.
À semelhança de algumas empresas locais, que prestam serviços à multinacional SASOL, os seus trabalhadores são geradores de postos de trabalho, por contratarem gente da comunidade e levarem a cabo pequenos negócios.
Mateus Mosse, director das Relações Corporativas da SASOL, explica que, em 2019, a empresa injectou 20 milhões de dólares no desenvolvimento local, sendo metade desse valor para 20 comunidades de Govuro, tudo em projectos de geração de renda.
Como forma de incrementar a sua participação em acções visando assistir as populações locais e prestar mais apoios às iniciativas de desenvolvimento local (ADL), Mosse referiu que a SASOL decidiu, em 2025, renovar o seu compromisso com o Governo na componente de responsabilidade social, ao duplicar o valor para mais de 43 milhões de dólares. O montante, aplicado nesta segunda fase, cobriu 70 comunidades dos distritos de Govuro, Inhassoro e Vilankulo, onde a componente de criação de emprego é prioridade.
Aliás, o governador da província de Inhambane, Francisco Pagula, destacou, por ocasião da renovação do contrato com a multinacional, que os administradores distritais têm a responsabilidade de elaborar projectos de modo a que se possam beneficiar dos fundos ora postos à disposição pela SASOL.
“Não faz sentido ter dinheiro e não haver iniciativas que requeiram financiamento. Nas comunidades existem muitos desafios e o financiamento que se encontra disponível é exactamente para apoiar essas iniciativas e assim se resolverem os problemas que apoquentam as nossas populações”, exortou Pagula.
PETROQUÍMICA PRIORIZA BOLSAS PARA JOVENS LOCAIS
UMA das grandes ressalvas da actuação da SASOL reside na formação de jovens onde, de forma prioritária, Inhambane leva vantagem nas bolsas de estudo disponibilizadas.
Actualmente, a empresa tem um grupo de bolseiros em cursos relevantes na Malásia. Mateus Mosse explica que 40 já foram formados.
“Inicialmente, levávamos um bolseiro em cada província do país. Em 2022 mudámos o cenário e mais de cinquenta por cento são de Inhambane. Ou seja, dos 10 bolseiros que estão na Malásia actualmente, sete são da província de Inhambane, por ser o ponto onde a SASOL está a extrair o gás”, disse.
MOÇAMBICANOS AO LEME
JUVÊNCIO Massiguel é engenheiro e gestor de produção da SASOL. Está a frente da fábrica de gás, inaugurada no ano passado.
Diz-se honrado e orgulhoso por ser um dos vários moçambicanos que está em frente dos destinos do empreendimento.
Formado na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Massinguel foi admitido em 2019, como engenheiro de processamento e, ao longo dos sete anos de trabalho, foi evoluindo até chegar ao posto que actualmente ocupa.
“Sendo moçambicano, é um orgulho indescritível ver esta fábrica a nascer e fazer parte de todo o processo. Sinto-me bastante honrado e, ao mesmo tempo, com responsabilidades acrescidas de estar à frente desta importante infra-estrutura de desenvolvimento económico de Moçambique”, disse, frisando o facto de a SASOL estar a apostar em jovens moçambicanos como sendo estes o futuro da condução dos destinos da empresa.
Eugénio Raul é um dos vários nativos de Inhassoro que faz parte do grupo de trabalhadores da SASOL, facto que o deixa engradecido.
“Trabalho aqui há 18 anos e o grande sentimento, por ser nativo, é de muito orgulho, pois represento um ganho pessoal e colectivo da minha comunidade. Pela primeira vez, vimos uma fábrica a ser construída com mais de 3000 pessoas recrutadas localmente. É um empreendimento que veio para ficar e deu oportunidades de emprego a muitos jovens da região. Somos muitos que fomos recrutados, formados e empregues, o que é louvável. Mais gratificante ainda é ver o nosso gás a ser usado no país, em geral, e aqui em Inhassoro, em particular, de onde o recurso é extraído”, afirmou, sublinhando que outros dos ganhos é o apoio social que a empresa tem prestado às comunidades, sobretudo na componente de educação e saúde.
Por seu turno, Catarina Madacatele, enquadrada na SASOL desde o ano passado, como artesã de processo, também nativa, diz-se orgulhosa por fazer parte deste grande projecto.
“Fui formada no EFPELAC, em Inhassoro, e depois admitida na Sasol, o que é motivo de muito orgulho para mim e para os meus pais. É uma honra fazer parte desta empresa que olha para o bem-estar dos moçambicanos, principalmente os nativos que estão a viver um sonho, ao participarem na exploração deste recurso que Deus nos deu”, frisou.
SERIEDADE DAS EMPRESAS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
MATEUS Mosse, director das Relações Corporativas da SASOL, pede muita seriedade às empresas que prestam serviços à petroquímica.
“As empresas de Inhambane têm a oportunidade de participar no negócio de fornecimento de bens e serviços à SASOL, fazendo com que a riqueza fique na província e ajude a se desenvolver ainda mais. Contudo, devem ser sérias e apresentar produtos e obras de qualidade”, apelou o responsável.
Entretanto, a zona de Mangungumete, no distrito de Inhassoro, onde está instalado o projecto de gás, mudou bastante nos últimos anos. Nos últimos tempos, a comunidade beneficiou de um campo de futebol, de uma unidade sanitária, sistema de abastecimento de água, escola secundária e um banco que serve milhares de pessoas que para lá convergem em busca de oportunidades. Num ápice, a região viu crescer a sua população devido à presença da SASOL que está a implementar vários projectos sociais e a impulsionar mudanças.
Com a presença da multinacional na exploração do gás, houve romaria de gente de vários quadrantes da província de Inhambane e não só, que convergiram em busca de vantagens directas dos serviços prestados em torno da exploração do gás.
Uns em busca de emprego directo na fábrica; outros atrás da criação ou prestação de serviços em empresas contratadas. Mas o facto é que todos foram dar a Inhassoro em busca de uma oportunidade para ganhar dinheiro.
Para Bernardo Saul, um dos vários beneficiários dos projectos da SASOL, baseado em Mangungumete, diz que conseguiu montar um estabelecimento de comércio geral que lhe possibilita dar emprego a outros cidadãos e servir a comunidade local.
“O desenvolvimento aqui é um facto e a zona, quando o projecto chegou, não estava preparada para responder a tanta demanda. Foi assim que optei por criar este negócio para satisfazer parte da procura, sobretudo em bens de mercearia e serviços diversos”, disse.
Natália Chivambo, administradora do distrito de Govuro, agradece à petroquímica SASOL pelo contributo que deu na expansão da rede eléctrica, facto que permitiu que muita gente optasse por abrir negócios, na sua maioria relacionados com comércio e venda de pescado. Com a expansão da rede eléctrica é possível à população apostar na comercialização de pescado em segurança. Aliás, foi possível montar um frigorífico que serve a todos na conservação de pescado.
“Estas acções, patrocinadas pela SASOL, possibilitaram que mais gente tivesse emprego e se alargasse a provisão de serviços essenciais”, enfatizou Chivambo.