FÓRUM RÚSSIA-ÁFRICA: Moçambique reforça cooperação bilateral

Jorge Rungo, em Sochi

MOÇAMBIQUE está disposto a abrir espaço à implementação da nova proposta de cooperação com a Rússia, de modo a tirar melhores benefícios em prol do seu desenvolvimento social e económico.

De acordo com César Gouveia, director nacional para Europa e Américas no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, a I Conferência Ministerial do Fórum de Parceria Rússia-África, que decorreu no fim-de-semana em Sochi, na Rússia, definiu uma nova vertente de cooperação entre a Rússia e o Continente Africano, numa altura em que o mundo vive um momento complexo de transição do mundo unipolar para o multipolar.

Segundo Gouveia, é nesta esteira que a Rússia se adianta pretendendo estabelecer uma relação mais sólida com os países africanos em diferentes moldes, incluindo a vertente económica e olhando para vantagens mútuas.

“E Moçambique aparece para se juntar à família africana por forma a estabelecer uma parceria que se pretende diferente da imposição de regras e condicionalismos”, disse.

Na mesma senda, frisou que acredita que este vai ser um relacionamento positivo, porque poderá respeitar os interesses e programas dos países africanos e tentar contribuir para o desenvolvimento de cada um deles.

Sublinhou que se trata de uma outra forma de estar no domínio político e diplomático que Moçambique considera ser bastante interessante e para a qual se pode embarcar para tirar mais e melhores benefícios.

Segundo Gouveia, por se tratar da I Conferência, abriu-se caminho para o reforço das relações bilaterais já existentes com a Rússia, que são acompanhadas através das comissões mistas de trabalho, das visitas dos Chefes de Estado e dos encontros ministeriais a nível de vários sectores.

Explicou que o facto deste encontro ter sido realizado num formato multilateral ajudou a criar condições para que o Continente Africano faça mais pressão no sentido de obter mais ganhos. No entanto, enfatizou que Moçambique opta por manter o controlo da cooperação a nível bilateral.

Com efeito, nos vários encontros realizados durante a conferência Moçambique e os cerca de 45 países africanos presentes sugeriram que a Rússia apoie o processo de industrialização para que deixe de ser apenas exportador de matéria-prima e passe a processar e exportar produtos com valor acrescentado.

“Este é um desejo que também depende da capacidade de vários factores inerentes a cada um dos países. Mas existe vontade política de transferência de tecnologia da Rússia para os países africanos”, sublinhou.

Em termos de rescaldo do evento, César Gouveia disse que Moçambique sai deste encontro satisfeito, porque muitos aspectos centrais e de interesse nacional constam no documento final, com destaque para o combate internacional ao terrorismo, questões de desenvolvimento sócio-económico, entre outras matérias.

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