FELICIANO SÉRGIO
“A ESCOLHA que fizeste não foi das melhores. Estás a ver como está a decorrer a viagem? Não basta o longo tempo de espera no terminal a aguardar pelo preenchimento dos assentos! Mais uma do motorista: imobilizar a viatura para cumprir uma formalidade legal”. Este foi o desabafo de um companheiro de viagem quando no domingo, depois de mais uma jornada laboral me coube a escolha da viatura que devíamos embarcar, uma vez que o destino era o mesmo.
Esta inquietação surge do facto de a viagem, regra geral aos domingos, ser antecedida pela necessidade de preencher todos os assentos porque é suposto que ao longo do percurso dificilmente se podem encontrar passageiros em número suficiente para cumprir com a receita, a não ser em pontos estratégicos.
Com os assentos ocupados, rumamos em direcção a Zimpeto, arredores da cidade de Maputo, com o motorista a imprimir uma velocidade mínima e pouco comum, mas fundamental para a segurança dos passageiros. E porque se tratava de um dia de descanso, sem tanto compromisso com o trabalho, alegramo-nos também com os utentes que estavam com os reflexos alterados devido à ingestão de bebidas alcoólicas, com uns a tenderem para provocações, mas nada grave aconteceu.
Todavia, ao longo do percurso, as autoridades policiais mandaram parar o “chapa” e, como mandam as normas, o motorista seguiu as ordens. Depois de alguma conversa, o agente levou os documentos, tendo o motorista conduzido a viatura para um lugar seguro de modo a não criar embaraço. Seguidamente, abandonou o veículo e foi ao encontro do agente de onde recuperou os documentos.
Para mim, este foi tempo suficiente para reflectir como a viagem decorreu até aquele ponto, pois, a partir daí me dei conta que a viatura apresentava problemas mecânicos que pareciam normais: som esquisito, a porta de entrada e saída não estava a funcionar devidamente, os assentos não estavam em condições, algo que só foi objecto de análise após esta ordem do agente. Pelo que, percebi a razão da presença na via pública para aferir os vários aspectos que concorrem para a segurança rodoviária.
Desconheço o que teria acontecido para o condutor abandonar o veículo e recuperar os documentos, mas quero acreditar que a viatura ou o motorista estavam numa situação ilegal, sobretudo no que diz respeito à inspecção obrigatória de veículos.
Aliás, este documento é alvo de comentários desabonatórios por alegado sistema de suborno que permite a circulação de veículos sem condições para se fazerem à rua, sobretudo para a actividade de transporte de passageiros.
Por isso, concluí que a actividade rotineira da polícia é necessária mas, mais do que isso, é fundamental que todas as entidades estejam alinhadas no mesmo objectivo, que é o reduzir a sinistralidade.