Quando o “inútil” torna-se solução da comunidade

LEOVEGILDO DA CRUZ

NUM contexto de dificuldades económicas e escassez de meios tecnológicos, estudantes do distrito municipal KaTembe, na cidade de Maputo, surpreenderam a todos ao transformar resíduos domésticos em soluções criativas com utilidade prática.

Através de projectos desenvolvidos com materiais reciclados, construíram protótipos inovadores capazes de responder aos problemas do quotidiano nas suas comunidades.

As invenções surgiram no âmbito de uma feira de ciência e inovação, promovida pelas escolas secundárias da capital, com o objectivo de estimular a criatividade e encorajar respostas sustentáveis aos desafios locais.

O evento reuniu dezenas de alunos que apresentaram propostas como sistemas de refrigeração, aspiradores de pó, semáforos e experiências químicas.

Foi uma ocasião para revelar o potencial dos jovens, na aliança do conhecimento escolar à realidade social, propondo soluções acessíveis, eficazes e ambientalmente conscientes. Mais do que uma exposição académica, a ocasião serviu para demonstrar que a inovação é possível mesmo em cenários de grandes limitações de recursos.

Com o apoio de professores e técnicos, os estudantes não só construíram modelos funcionais, como criaram manuais explicativos e planos de replicação, assumindo o protagonismo na resolução de problemas actuais.

Semáforo que opera à base de lata

QUATRO estudantes desenvolveram uma maquete para explicar a funcionalidade de um semáforo eléctrico protótipo, construído com lata metálica, fios de cobre, resistências, LED, um potenciómetro e um pequeno transformador, montado sobre uma madeira reaproveitada.

Trata-se de Glair Violas, António Gervásio, Assyene Cumbe e Akhopela Armando, estudantes da Escola Secundária da Katembe.

Segundo António Gervásio, membro do grupo, a iniciativa surgiu como uma dúvida nas aulas de Física quando estudavam sobre circuitos eléctricos e queriam saber como funcionam na prática.

“Fizemos um semáforo que mostra como funcionam as ligações eléctricas e pode ser usado em aulas de Física”, revelou.

Contou que a maquete tem servido como ferramenta educativa e despertado o interesse de outros alunos para o estudo da Física, através de uma abordagem prática e acessível.

“Muitos colegas têm medo de mexer com electricidade. Mas com esta maquete conseguimos mostrar que é seguro quando se compreende,” referiu.

Professores da escola validaram a utilidade do projecto e elogiaram a clareza da demonstração.

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