LUCAS MUAGA
HÁ cerca de duas semanas, a Arena Moamba, no posto administrativo de Pessene, distrito da Moamba, província de Maputo, era apenas mato. Não havia mais nada além de capim, arbustos e alguns répteis que apreciam este tipo de ambiente. Hoje, metade dos seus 30 hectares já está a ser aproveitada.
Foi precisamente ali, onde até há pouco tempo nada de especial acontecia, que se realizou, no último fim-de-semana, a primeira edição do Festival Internacional da Moamba (MOAFEST), evento que se pretende um dos maiores acontecimentos artístico-culturais da província de Maputo.
Ali tudo estava arrumado como se organiza uma grande festa. À margem da Estrada Nacional Número 4, a nova arena parecia querer desviar para si todos os utentes daquela via que liga Moçambique à África do Sul. Nota-se que não foi por acaso que a organização esperava mais de 15 mil espectadores, embora seja possível deduzir que o número de presentes tenha ficado longe dessa expectativa.
Previsões à parte, o facto é que milhares de pessoas responderam ao chamado do Governo do Distrito da Moamba e da Top Produções, responsável pela curadoria do evento e desafiada a transformar a nova arena num dos espaços mais movimentados do distrito.
Dezenas de feirantes expuseram os seus produtos e serviços. Enquanto isso, os espectadores apreciavam os seus trabalhos e aguardavam, ansiosamente, pelo momento mais alto do evento, as apresentações musicais.
A espera foi longa. Nos dois dias do festival, praticamente nada começou à hora marcada. “Devem estar à espera de mais gente ou a organizar alguma coisa”, comentavam alguns participantes.
As horas corriam e não esperavam por ninguém. Pela forma como as coisas estavam a decorrer, já se podia antever o que iria acontecer: não se dormiria no MOAFEST. E, realmente, não se dormiu.
“Como posso ir embora se as artistas que vim ver ainda não actuaram?”, perguntava-se entre o público. E, nesse momento, o silêncio e a paciência eram as únicas respostas possíveis.
Pelo programa, as apresentações da sexta-feira, por exemplo, deveriam começar às 18.00 horas e terminar às 04.00 horas. Eram, entretanto, quase 19.30 horas quando se deu o “pontapé de saída” às actuações, que só terminariam por volta das 06.00 horas, já com o sol a ensaiar as primeiras aparições.
Celebração do poder feminino
DA noite de sexta-feira à manhã de sábado, o evento foi dedicado às mulheres. Daí o nome “Divas Night”, ou “Noite das Divas”, numa tradução livre do inglês.
“Homenageamos a mulher porque ela é aquela que, quando tem recursos à disposição, consegue multiplicá-los. Por isso, apostámos nas divas e fizemos uma combinação de continentes”, explicou o administrador do distrito da Moamba, Carlos Mussanhane.
A “Noite das Divas” começou com uma apresentação de xigubo de Moamba, que abriu caminho para as actuações de grupos locais. Foi assim durante algumas horas. Artistas da casa subiram ao palco para falar de amor e das suas vicissitudes, quase sempre acompanhados pela banda Evolution.
Fotos: Sérgio Manjate