LENTA DENDO, DA POLÍCIA MUNICIPAL DA BEIRA: Arrogância não faz parte do nosso manual

LEONEL VILANCULO

SEIS meses depois de intensificar as operações nas ruas, mercados e principais vias da cidade, a Polícia Municipal da Beira faz um balanço positivo do trabalho desenvolvido e assume um compromisso claro de devolver a ordem, a segurança e a disciplina ao espaço público da capital de Sofala.

A porta-voz da corporação, Lenta Dendo, fala das principais acções realizadas entre Janeiro e Junho deste ano. O foco esteve na desobstrução de vias públicas, combate ao estacionamento irregular, fiscalização do comércio informal e no ordenamento do trânsito, áreas apontadas como as maiores causas de caos no segundo maior centro urbano do país.

Segundo Dendo, os resultados já são visíveis. Pontos críticos de congestionamento no centro da cidade foram reduzidos e a presença de agentes foi reforçada em bairros periféricos, incluindo o posto administrativo de Nhangau. Lá, para além da fiscalização a vendedores informais, a corporação passou a monitorizar com mais rigor a actuação dos moto-taxistas, grupo identificado como um dos principais geradores de desordem.

Mas o desafio, reconhece a porta-voz, vai muito além da operação. Está na mudança de comportamento e aponta o factor cultural como maior obstáculo, dada a resistência de parte dos cidadãos em cumprir as posturas municipais.

Com um efectivo “curto”, a Polícia Municipal diz trabalhar em estreita coordenação com a PRM,  Polícia de Trânsito e a Vereação dos Transportes. A estratégia, explica Dendo, assenta em três pilares: diálogo primeiro, seguido pela fiscalização e, depois, tolerância zero à corrupção.

Para os próximos meses, a corporação quer consolidar as designadas zonas de trânsito livre, eliminar os principais gargalos de congestionamento e iniciar a modernização da fiscalização com recurso a meios digitais.

Nesta conversa, cujas principais partes transcrevemos a seguir, Lenta Dendo falou igualmente sobre a apreensão de mercadorias, multas, poluição sonora, vandalismo de bens públicos e deixou um apelo directo: “A Polícia Municipal não é inimiga da população. Somos parceiros para termos uma Beira mais organizada, limpa e segura”.

Notícias (Not.): A Polícia Municipal, como outras forças, está sempre na berlinda. Faça bem ou não o seu trabalho, é escrutinada pela opinião pública. Está satisfeita com o trabalho desenvolvido nos últimos tempos?

Lenta Dendo (L.D.): Sim. O balanço é de longe positivo. Desenvolvemos uma intensa actividade operacional para repor a ordem na cidade, com enfoque na desobstrução das vias públicas, combate ao estacionamento irregular e fiscalização do comércio informal. Conseguimos reduzir significativamente os pontos de congestionamento no centro da cidade e reforçámos a presença da Polícia Municipal nos bairros periféricos, incluindo Nhangau, onde fiscalizamos vendedores informais e moto-taxistas. O objectivo central é garantir que o munícipe circule com segurança e dignidade, por isso posso dizer que estou satisfeita.

Not.: A cidade enfrenta desafios multifacetados… as operações são direccionadas ou acontecem aleatoriamente?

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