PODEMOS não foi notificado do fim do acordo com Mondlane

O PARTIDO Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS) distancia-se das declarações de Dinis Tivane, assessor do ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que anunciou, através de um comunicado de imprensa, o fim da relação entre ambos, acusando a organização de “vender a luta do povo”.

Falando ontem ao “Notícias”, o porta-voz desta formação política, Duclésio Chico, disse que o partido não foi notificado sobre o fim do “casamento” com Mondlane, pelo que desconhece o conteúdo da aludida carta e o respectivo remetente.

“A carta que está a circular não nos tira sono, visto que quem assina é alguém que desconhecemos, pois assinámos o acordo com Venâncio Mondlane. Havendo essa pretensão por parte do signatário, ele usará os meios próprios para isso”, disse.

Acrescentou que não há espaço para diminuírem o seu candidato, sustentando que ele continua sendo uma peça-chave no cenário político em Moçambique. Reconheceu ainda que a tensão interna se deve a questões ideológicas, mas acredita que isso pode ser resolvido com diálogo.

Chico reagia assim ao documento proveniente do gabinete do auto-intitulado presidente-eleito pelo povo, assinado por Dinis Tivane, acusando o PODEMOS de ter vendido a luta do povo, sobretudo devido à tomada de posse dos deputados na Assembleia da República, processo que foi boicotado, no dia da sessão solene, pelos outros partidos da oposição, que também rejeitavam os resultados eleitorais.

O documento indica que, para eles, nem tudo na vida é dinheiro e posições. “Urge clarificar que a nossa luta política é, fundamentalmente, pela salvação de Moçambique, não estando em causa o alcance obsessivo de bens materiais ou qualquer vantagem financeira com base no martírio do povo”, lê-se na nota que justifica ainda que a ruptura deste contrato é em respeito à dor de milhares de moçambicanos.

No entanto, a Renamo e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) viriam a tomar posse posteriormente e vão fazer parte do plenário que irá reunir nos dias 12 e 13 de Fevereiro corrente para analisar o Plano Quinquenal do Governo (PQG) e o Plano Económico e Social (PES).

O mesmo documento acusa o PODEMOS de adulterar o acordo político que existia entre as duas partes e critica o facto de o partido integrar a mesa de diálogo para o fim da crise pós-eleitoral que está a ser promovido pelo Presidente da República, Daniel Chapo.

Este partido apoiou a candidatura de Venâncio Mondlane nas presidenciais, depois da rejeição da Coligação Aliança Democrática (CAD) que o suportava.

Nas eleições de 9 de Outubro, o PODEMOS tornou-se no maior partido da oposição, com 43 assentos na Assembleia da República, à frente da Renamo, com 28, o MDM tem oito e a Frelimo a maioria, com 171 deputados.

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